Mostrando postagens com marcador Xuxa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Xuxa. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de dezembro de 2013

WALTER HUGO KHOURI, PARA ALÉM DO ESCÂNDALO DA PEDOFILIA

Os jovens talvez só tenham ouvido falar de Walter Hugo Khouri como o diretor de um filme polêmico (Amor estranho amor, de 1982) no qual Xuxa, antes de virar a rainha dos baixinhos, fez o papel de sedutora de um menor -e, com a mesma hipocrisia dos defensores da censura de biografias, adiante moveu céus e terras para impedir que continuasse sendo exibido em cinemas e comercializado em VHS, pois não condizia com a imagem que a TV dela fabricou.

Mas, claro, ele era muito mais do que isto. Ao longo de 25 filmes que dirigiu entre 1953 e 1998, sempre com roteiro próprio, Khouri se afirmou como uma espécie de Ingmar Bergman brasileiro, com quem coincidia em suas preocupações um tanto obsessivas sobre a incompreensão e incomunicabilidade entre os seres humanos (outra de suas influências: Michelangelo Antonioni). Complementarmente, era conhecido como o cineasta brasileiro que dava tratamento mais sofisticado às cenas nu e de sexo. 

Considero Noite vazia -que vocês podem ver, completo, na janelinha abaixo- sua obra-prima. Mas, choca um pouco verificarmos que, no sinistro ano de 1964, as preocupações de Khouri estavam tão distantes das aflições dos melhores brasileiros. Enfim, seu mundo era outro, para o bem e para o mal. 

Só me lembro de um filme em que ele se sintoniza um tiquinho com as sementes da revolta: O último êxtase (1973), no qual um jovem idealista e puro perde sua namorada para um quarentão montado na grana. Foi seu afago aos hippies e mochileiros. 

Noite vazia tem exatamente a duração de uma noite, em que dois amigos de classe média (Mário Benvenutti e Gabriele Tinti) saem em busca de um programa e acabam tendo de se contentar com prostitutas da boca do luxo (Odete Lara e Norma Bengell).

Um trata a parceira como coisa, vive uma noitada degradante e dela sai tão podre quanto entrou. O outro descobre na parceira um ser humano, percebe o vazio no qual estava atolado e sai aparentemente redimido.

Khouri repetiria a crítica à bestialização de homens que procuram no sexo, obsessivamente, uma afirmação de poder, em O prisioneiro do sexo (1978). Eu, que nunca apreciara suas pretensões bergmanianas, considerei bom este filme nu e cru, feito numa época de vacas magras, na qual precisava provar aos produtores que ainda era capaz de fazer dinheiro...

Os críticos mais conhecidos, pelo contrário, preferiam suas obras mais pernósticas; caíram de pau no prisioneiro. Então, minha crítica no humilde jornal  Fim de semana foi o que de melhor lhe restou para colocar em cartazes promocionais, ao lançar o prisioneiro no RJ. 

Ligou-me para pedir autorização e, conversa vai, conversa vem, acabei tendo acesso privilegiado às filmagens e publicando vários textos sobre ele e as atrizes do seu filme de 1980, Convite ao prazer. De quebra, ele me contratou para escrever o texto do folheto.

Não deu liga. Ele queria que sua obra fosse abordada de forma pretensiosa e elitista, na eterna luta que travava para ser reconhecido pelos críticos como grande cineasta, imbuído de preocupações existenciais profundas, e não apenas como um bom despidor de corpos femininos; enquanto eu sempre busco a inteligibilidade e a clareza, escrevendo para o homem comum e não para os intelectuais.  Nossos caminhos se distanciaram.

O que não me impede de considerar Noite vazia um dos dez melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

sábado, 15 de janeiro de 2011

SONHOS E DECEPÇÕES

A desconhecida modelo gaúcha Xuxa Meneghel acreditou ter tirado a sorte grande em 1982,  quando foi convidada pelo consagrado cineasta Walter Hugo Khouri para interpretar um papel secundário, mas marcante, no filme Amor, Estranho Amor.

O produtor do filme me contou que, aos 19 anos, ela era bem desinibida, não se vexando em ser vista nua. Aliás, em dezembro daquele ano ela foi capa da revista Playboy.

Sua carreira tomou outro rumo em 1983, quando começou a atuar no Clube da Criança, da TV Manchete.

Então, a sequência de Amor, Estranho Amor em que ela seduzia um garoto se tornou inconveniente para a imagem de uma apresentadora de programas infantis. E Xuxa foi à Justiça para interditar o filme.

O alívio foi momentâneo: os piratas ririam por último.

Esta história foi pitoresca para muitos -- mas, não para mim, pois, em linhas gerais, repetiu outro caso que acompanhei ainda mais de perto.

Quando tinha 15 anos, eu estava fascinado pela comediante Jacqueline Myrna, que aparecia na TV se passando por uma francesinha. Graciosa e sensual, ela costumava pronunciar com sotaque carregado o nome de uma cidade do interior paulista, fazendo com que soasse como "Arrarraquarra"...

Tornou-se objeto do desejo da maioria dos homens. E aí surgiu a notícia de que, antes da fama televisiva, ela havia aparecido nua no filme Superbeldades (1962) -- o qual conseguira retirar da circulação, mas estava finalmente sendo liberado.

Corrida às bilheterias.

Depois de passar em cinema(s) mais nobre(s), a fita caiu nos  pulgueiros  da chamada  Boca do Lixo, no centro de São Paulo. Eram cinco, concentrados nas ruas Aurora e Conselheiro Nébias: Apolo, Líder, Áurea, Cometa e Los Angeles.

O Superbeldades (proibido até 18 anos) pulava de um para outro. E eu ia atrás, tentando enganar os porteiros com minha altura de 1m80 e uma carteirinha escolar falsificada.

A insistência resultou: acabei vendo o filme... e me frustrando.

Tratava-se de uma constrangedora coleção de strip-teases malfeitos e mal fotografados, sempre no mesmo ambiente, com moças que pareciam ter sido laçadas logo ao chegarem de grotões longínquos, vindo tentar a sorte na Capital.

Visivelmente enfadada, Jacqueline se despiu da forma mais mecânica possível.

Pior: era vulgar naquele tempo, não charmosa como eu estava acostumado a vê-la na TV.  E com maquilagem carregada, ainda por cima.



Nem mesmo sua nudez era atraente, pois havia, com certeza, malhado muito depois daquilo. Sem ser propriamente gorda, quase não tinha cintura; estava mais para violoncelo do que para  violão...

Foi a primeira vez em que notei o quanto uma mulher podia ser  lapidada.

Já a desilusão ao obter algo desejado por muito tempo, esta lição já tivera na infância, com o belo e caro cinturão de cowboy, cujos dois revólveres logo quebraram, fazendo-me sentir culpado pelo gasto imposto ao meu pobre pai...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

XUXA EXIGE TRATAMENTO VIP DO GOOGLE

A apresentadora Xuxa Meneghel move processo contra o Google para que buscas com os termos "xuxa" e "pedofilia" deem resultado nulo.

Quer que criem uma nova forma de filtragem, exclusivamente para evitar a curiosidade de internautas por uma ilação que, até onde eu sei, é apenas jocosa. Mais uma celebridade tentando cercear o humor.

Como São Tomé, fui ver para crer.

Teclando apenas "xuxa", aparecem dez complementos possíveis, mas não "pedofilia".

Teclando os dois termos, os resultados são 52.800

Por quê? O Gooble responde, repisando o bê-a-bá:
"É importante compreender que mecanismos de busca (...) são um reflexo do conteúdo e das informações que estão disponíveis na Internet".
Pior acontece comigo. Algum hacker fascista conseguiu fazer com que, teclando-se "celso lungaretti", apareça um único complemento: "traidor".

Nessa categoria há 4.100 hits, por obra e graça da rede ultradireitista.

No entanto, outros complementos que não aparecem automaticamente levariam a muito mais resultados, tipo:
  • jornalista, 674.000;
  • escritor, 626.000;
  • torturado, 326.000;
  • ex-preso político, 301.000;
  • direitos humanos, 225.000;
  • náufrago da utopia, 88.000;
  • revolucionário, 41.500.
Já tentei e não consegui fazer com que o Google eliminasse essa torpeza. O caminho proposto era labiríntico, complicado demais para um internauta acidental como eu.

Não me sobra grana para queimar com advogados, nem me preocupam tanto assim as falácias.

Então, embora tivesse muito mais motivo para tanto do que a Xuxa, não seguirei o conselho que o Raulzito deu na música "Eu também vou reclamar".

Quanto aos pleitos judiciais da Xuxa, parecem ter mais a ver com os rumos de sua carreira do que com os valores do seu caráter.

Ficou conhecida como namorada do Pelé, posou nua para a Playboy (1982) e atuou em Amor, Estranho Amor (filmado em 1979 e lançado em 1982), no qual aparece transando com um garoto, certamente menor de idade.

Quando se tornou famosa como animadora de programas infantis, foi aos tribunais mover céus e terras para embargar esse filme...

Related Posts with Thumbnails