"...Mercadante e Mantega (...) patrocinam mais uma versão do Refis (pode me chamar de Bolsa Sonegador). Na sua oitava temporada, ele ressurgiu no entulho da Medida Provisória 627. Trata-se de um mecanismo pelo qual quem deve à Receita Federal inscreve-se no programa, livra-se de multas e parcela o débito a perder de vista. O Congresso aprovou um absurdo, esquecendo-se até mesmo de estabelecer um prazo para a quitação. A doutora Dilma vetou a maracutaia, mas sua essência tramita numa nova MP, a 638. Os beneficiários desse mimo serão sobretudo grandes empresas. Nas versões anteriores, bancos e multinacionais safaram-se de autuações que iam a R$ 680 bilhões. A Vale ganhou um desconto de R$ 45 bilhões. A Companhia Siderúrgica Nacional livrou-se de um espeto de R$ 5 bilhões e a petroquímica Braskem limpou uma conta de R$ 1,9 bilhão.
Em 12 anos de governo, com sucessivas versões do Refis, o comissariado criou uma segunda porta nas relações com o Fisco. Numa, quem deve paga. Nessa modalidade estão pequenos empresários apanhados num pulo de gato ou num erro.
Grandes empresas, com serviços financeiros (e advogados) de primeira, aprenderam que o governo se assusta quando fica sem caixa e, para raspar o tacho, reduz suas cobranças a preços camaradas. Assim, o melhor negócio é não pagar o que a Receita cobra, à espera do próximo Refis...."
Plínio de Arruda Sampaio disse tudo: se era para governar igualzinho a eles, teria sido melhor deixar o poder nas mãos deles. Antes manter princípios e valores como oposicionistas do que avacalhá-los como situacionistas.
A primeira postura mantém viva a esperança num futuro melhor, bem diferente disso que está aí.
A segunda identifica o partido com isso que está aí. Convida-nos a condescendermos com a desigualdade, a injustiça e os abusos sob a alegação de que a alternância levaria ao poder forças piores ainda.
Mas, uma sociedade sem utopias vai apodrecendo aos poucos. É o que se constata no Brasil de hoje.
Nenhum comentário:
Postar um comentário