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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O VENCEDOR DA ELEIÇÃO DO GRANDE DESENCANTO: NINGUÉM.

O tucano João Doria foi o primeiro candidato a prefeito da cidade de São Paulo a liquidar a fatura no 1º turno, desde que as eleições brasileiras passaram a ter dois turnos, em 1992.

Mas, com seus 3.085.187 votos, Doria perdeu para Ninguém: a soma dos votos em branco, nulos e das abstenções totalizou 3.096.304 eleitores que não se sentiram suficientemente motivados a ponto de votarem em qualquer dos candidatos.

Adiante poderemos quantificar com mais precisão o desencanto do eleitorado com as opções políticas que lhe são oferecidas, mas já se sabe que aumentou significativamente desde as últimas eleições municipais. E nem poderia ser de outra maneira, depois de a presidente da República ter conduzido o país a uma recessão terrível e haver sofrido impeachment.

Quanto ao grande perdedor, não há nenhuma dúvida: foi o Partido dos Trabalhadores, com desempenho pífio nas capitais e cidades mais importantes.

Talvez o caso de São Paulo seja o mais significativo para entendermos o porquê da queda do PT.

Estava no poder com Fernando Haddad, um professor universitário que, sem recursos suficientes para investir em grandes projetos, apostou suas fichas em pequenas mudanças baratas, na linha do politicamente correto
Pedalou, pedalou, pedalou... e não chegou a lugar nenhum.
  • desestimular o uso do carro próprio, mediante uma redução exagerada do limite de velocidade nas ruas e avenidas, além de exageradíssima nas marginais, vendendo a medida como uma solução para reduzir as mortes no trânsito (só que as estatísticas utilizadas para tentar convencer os motoristas não foram exatamente confiáveis e fizeram a cabeça de pouquíssimos deles);
  • estimular, em contrapartida, o uso de bicicletas, mas isto numa cidade em que elas não se prestam para o percurso diário da casa para o emprego e vice-versa (o trânsito é pesado, as distâncias longas e a topografia inadequada) e mediante a criação, tão apressada quanto irresponsável, de ciclovias as mais precárias, nas quais pedestres acabaram sendo amiúde atropelados.
Adorado em alguns bairros de classe média sofisticada, Haddad se tornou o mais rejeitado dos prefeituráveis: à véspera do pleito, 41% dos entrevistados pelo Ibope afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum.

Mesmo com Lula entrando em sua propaganda gratuita na reta final para tentar salvá-lo, Haddad, com seus 16,7% dos votos válidos, ficou abaixo do desempenho habitual dos candidatos petistas. Foi o eleitorado do partido que encolheu como consequência dos desastres recentes ou Haddad que não conseguiu empolgar parte dele? É outra dúvida que só poderemos dirimir adiante.
Esquerda terá agora de encarar a crise global...
O certo é que motoristas não trafegam na máxima velocidade permitida por quererem imitar personagens dos filmecos de Hollywood, mas sim por causa das dificuldades que enfrentam na luta pela sobrevivência. 

Não será fazendo as marginais voltarem ao tempo das diligências que se livrará o planeta do efeito-estufa, mas sim erradicando de vez o veículo individual. Quando as catástrofes provocadas pelas alterações climáticas nos golpearem para valer, dentro de algumas décadas (talvez bem poucas!), aí começarão a ser tomadas medidas realmente capazes de deter a marcha da insensatez.

Mas, com a enorme população atual da Terra e com alguns recursos naturais se esgotando rapidamente, será apenas a supressão dos automóveis que salvará a espécie humana? Penso que não. 

Para começar, nas cidades com maior extensão territorial as bicicletas não dariam conta de todas as funções preenchidas pelos carros. Seria, portanto, necessária uma verdadeira revolução no transporte coletivo (que atualmente, em São Paulo, já nem deve ser comparado a sardinha em lata, está mais para navio negreiro...).

Talvez seja solução melhor, computadas todas as vantagens e desvantagens, a recolocação das pessoas nas proximidades dos seus locais de trabalho, como acontecia no início da industrialização com as vilas operárias. 
...e as catástrofes ambientais.

Mas, e a crise econômica permanente do capitalismo, que não nos dá mais trégua (ao contrário dos séculos passados, quando as crises eram cíclicas, alternando-se com períodos de prosperidade), apenas saltando de país para país, numa ciranda infernal?! Quanto tempo levará até o xeque-mate, quando desabaremos numa depressão que fará a da década de 1930 parecer brincadeira de criança?

E a dificuldade cada vez maior para assegurarmos recursos indispensáveis à vida humana, começando pela água potável?

Enfim, a derrocada de Haddad é emblemática da do PT como um todo. Convém para o partido atribuir suas desgraças à perseguição que lhe estaria sendo movida pelo Judiciário, mas muito mais relevante é o fato de que o capitalismo começa a vazar por todos os lados, aproximando-se da hora da verdade, quando se decidirá quem vai morrer e quem vai sobreviver: ele ou nós?

A aposta do PT era diminuir a pobreza destinando aos coitadezas algumas migalhinhas a mais dos banquetes dos ricaços, fazer pequenos retoques na maquilagem do capitalismo, introduzir paliativos espertinhos como as ciclovias e a velocidade reduzida do Haddad. 

Não funciona mais. Daí o partido ter perdido até as calças no cassino eleitoral deste domingo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

OS PREFEITOS DE SAMPA E SEUS FACTOIDES: O HOMEM DA VASSOURA INSPIROU O MALUQUINHO DA BIKE.

O que o prefeito paulistano Fernando Haddad faz é mais velho do que andar para a frente: como não tem recursos para grandes obras, conquista espaço na imprensa por meio de factoides.

O Jânio Quadros é seu mestre inconfessado. O homem da vassoura se tornava grande atração para a mídia só por descobrir uns arcos antigos e mandar restaurá-los, ou por desinfetar na frente dos repórteres a poltrona na qual um pavão afobado sentou com suas "nádegas indevidas".

Haddad virou herói ambiental por pintar faixas para ciclistas no chão (tinta sai barata) e por reduzir a velocidade de veículos nas vias públicas sem quê nem pra quê, colocando a matreirice na frente das necessidades da população e da sanidade mental dos motoristas que arrancam os cabelos no trânsito emperrado da metrópole.

Nada contra as ciclovias, tudo contra a reserva de espaço vigorar também nos dias úteis, quando vários minutos transcorrem sem que um único ciclista as utilize. Deveriam ser limitadas aos sábados, domingos e feriados.

Nada contra implantar a melhor velocidade para qualquer via, tudo contra agir por mera demagogia, fazendo veículos (ônibus, ambulâncias e bombeiros inclusos) se arrastarem inutilmente só porque o homem novo precisava aparecer.

Já o último coelho tirado da cartola, proibir os motoristas de táxi  de conversarem com seus passageiros sobre futebol, política e religião durante o trajeto, faz lembrar um dos mais ridículos factoides do Jânio, quando ele obrigou os taxistas a mudarem a cor de seus veículos. Virou até modinha de carnaval: "Não pinto meu táxi de amarelo/ Não sou tatu, não sou tatu, meu velho/ Não pinto meu carro de amarelo/ E chega de lero-lero".

Além de ser uma medida de operacionalização quase impossível e cuja inconstitucionalidade é gritante, pois violenta a liberdade de expressão.

Mas dar ensejo a falatórios, isso lá o Haddad está conseguindo, mais uma vez. Não é o que importa? 

E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher...

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O MAQUIAVÉLICO FERNANDO HADDAD E SUAS IMPOSIÇÕES DITATORIAIS

MAQUIAVEL MORA EM SÃO PAULO
Por Apollo Natali
Por que motivo reis e governantes sempre têm de ser cruéis e capricham nos maus tratos ao povo? Sim, por quê?

Um italiano do século 16, pouco depois de o Brasil ser descoberto (isto para melhor nos localizarmos no tempo), soprava maldades nos ouvidos dos príncipes de então, donos das cidades-Estado daquela época.

Trata-se do mundialmente influente Nicolau Maquiavel, ainda hoje venerado por boa parcela de dirigentes da humanidade. Numa espécie de hipnose coletiva, o mestre italiano de governos diabólicos convence até hoje líderes de nações de todo o mundo de que a melhor maneira de se governar é manter o povo debaixo de botas.

Hipnotizados em massa pelas maldades maquiavélicas estão submetidos mesmo os governantes de modernos países democráticos. Tal e qual se apresenta Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, metrópole entre as maiores do mundo, e desde antanhos a Wall Street da economia brasileira. Se não, vejamos.

A principal maldade do exercício do poder maquiavélico de Haddad é espalhar o pânico na vida e na economia de 12 milhões de paulistanos e de outros milhões de motoristas que, vindos de outros rincões, se atrevem a cruzar a fronteira da cidade e sacolejar pelos asfaltos esburacados de suas poluídas ruas e avenidas.

O pânico consiste em perpetrar um assalto –leia-se montanhas de multas– àqueles flagrados fotograficamente invadindo suas ciclovias improvisadas, de pisos desperdiçadamente perecíveis, implantadas a toque de caixa em vias mesmo onde não se vê bicicletas em tempo algum. Pânico principalmente em assaltar aqueles invasores de suas discutíveis faixas exclusivas para ônibus em vias super-estreitas que não comportam nem ciclovia nem faixa.

O mais estripador dos pânicos é a imposição ditatorial de Haddad, sem aprovação do povo, em fixar em 50 quilômetros por hora a velocidade máxima em toda a cidade. Quem passa a 51 quilômetros por hora diante das centenas de big brothers palacianos semeados a mãos cheias, leia-se "radares", tanto os que estão à vista como aqueles camuflados, vai gastar em multa o pão e o leite para as crianças. Haddad faz votos candentes para o sucesso desse seu moto contínuo de produzir dinheiro
Haddad: começou mal e conseguiu piorar.

Quando o limite era 60 por hora, fui multado a 61 quilômetros por hora. Tenho comprovante. As donas de casa desta cidade jamais vão esquecer esse nome, Fernando Haddad, que com seus 50 quilômetros por hora esgana a economia da metrópole, estrangula a movimentação das suas  riquezas e algema seus cidadãos.

Nova Iorque é uma ilha, que andem a 20 por hora. São Paulo é um continente aberto, que se solte. A 60 quilômetros por hora era o paraíso. Prudência, caldo de galinha e conscientização permanente de motoristas e pedestres, eis a fórmula mágica que evita acidentes. Nada de procedimentos maquiavélicos para encher o bolso.

Em meio a esse mundo de espetáculo, ridículo espetáculo, a dor sem remédio dos paulistanos é saber que configuram uma estupenda fonte de arrecadação as miríades multas de trânsito que pairam no horizonte, mediante a atual parafernália de colheita de dinheiro, com cara de extorsão, ao modo de Haddad.

Cada miríade são 10 mil multas, vejam no dicionário. Que se dane o cidadão e sua opinião democrática quanto a aprovação ou não das ações populistas e demagógicas que Haddad toma desde quando assumiu o poder, no início de 2013! Que se arrebentem a dignidade e as liberdades democráticas do respeitável e laborioso povo paulistano!

Sou paulistano do Bixiga. Tenho 80 anos. Meus pés cavaram valetas nas ruas de tanto transitar pela cidade, desde criança. Tenho o direito de chorar ao ver nosso povo tão maltratado a cada governo.

Mais maldade: merece virar outdoors espalhados em todas as ruas de São Paulo, de agora até as próximas eleições, o maquiavelismo e desumanidade de Haddad ao suspender a distribuição de leite para 200 mil crianças sem creche e usar esse dinheiro em rios de tinta nas suas inúteis ciclovias.

Tomara seja essa a pá de cal na sepultura política que o prefeito cava para ele mesmo, porque as mães dos pixotinhos e pixotinhas que perderam o leite, seus papais, tios, tias, vovós, vovôs, primos, amigos, vizinhos, eu, certamente, vamos execrar esse nome diante das urnas. Imperdoável o pecado social  de Haddad, essa sua indiferença pela saúde dos 200 mil filhotes paulistanos sem creche. Em troca de popularidade política.

Cortem para mim. Pensem agora no seguinte, no maquiavelismo de Haddad em conluio com o governador Geraldo Alckmin.

Já disse isso em outro texto e repito. Embora sejam as indústrias junto com a pecuária e a agricultura as responsáveis por 94% do consumo de água, e isso no mundo inteiro, Alckmin, conhecido por sua ideologia igualmente maquiavélica, voltou-se contra os fracos, isto é, ameaçou com multas pesadas os lares que usam água minimamente para lavar roupa, louça, tomar banho.

Já no quarto mandato sem nunca ter se preocupado com o antigo prenúncio da crise hídrica em São Paulo, Alckmin fez o mais maquiavélico disponível, isto é, criminalizou o consumo de água domiciliar como se fosse maconha.

Alckmin e Haddad tramaram desde o inicio do agravamento da crise decidindo por multas e ameaças contra quem se excedesse no consumo. A parte maquiavélica de Haddad no acordo é cumprida com a autoria do projeto 529/2014, aprovado então em primeira votação pela câmara. O projeto prevê multa de mil reais para quem usar água  para lavar calçada ou carro.

Não se turbem os vossos corações, cidadãos paulistanos, nem os que cruzam a fronteira diariamente cidade a dentro, porque democracia moderna é assim mesmo, é democracia ditatorial, em que os representantes do povo no governo substituem hoje os antigos reis e príncipes absolutistas, fazendo o que bem entendem com o dinheiro, a dignidade, a liberdade, a inteligência, a crença, a saúde, o estômago, o bolso do povo.

Não mais conduzindo, e sim sendo conduzidos, os paulistanos vêm sofrendo amargamente nos últimos tempos sob o governo de prefeitos maquiavélicos. Conscientizem-se todos eles, hoje e sempre, de que nenhum merece a confiança de receber poder ilimitado sobre qualquer cidadão. A turbulenta e trabalhadora São Paulo,  submissa há muito tempo, está a merecer um prefeito que não tenha a cara de carrasco do povo.

Comentário do blogueiro: o Apollo, velho guerreiro, é um dos melhores amigos que conheci no jornalismo. E tem carradas de razão ao detonar Fernando Haddad, o poste que Lula conseguiu impingir aos paulistanos. 
Trata-se de um ex-trotskista que se projetou na torre de marfim acadêmica, foi um trapalhão quando ministro da Educação e agora, como burgomestre, descamba para a mais delirante e exacerbada demagogia politicamente correta. 
Poderia, sim, reduzir o limite de velocidade e implantar ciclovias, desde que tecnicamente embasado. Mas, são ações voluntaristas e altamente inoportunas, que o deixam bem com sua patota chique e mal com a grande maioria dos cidadãos. 
Tornam um inferno o trânsito de São Paulo, com automóveis, caminhões e ônibus se arrastando pelas vias congestionadas e seus estressados motoristas vendo ao lado, livres, as faixas que os ciclistas não usam nos dias úteis e ninguém mais pode utilizar. (Celso Lungaretti)
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