terça-feira, 7 de julho de 2020

O BRASIL NÃO ESTÁ CONDENADO AO FUNDO DO POÇO MAS TEM DE, O QUANTO ANTES, REDEFINIR AS SUAS PRIORIDADES – 1

dalton rosado
O BRASIL TEM JEITO!
Estamos no fundo do poço não só sob critérios capitalistas de relações sociais, mas também, e infelizmente, também quanto aos valores políticos e humanistas. 

Nossa nação era conhecida pela sua cordialidade e miscigenação fraterna, já que nela conviviam sem maiores atritos as mais diferentes etnias e suas tradições culturais. O cineasta italiano Franco Zeffirelli a chegou a qualificá-la de "o último país feliz do mundo". 

Atualmente, contudo, somos tidos lá fora como exemplo emblemático de violência urbana e como predadores ecológicos (graças à acelerada devastação da floresta amazônica). 

Para piorar, tornamo-nos neste ano o segundo país do mundo com mais contaminações e mortes pelo coronavírus: com cerca de 210 milhões de habitantes, temos 2,8% da população mundial e respondemos por 12% das mortes causadas pela  Covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde.

E nossas mazelas atuais não ficam por aí:
— temos um presidente negacionista de fatos sociais irreversíveis e incontentáveis, ditados pela dialética do movimento que torna imperativos novos padrões de comportamento, adequados às exigências deste momento histórico; 
— temos um ministro das Relações Exteriores que nega a globalização da economia; 
— temos uma ministra dos Direitos da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que prega comportamentos religiosos retrógrados, característicos da Idade Média, além de se declarar antifeminista;  
 não temos ministros da Educação nem da Saúde; 
 temos um ministro da Justiça que atua como se fosse advogado particular do presidente, ocupando o cargo antes exercido pelo dito paladino da luta contra a corrupção com o dinheiro público (que saiu denunciando as pressões presidenciais para que colocasse interesses familiares acima dos valores republicanos);
 temos um ministro da Economia que quer vender o Brasil; e
 temos um ministro do Meio Ambiente que quer aproveitar o foco na pandemia para extinguir na surdina importantes dispositivos de proteção ambiental.

Chega ou querem mais? Pois todos esses desatinos decorrem de continuar à testa do Poder Executivo (até quando? – perguntam os brasileiros conscientes, pois salta aos olhos que este país entrará em convulsão social muito antes de 2023) um presidente:
— que praticou e pratica um descarado nepotismo (que vai desde o emprego de assessores fantasmas à custa do erário e até a criticadíssima e finalmente frustrada indicação de um dos seus filhos para o mais alto cargo da embaixada brasileira nos Estados Unidos);
— que apoia movimentos que pregam a volta da ditadura militar, com o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal; 
— que tem sua família acusada de estranhas ligações com as milícias do Rio de Janeiro, organizações criminosas por ele elogiadas e condecoradas em passado recente; e
— cujo guru, bem como alguns de seus ministros e aliados, acreditam que a terra seja plana, fazendo ele e o Brasil serem alvos de zombarias mundiais. 

Com um quadro destes, não é de estranhar-se que nos tenhamos tornado párias aos olhos do mundo civilizado, com reflexos negativos para o nossa economia e relações internacionais, num período de devastadora depressão econômica. 

Mas, o Brasil tem jeito! 

Sua solução, contudo, não passa pelo alinhamento com as relações capitalistas que passam por sua pior fase desde a Grande Depressão dos anos 30. 

Sob tais critérios nosso país jamais se sairá bem, além de estar com as represálias mundiais à vista.E é o povo brasileiro quem pagará a conta da imprevidência de ter eleito um candidato que já na campanha eleitoral se prenunciava como portador de todos os defeitos ora escancarados. 

Mas, graças às nossos potencialidades materiais, poderíamos dar um exemplo ao mundo de como se pode combater a pandemia e a depressão econômica sem sacrificar os mais fracos. 

Bastaria escolhermos as prioridades corretas e termos a necessária vontade política para colocá-las em prática. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

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