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sábado, 28 de setembro de 2024

LULA, UM PROBLEMA DE COMUNICAÇÃO?

 


Correm nos bastidores a crítica de que o governo Lula não consegue levar ao povo os bons resultados de sua administração, justamente num mundo dominado pelos meios de comunicação. É  uma crítica para se levar a sério, pois a eleição de Bolsonaro e seu índice de aprovação, durante os quatro anos de governo, se deveu a uma explosão de redes sociais a ele favoráveis com altos níveis de participação de seguidores ativos e mesmo fanatizados.

Bolsonaro tinha um encontro diário com seus seguidores no chamado cercadinho, já desmontado, junto do Palácio do Alvorada, repercutido depois pela imprensa e suas redes sociais. Como não era um presidente revolucionário ou inovador,  surpreende a constatação de que ali não fazia comunicações de medidas sociais que favorecessem seus seguidores, mesmo porque durante seu governo sequer reajustou o salário mínimo. Era uma conversa conservadora, utilizando uma linguagem bem popular, às vezes mesmo chula. Ora, era isso, o fato de ser um presidente que aceitava manter um bate-papo com simples admiradores, tudo sob uma aura evangélica, que mantinha a popularidade de Bolsonaro, a ponto de quase ter conseguido se reeleger.

Não se pode também esquecer o papel das igrejas, congregações que nos seus cultos duas ou três vezes na semana, escolas dominicais e grupos de juventude, que reprisavam e agradeciam nas orações a presença de um ungido na direção do país. Como as religiões postergam para o futuro o bem-estar de seus fiéis destinados ao céu, essa mistura bem  sucedida de uma espécie de política evangélica, era o contraponto tranquilo e abençoado às manifestações sociais pedindo transformações que exigiam rupturas coloridas, feministas, salariais ou climáticas, criando temores e apreensões nas pessoas conservadoras.

Essa situação pouco mudou, durante o retorno de Lula ao governo, pode-se dizer que estão num compasso de espera. Estão marcando passo, à espera do retorno ao poder. As prévias e sondagens eleitorais mostram uma provável derrota do governo na tentativa de conquistar as principais prefeituras do país. Até agora, nenhuma sondagem dá vitória ao candidato da esquerda em São Paulo, sinalizando uma possível vitória do atual prefeito e dos bolsonaristas, enquanto o surgimento do candidato outsider Pablo Marçal mostra existir de forma latente um eleitorado capaz de seguir um candidato de linguagem e gestos extremados.

Essa é uma introdução necessária na busca de uma possibilidade de o governo Lula conseguir furar o bloqueio que lhe fazem a extrema direita e os fundamentalistas evangélicos, repetindo uma situação semelhante nos Estados Unidos. Entretanto, o surgimento, nos EUA, da candidatura de uma mulher negra vinda da emigração poderá quebrar a máquina trumpista e isso, se ocorrer, terá forte repercussão no Brasil. Será igualmente importante uma vitória de Guilherme Boulos em São Paulo. Nada disso ocorrendo, Lula, se quiser ser reeleito, precisará reformular sua política de contato com o povo e reavaliar o uso das redes sociais e da Empresa Brasileira de Comunicação, que gere a TV Brasil.

Estas observações decorrem, em grande parte, de uma entrevista do influencer responsável pelo Portal do José e de seus comentários sobre o papel que ocupa atualmente a TV Brasil e de sua falta de audiência, publicada numa reportagem do jornal Estadão, retomada pelo grupo midiático de direita Antagonista. Como alguns leitores poderão imaginar, estarmos fazendo a apologia das tevês públicas que fazem propaganda de seus governos, é bom ressaltar que isso ocorre só nas ditaduras. Nem se trata de defender a privatização total das tevês, mas de se imaginar como se obter mais audiência na concorrência com tantas redes sociais convertidas em mini-TVs.

A TV Brasil gasta 600 milhões de reais por ano - este ano são 800 milhões - mas não tem audiência e nem metas a alcançar, comenta o influencer, professor e jurista José Fernandes Jr, entrevistado por Pedro Zambarda, do Portal Folha Democrata. A declaração foi a propósito do governo Lula não contar com uma boa base mediática para debater e divulgar as iniciativas do seu governo e seus ministérios.

Na verdade, praticamente só o canal 247 cuida disso, enquanto a oposição a Lula e a extrema direita dispõe de centenas de redes sociais populares, uma grande parte utilizando fake-news. Isso mostra não haver uma contrapartida para se enfrentar o enxame de canais preocupados em manter vivo o bolsonarismo.

E a totalidade desses canais é auto suficiente, mantida por seus criadores ou por pequenos grupos, contando com a monetização paga pelo youtube ou com contribuições de seguidores permitidas nas chamadas comunidades.

Uma das consequências da criação das redes sociais foi a da fragmentação e personificação de lideranças, tanto entre os bolsonaristas e evangélicos como entre as lideranças de esquerda. Embora pareça não haver ainda um estudo sobre a consequência da monetização dos influencers, aqueles que conseguem reunir um grupo importante de seguidores, centenas de milhares, passam a receber uma participação nas publicidades veiculadas com seus vídeos, equivalente a um salário.

Isso lhes permite ter um canal próprio independente, no  qual gozam de ampla liberdade sendo seus próprios editores, ficando ao seu critério pertencer ou não a um grupo de canais com ideias e objetivos semelhantes. Entre os influenciadores de esquerda, uma grande parte prefere se individualizar e guardar sua independência, livrando-se assim de críticas e da obrigação de obedecer a códigos de partidos ou obrigações comuns. Alguns se sentem mais fortes unidos em grupo para ter maior audiência como Opera Mundi, Forum, Meteoro, Metrópoles e MyNews. Outros preferem manter seu ideal de esquerda, sem abrir mão de sua individualidade - é o caso de Bob Fernandes, de Andrea Gonçalves, do controvertido Paulo Ghiraldelli ou do Clayson, para citar só alguns dos mais vistos entre canais de esquerda, para citar apenas alguns entre dezenas e centenas com menor número de seguidores.

Na sua crítica à TV Brasil, o influencer do Portal do José oferece a sugestão ao presidente Lula de frequentar e conceder entrevistas aos principais canais e portais Youtube, com audiência mínima de meio milhão de visualizações, e isso sem nenhum custo. Esse contato direto com youtubers e seguidores permitirá que as ações do governo cheguem ao povo e lhe garantam popularidade com alto nível e sem as baixarias do cercadinho.

A título de comparação, as Tvs francesas France 2 e France 3, assim como as suíças TS1 e TS2, mostram boa audiência e cumprem seu papel informativo sem se tornarem instrumentos de propaganda do governo. Isso valeria uma pesquisa, uma reflexão e uma avaliação pelo governo e parlamentares. (por Rui Martins)

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

"PRECONCEITOS E CINISMO EMERGIRAM VITORIOSOS E SEM VÉUS DESSA ELEIÇÃO"

hebe mattos
E O BRASIL ESCOLHEU!
O crescimento da extrema direita foi a grande surpresa eleitoral do 1º turno, que se confirmou com a vitória do atual presidente eleito, no 2º. Como explicá-lo?

Facebook e WhatsApp assumiram que houve roubo de dados e uso de robôs em suas plataformas no 1º turno das eleições no Brasil. Podem ter amplificado preconceitos que ajudaram a reverter tendências históricas de parte do eleitorado, sobretudo das classes populares. Mas não os inventaram.

Muitos apontam a circulação de notícias falsas em aplicativos e redes sociais como sintoma de nossa entrada na era da pós-verdade, caldo de cultura no qual o chamado novo populismo de direita seria criador e criatura. 

O fenômeno é mais complexo. As redes sociais democratizam as comunicações. As chamadas fake news apenas amplificam preconceitos, antes invisíveis, que passam a ter espaço no debate público.

Se houve suposto impulsionamento ilegal e direcionado dessas mensagens, o problema a se combater, nas redes ou na imprensa tradicional, é o mesmo: monopólio da informação e abuso de poder econômico.

Mais surpreendente, para mim, foi ver quase a totalidade das classes médias brancas e letradas do centro-sul do Brasil abraçar, com entusiasmo, a violência como valor (o gesto de atirar no inimigo, como símbolo).

Desde o surgimento do país como monarquia liberal e escravista, a hipocrisia, entendida como o elogio que o vício presta à virtude, constituiu-se como principal alicerce do nosso preconceito de ter preconceito e do mito da democracia racial entre nós, como nos ensinou Florestan Fernandes.

As transformações socioculturais dos últimos 30 anos parecem ter provocado uma mudança nesse traço essencial da cultura política brasileira, de consequências imprevisíveis.

É sempre importante ouvir a voz das urnas. Mesmo quando o voto do vizinho nos causa horror. Em um país racista, ainda profundamente marcado pela herança escravista nas relações sociais, que sempre autorizou o genocídio cotidiano de jovens pretos e da população LGBT nas periferias, uma parte expressiva do eleitorado das classes privilegiadas assumir o ódio como bandeira política faz sentido, ainda que seja absolutamente assustador.

Preconceito e cinismo emergiram vitoriosos e sem véus dessa eleição. Para superá-los, será preciso encarar feridas abertas, sempre presentes em nossa sociedade, que insistimos em não olhar.

Será arriscado e doloroso, muito se pode avançar no autoritarismo dentro da ordem democrática, mas precisamos acreditar que a sociedade brasileira e os valores fundamentais da República de 1988 sejam capazes de resistir e dar conta da tarefa.
                      (por Hebe Mattos, escritora e
professora universitária)

terça-feira, 11 de julho de 2017

OS 40 ANOS DA IGREJA UNIVERSAL E OS 10 ANOS DA AVALANCHE DE PROCESSOS PARA INTIMIDAR UMA JORNALISTA EXEMPLAR - 3

(continuação, para acessar os posts anteriores clique aqui e aqui)
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PLANO DA IGREJA UNIVERSAL GERA
 DISPUTA JUDICIAL COM EX-BISPOS
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Por Elvira Lobato
A estratégia da Igreja Universal do Reino de Deus de colocar empresas em nome de religiosos já resultou em duas disputas judiciais com ex-bispos: uma em Santa Catarina e outra no Rio de Janeiro.

O ex-bispo Marcelo Nascente Pires acusa Edir Macedo de fraudar uma procuração para lhe tirar as ações das TVs Itajaí e Xanxerê, ambas de Santa Catarina. As emissoras fazem parte da Rede Record.

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) foi condenado pela Justiça do Rio a pagar R$ 1,5 milhão ao ex-bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição, referente a ações da TV Cabrália, de Itabuna (BA). Os dois foram sócios na emissora. Ele rompeu com a igreja e cobrou o pagamento das ações. Crivella tem 15 dias, a contar da última quinta, para pagar a dívida.

Pires – O ex-bispo Marcelo Pires também era do grupo de confiança de Edir Macedo. Além das duas emissoras de TV, foi acionista da Colonial Administração de Imóveis (imobiliária), Unimetro Empreendimentos (loteamento e incorporação de imóveis), Fênix Comunicações e Line Records. Ainda é acionista desta última.
Como os demais bispos, Pires comprou as ações financiado por empréstimos da Iurd. No caso dele, o financiamento foi pela Cremo Empreendimentos (SP), também registrada em nome de bispos. De um lado, ele devia à igreja, e do outro, assinou procurações, com datas em branco, autorizando a venda das empresas – uma delas era para Macedo.

Na estratégia da Iurd, segundo ex-acionistas, quando as empresas passam de um bispo para outro, a venda é feita pelo valor da dívida, e o comprador herda o empréstimo. Ao romper com a igreja, o acerto entre a Iurd e Pires ruiu.

A Cremo Empreendimentos entrou com ação contra ele na Justiça de São Paulo, em outubro de 2001, cobrando o pagamento dos empréstimos que ele assinara. O valor cobrado é de R$ 1,7 milhão.

O ex-bispo, por seu turno, alegou que a procuração que havia dado a Macedo, em setembro de 1996, teria sido fraudada, porque dava poderes para vender uma empresa, e foram vendidas três: as duas TVs e a Rede Fênix de Comunicação.
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Ato falho – Um ato falho dos advogados revelou que a Iurd está por trás da Cremo. Em fevereiro deste ano, a advogada Tatiana Tiburcio, da igreja, anexou um documento ao processo judicial, em São Paulo, onde a autora é a Iurd e não a Cremo.

Em janeiro de 2002, as cotas da TV Itajaí foram transferidas para o bispo Honorilton Gonçalves, vice-presidente da TV Record. O processo da TV Xanxerê se arrastou até novembro de 2002, quando as ações foram também transferidas a Gonçalves, por R$ 91 mil.

Pouco antes de a venda ter sido registrada na Junta Comercial, Pires ofereceu as ações da TV Xanxerê à penhora para pagamento da dívida cobrada pela Cremo. A Junta Comercial de Santa Catarina, em junho deste ano, suspendeu a transferência das ações, até que haja uma decisão final da Justiça sobre o caso. Até lá, o ex-bispo volta a ser sócio da emissora.
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LIVRO SOBRE BISPO AVALIA
REDE RECORD EM US$ 2 BILHÕES
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Políticos beijando a mão do Edir Macedo na inauguração de um templo faraônico
No livro O Bispo - A História Revelada de Edir Macedo – biografia autorizada do fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, recentemente publicada pela editora Larousse – a Rede Record é avaliada em US$ 2 bilhões.

A igreja não quis dar declaração ou informação sobre seu vínculo com as emissoras de TV da Rede Record, as emissoras de rádio e as empresas registradas em nome de bispos ou outros membros da instituição.

A Folha encaminhou dois e-mails com detalhes sobre o conteúdo da reportagem, além de pedidos de entrevista feitos por telefone. A resposta, via assessoria de imprensa, foi de que não se manifestaria sobre nenhum dos temas abordados.

No livro biográfico de Macedo, escrito pelo diretor de jornalismo da Rede Record, Douglas Tavolaro, e por Christina Lemos, repórter especial do Jornal da Record, ele é indagado sobre quantos bens possui em seu nome, e responde: "Sou proprietário da Record e da Rádio Copacabana, do Rio de Janeiro. Além disso, tomei empréstimo bancário há pouco tempo para a compra de um apartamento nos Estados Unidos, e pretendo saldá-lo com os direitos autorais das vendas de meus 34 livros. Mas o empréstimo é para pagar em 30 anos."

Ao se declarar proprietário da Record, deixa implícito que é o dono de todas as emissoras da rede, ao passo que, oficialmente, muitas estão em nome de outros membros da igreja. Afirmou ainda que nunca recebeu dividendos da Record, e que todo o lucro é reinvestido no crescimento da rede.

No livro, ele responde à acusação de que a Universal injeta dinheiro na emissora. Diz que a igreja é só cliente da Record, e aluga espaços na programação. "A igreja paga pelo aluguel da madrugada, horário, aliás, que a Globo e o SBT não querem alugar (...) A Record está crescendo com as próprias pernas."

Riquezas – À pergunta sobre se está rico, não mensurou seu patrimônio em cifras. "Rico? Muito. Talvez seja o homem mais rico do mundo. Sou milionário. Tenho uma família maravilhosa. Faço o que gosto, falo de Jesus. Tenho liberdade. Não vivo à base de tranquilizantes. Sou uma pessoa livre. Quer riquezas maiores do que essas?"

Indagado sobre o que é feito com o dinheiro que entra na igreja, respondeu que é usado para pagamento das despesas com manutenção dos templos, programação de rádio e televisão feita por pastores, folha de pagamento de funcionários, aluguéis, ajuda de custo dos pastores, construção de igrejas e "mais um batalhão de compromissos".

A publicação comenta também os inquéritos e processos contra Edir Macedo. Desde 1990, foram 21 processos e inquéritos criminais, de curandeirismo a sonegação de impostos. Do total, segundo os autores do livro, cinco prescrevem e 15 foram arquivados por falta de provas.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

OS 40 ANOS DA IGREJA UNIVERSAL E OS 10 ANOS DA AVALANCHE DE PROCESSOS PARA INTIMIDAR UMA JORNALISTA EXEMPLAR - 2

(continuação, para acessar o post anterior clique aqui)
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IGREJA CONTROLA MAIOR PARTE DE TVs DO PAÍS
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Por Elvira Lobato
A Igreja Universal do Reino de Deus é a maior proprietária de concessões de televisão do país. São 23 emissoras de TV, além de 40 emissoras de rádio registradas em nome de um grupo de pastores, escolhidos entre os de maior confiança de Edir Macedo. A igreja ainda arrenda 36 rádios, que integram a Rede Aleluia.

Nos últimos cinco anos, as principais emissoras de televisão da Record passaram de outros bispos para Edir Macedo. Levantamento exclusivo feito pela Folha em cartórios, juntas comerciais e no cadastro de radiodifusão da Agência Nacional de Telecomunicações mostra que ele se tornou dono de 99% das ações da TV Capital, geradora da Rede Record em Brasília; de 50% da TV Sociedade, de Belo Horizonte, de 48% da TV Record do Rio e de 30% da Record de São José do Rio Preto (SP).

O movimento se deu após a regulamentação da emenda constitucional 222, que autorizou a participação de pessoas jurídicas como acionistas de rádio e televisão. Antes, só pessoas físicas – brasileiros natos ou naturalizados há mais de 10 anos – podiam ter empresas de radiodifusão.

Até a mudança constitucional, Macedo e a mulher, Ester Bezerra, eram proprietários, oficialmente, apenas de duas emissoras de televisão – a Rádio e Televisão Record S.A, que tem a concessão em São Paulo, e a Record de São José do Rio Preto-, além da Rádio Copacabana, no Rio, sua primeira investida na mídia.
A Rádio e Televisão Record S.A (da qual Macedo tem 90% das ações e sua mulher, Ester Bezerra, 10%) comprou as ações de outros bispos.

O movimento reforça as suspeitas de empresários do setor de que Macedo seja o verdadeiro dono de toda a rede Record, o que faria dele um bilionário. O valor atual estimado da Rede Record é de R$ 2 bilhões.

Macedo comprou a Record de Silvio Santos e da família Machado de Carvalho, por US$ 45 milhões, em 1989, o que significa um crescimento patrimonial do grupo de 4.344% desde então..

Bispos – O bispo Marcelo da Silva, presidente da TV Record do Rio, é acionista de sete rádios e de três televisões (TV Record de Bauru, TV Independência Sudoeste, no Paraná e TV Record de Campos, no Norte Fluminense).

Sidnei Marques, de Belo Horizonte, é acionista de seis rádios e das televisões de Belém (TV Marajoara), Brasília e da Rede Mulher. O bispo escolhido por Edir Macedo para sucedê-lo, Romualdo Panceiro, é acionista da Rede Família, da Record News, da Record de Campos (Norte Fluminense) e de uma rádio na Bahia.

O deputado federal e bispo licenciado Antônio Carlos Bulhões (PMDB-SP), é acionista de seis rádios e da Rede Mulher (atual Record News).

A legislação em vigor não permite que igrejas explorem diretamente, o serviço de radiodifusão. A Igreja Católica tem a maioria de suas emissoras (12 TVs e 215 rádios) em nome de fundações.

A Iurd ultrapassou as Organizações Globo em número de concessões próprias de televisão, mas a Record disputa com o SBT o segundo lugar faturamento publicitário.

A família Marinho chegou a ter participação relevante ou controle de 32 emissoras (fora as afiliadas), mas vendeu a maior parte para pagar as dívidas da Globopar, em 2002.

Hoje, a Globo tem cinco concessões de TV (São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte e Brasília) e filhos e netos de Roberto Marinho têm 10% do capital de 18 afiliadas. Os grupos Bandeirantes e SBT têm 10 concessões de TV, cada um.
Há pelo menos 10 anos, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigam a origem dos recursos usados por Macedo na compra da Record. O último inquérito, com este propósito, foi aberto em outubro, pela PF, em São Paulo. Em 2002, Edir Macedo declarou rendimento anual de apenas R$ 8.289,60, segundo cópia de documento na Justiça.

Em entrevista à Folha, em outubro, Macedo disse que a Iurd é apenas cliente da Record, mas esquivou-se de dizer quanto ela repassa à emissora como aluguel de espaço na madrugada, e sobre como ele comprou a Record.

Há uma ação no Tribunal Regional Federal de São Paulo, proposta pelo Ministério Público Federal, que aponta indícios de que o dinheiro da compra das TVs Record de São Paulo, Franca e São José do Rio Preto saiu de doações de fiéis. A anulação das concessões foi negado na primeira instância.
Uma outra ação, proposta pelo ex-deputado Afanázio Jazadji, apura o suposto uso de bispos como laranjas da igreja na compra de emissoras. Ela foi recentemente desmembrada para vários Estados, pelo Supremo Tribunal Federal.

O STF arquivou, em 2006, o inquérito contra o senador Marcelo Crivella e outros membros da igreja que investigou, por sete anos, o ingresso de US$ 18 milhões, via Uruguai, para compra da TV Record do Rio e de rádios. O dinheiro teria sido enviado por duas empresas da Iurd, baseadas em paraísos fiscais.
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