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sábado, 14 de março de 2015

DOMINGO DE PROTESTOS PODERÁ DEIXAR O GOVERNO MAIS FRAGILIZADO AINDA

A página eletrônica vemprarua, criada a partir das jornadas de protesto de 2013 contra a majoração do transporte coletivo em Sampa, apresenta-se como um "projeto apartidário" que "surgiu da ideia em reunir em um site informações sobre as diversas manifestações [de protesto] agendadas no Brasil".. 

Não sei dizer se é isto ou mais do que isto, pois vai além da função informativa, posicionando-se, em editorial, ao lado dos "movimentos que querem libertar o povo brasileiro deste modelo falido de governo". De qualquer forma, parece cumprir honestamente o papel de agenda, daí eu ter nele pinçado um quadro interessante do que poderá ocorrer neste domingo, 15.

Segundo a relação do vemprarua, as manifestações estão: 
  • confirmadas em 35 cidades brasileiras, sendo a metade capitais (Aracaju, Belém, Belô, Brasília, Curitiba, Floripa, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Natal, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Luiz, São Paulo, Teresina e Vitória);
  • confirmadas em 9 cidades estrangeiras, quais sejam Bruxelas, Lisboa, Londres, Miami, Nova York, Orlando (claro!), Santa Cruz de la Sierra (claro!), São Francisco e Sidney;
  • previstas, mas não confirmadas, em 198 cidades brasileiras, incluindo Campinas (onde a partida de futebol marcada para as 16 horas foi mantida para não deixar a TV Globo sem sua atração dominical, e que se dane o povo se ocorrerem distúrbios!), Curitiba, Rio de Janeiro e, até, as três cidades do ABC paulista, berço do PT.
Os protestos do contra tendem a ser mais impactantes...
O governo que coloque as barbas de molho. Não será só um desabafo histérico dos coxinhas e dos sem-fome, como sua rede de blogueiros amestrados tenta fazer crer. Pode mesmo acontecer algo impactante, que seria a senha para os ratos abandonarem de vez o navio, colocando o Titanic em rota acelerada de colisão com o iceberg.

Eu insisto: passou da hora de os dirigentes petistas admitirem que grassa muito descontentamento entre os brasileiros e que alguma forma de compartilhamento do poder deve ser tentada, caso o partido não queira perdê-lo por inteiro.

Até porque, durante a recessão que tende a se agravar cada vez mais ao longo (pelo menos) deste ano, o PT não estaria dividindo louros, mas sim responsabilidades. Custa tanto assim convidarem outras forças para servirem de vidraça junto com eles? 

Das opções que se ainda se oferecem ao PT, a pior de todas é deixar tudo como está pra ver como é que fica; a agonia lenta, mesmo que não desemboque num golpe de estado, imporá sacrifícios inimagináveis e insuportáveis aos brasileiros.

Convidar notáveis com credibilidade e independência política para a formação de um gabinete de crise, expelindo no ato os muitos inúteis que apenas representam seus partidos no Ministério, é algo a ser tentado, até porque a governabilidade que o PT pretendia adquirir mediante o loteamento de cargos é uma mercadoria que não lhe está sendo entregue.
...do que as inoportunas manifestações a favor.

O governo de união nacional pelo menos aliviaria as pressões que ora convergem todas sobre o governo. Não acredito que seja uma solução duradoura, mas ganhar tempo é preciso. E os FHCs da vida, digam o que estejam dizendo por enquanto, não poderão se furtar a um chamamento para ajudarem a salvar o País num quadro dramático como o atual. Acabarão tendo de participar, ainda que a contragosto. 

Se estas duas opções não vingarem, restará a renúncia de Dilma e Michel Temer, forçando a convocação de novas eleições presidenciais. Não chega a ser nenhuma catástrofe, até porque o Lula começaria a corrida eleitoral como favorito.

A partir daí, sobrarão apenas a hipótese ruim (impeachment, que, se não surgirem motivos legais suficientes para justificá-lo, equivaleria a um golpe branco) e a hipótese péssima (golpe de estado, tanques nas ruas).

Se não for desmontada a armadilha da tempestade perfeita --gravíssimas crises econômica, política e moral interagindo e se realimentando mutuamente--, não duvidem, dificilmente Dilma conseguirá atravessar em agonia lenta os 49 meses e meio de mandato que lhe restam. É tempo demais.

Então, o governo tem de começar a agir. As opções ruim e péssima pendem, como lâminas de guilhotina, sobre a cabeça dos brasileiros.

terça-feira, 10 de março de 2015

SE DEPENDER DE DILMA E DOS GRÃOS TUCANOS, A AGONIA LENTA CONTINUARÁ. O POVO QUE SE DANE!

A presidenta Dilma Rousseff alterna períodos de mutismo com os de boquirrotismo. Alguém deveria aconselhá-la a restringir-se às falas protocolares, pois, por culpa própria ou dos assessores, sua comunicação tem sido desastrosa. Faz lembrar a frase do Romário sobre o Pelé: "Calado, ele é um poeta". 

Foi patético a Dilma botar lenha na fogueira em que a querem queimar, ao colocar ela própria em discussão o seu impedimento. Agora, quem ainda sentia um certo constrangimento em falar sobre esta possibilidade, não terá mais nenhum. Liberou geral. 

Pior ainda é ela o ter feito com panfletarismos como o de que o impeachment equivaleria a um terceiro turno da última eleição presidencial, ou inverdades como a de que seria uma ruptura da ordem democrática. 

Quanto à tirada demagógica, pode-se argumentar que se trataria, isto sim, de uma reação ao estelionato eleitoral cometido no 2º turno. Boa parte dos que votaram conscientemente em Dilma queriam evitar o pacote econômico neoliberal que a candidata jurava estar nas intenções de Aécio Neves, mas nunca nas suas. Conseguiria o saco de maldades do tucano ser tão desequilibrado como o do Joaquim Levy, em termos de sacrificar os explorados e aliviar para os exploradores e os herdeiros de grandes fortunas? 

E impeachment jamais representou ruptura da ordem democrática coisíssima nenhuma! Trata-se de uma hipótese contemplada na Constituição, cujo papel é exatamente o de prevenir as rupturas da ordem democrática (rebeliões e golpes de estado), dando aos governados uma possibilidade de, sem recurso à violência, ficarem livres de governantes que tenham incidido em práticas inaceitáveis . 

Cabe ao Congresso decidir se há ou não razões suficientes para o impedimento. Collor foi expelido e a ordem democrática nada sofreu.

O MAQUIAVELISMO DOS TUCANOS DE MAU AGOURO

Dilma peca pelo primarismo e os tucanos, pelo maquiavelismo. Lideranças importantes como o ex-presidente FHC e o senador Aloysio Nunes se manifestam contrários ao impeachment por um motivo torpe: preferem deixar Dilma sangrando até o fim do seu mandato, para que a Presidência não passe às mãos do seu vice, Michel Temer.

A agonia lenta, na minha opinião, é o pior de todos os cenários. Governo fraco num período de recessão brava e desmoralização do sistema político é um convite, precisamente, à ruptura da ordem democrática. Enseja múltiplas oportunidades para os chamados pescadores em águas turvas.  

agonia lenta aumentará em muito as chances de um candidato do PSDB derrotar Lula na eleição de 2018, daí os tucanos de mau agouro estarem favorecendo o sangramento de Dilma.

O preço que o povo brasileiro pagará, no entanto, vai ser terrível. Pessoas morrem como moscas nas recessões de países pobres como o nosso. 

E o risco de o tiro sair pela culatra, enorme: quem garante que agonizante não acabará ficando a nossa democracia?

Até agora, têm sido apontadas quatro linhas de ação civilizadas para sairmos da insustentável situação atual:
  1. impeachment de Dilma;
  2. renúncia de Dilma;
  3. articulação de um governo de união nacional;
  4. montagem de um gabinete de crise.
Qualquer uma é preferível à agonia lenta.
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