Mostrando postagens com marcador Patriota. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Patriota. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de março de 2024

A INSANA CREDULIDADE DO GADO BOLSONARISTA

 


O
que leva algumas centenas de milhares de pessoas a vestirem uma camisa verde-amarela, simbolizando as cores da pátria, e alguns outros a empunharem a bandeira de Israel - e em apoio ao governo sionista genocida de Israel -, prestando apoio político a um charlatão fundamentalista religioso cujo próprio nome está a indicar a sua essência - mala feia e sem alça, no linguajar popular - e a um político com certidão de golpista ditatorial passada pela sua própria história de afirmações e reafirmações nesse sentido?   

Qual a razão de se prestar apoio a um falso Messias, afastado da própria corporação militar ainda no início de sua investidura na farda por planejamento terrorista; golpista assumido, queria que a ditadura tivesse matado pelo menos 30.000 adversários; que faz ostensivamente homenagem ao seu ídolo Brilhante Ustra, militar que trucidou covardemente presos indefesos; e governante negligente social consciente capaz de provocar a morte de centenas de milhares de brasileiros por epidemia da Covid 19 negando medidas de profilaxias públicas necessárias e urgentes? 

A resposta não pode ser outra, senão a inconsciência social da maioria dos apoiadores desses tipos sobre a própria essência do seu agir político por considerarem, equivocadamente, que seus líderes são eficazes salvadores da pátria, que consideram como bastião seguro da boa cidadania.  

Começa pela inconsciência do próprio conceito de pátria.  

Qual é a pátria de um trabalhador assalariado de renda média mensal de RS 2.500,00, e isso quando não está desempregado, que paga pesados impostos em tudo que compra, desde energia elétrica, água e alimentos? 

- que é atendido pelo SUS, cuja ideia e intenção  é maravilhosa, mas é mal executada, em Upas lotadas e com estruturas físicas e de pessoal insuficientes? 

- que pelos salários cada vez mais mínimos é impossibilitado de adquirir uma moradia decente e mora na periferia das cidades e em bairros com ruas mal pavimentadas e sem esgoto sanitário e dominadas pela violência urbana e crime organizado? 

- que tem seus filhos estudando em escolas públicas mal conservadas e com professores mal pagos, e tantas outras mazelas sociais que bem conhecemos?  

Será que ali estavam presentes assalariados de melhores níveis de poder aquisitivo? Ou será que ali estavam crédulos cidadãos que, embora explorados, acreditam no estado como ente protetor de suas cidadanias explotadas?  

Seja qual for a sua motivação, o fato é que a pátria em nome da qual vestem verde-amarelo é-lhes madrasta justamente porque é a sua institucionalidade que mantém via impostos cobrados aos cidadãos uma estrutura jurídico-coercitiva do modo de produção social na qual quem a produz não se apropria integralmente de sua cota-parte.  

Somente quando os trabalhadores abstratos deixarem de serem o que são, e se organizarem sob seus próprios domínios comunitários e livres da exploradora e totalitária pátria patrão é que serão suficientemente livres e conscientes do significado manipulador desse conceito culturalmente introjetado nas mentes infantis e adultas como sendo algo virtuoso.  


O patriota é um idiota. A rima é pobre, mas o conteúdo é transcendental. Mas há patriotas que sabem a função protetora do patriotismo aos seus interesses políticos e econômicos, e que nada mais são do que oportunistas da credulidade ingênua dos que são explorados pelo capital e acreditam na aliança  - patriótica - para o progresso e o anticomunismo; lembram-se? 

O segundo elemento no processo sublinear que galvaniza o pensar de muitos dos que estiveram na Avenida Paulista em 25 de fevereiro de 2024, prestando apoio aos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023, é a ideia de que o bem estar social que almejam passa por uma governabilidade dentro da ordem para o progresso, que se consubstanciaria numa disciplina rígida, de obediência legal aos pressupostos capitalistas da relação capital e trabalho, sob tutela militar, e que seria a consecução do que entendem como “justo”  e “correto”. 

São os inocentes inúteis a eles mesmo, mas muito úteis aos que os mantêm com os trabalhadores assalariados explorados uma relação social de jugo e subalternidade irrefletidamente consentida pelos primeiros. 

Nesse processo, a esquerda institucional brasileira, social democrata, que aceita jogar o jogo eleitoral da democracia burguesa nas quatro linhas constitucionais do estado democrático de direito, padece as agruras de uma relação social que vive um processo de depressão econômica irreversível, mas que se dispõe a administrar a crise do capital a partir da assunção política ao aparelho de estado burguês, e que recebe em troca as migalhas que o poder político oferece pela legitimidade que confere ao aceitar tais condições de disputa eleitoral e governabilidade. 

O Nationalsozialistische Deutsche Arbeitepartei – NSDAP, ou Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores da Alemanha - arrebanhou multidões em apoio à cantilena nazista patriótica de soerguimento econômico da Alemanha devastada pela derrota na primeira guerra mundial (1914/1918) e depressão dos anos 1929/1930, e que levou a humanidade ao genocídio de cerca de 50 milhões de pessoas, ou 3% de toda a população mundial à época.

Tal qual a mentira nazista massificada pelo rádio, o mais novo meio de comunicação de então, reproduz-se no Brasil, hoje, e em várias partes do mundo em depressão econômica que se prenuncia como apocalíptica em face da impossibilidade de ajustes econômicos salvadores dentro da própria lógica do capital, conjuminado com a crise ecológica que causa aquecimento global, uma reprodução de métodos de comunicação via internet e pela via eleitoral, da tentativa de legitimação do totalitarismo. 

O populismo de direita no mundo e no Brasil muito se assemelha aos pressupostos nazistas de tomada do poder e de perpetuação dos seus líderes absolutistas. 

Elementos novos se agrupam a tais métodos, como o fundamentalismo religioso pentecostal, de direita que está de braços dados com o populismo de direita; setores empresariais do agronegócio; e de militares saudosos dos tempos em que gozavam de bons salários como dirigentes de grandes empresas privadas e estatais - não nos esqueçamos que foi na ditadura militar que houve mais estatização nesse país.    

A direita, vendo-se acuada por uma derrota eleitoral e pelo fracasso da tentativa de putsch do 8 de janeiro - tal qual aquele de Munique, na Alemanha,   em 8-9 de novembro de 1923 - recicla o seu discurso se fazendo de vítima dos inimigos da pátria, tal qual fez Hitler ainda na prisão, pedindo anistia aos pretensamente injustiçados presos políticos e antevendo a extensão disso em causa própria.  

O veneno sórdido da serpente direitista, diante do impasse causado pela depressão econômica que aflige o povo, tenta galvanizar em torno de si apoio popular que lhe dê poder político absolutista, iludindo a todos com um velho discurso de salvação da pátria, mas travestido de novo - como fez Javier Milei, na Argentina.  

A mesa de apostas está colocada, mas cabe a nós termos a suficiente lucidez para galvanizar o apoio popular a uma ideia humanista de superação da lógica do capital, razão de base do infortúnio social, e que somente pode ser assim efetivada e considerada com a própria superação das categorias capitalistas que a sustenta, e substituindo-as por uma relação social direta e sob controle dos que produzem coletivamente a riqueza material. (por Dalton Rosado) 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O BOZO TERÁ UM CIRCO PARA CHAMAR DE SEU. MAS HÁ UM PERIGO: A ALEGRIA DO PALHAÇO É VER O CIRCO PEGAR FOGO

david emanuel coelho
BOLSONARO MUDA DE PARTIDO
Ano passado, muitos meses antes das eleições, conversava com um colega da pós-graduação em filosofia da UFMG. Luckasiano igual a mim, alertava-me da chance de Bolsonaro vir a se tornar presidente do Brasil. 

À época, ainda considerava pouco provável sua vitória, ainda mais porque Lula estaria no páreo. Ressalto que isto aconteceu antes da condenação em segunda instância do ex-presidente e de sua subsequente prisão. 

No entanto, também via como pouco provável a vitória do atual presidente por este nunca ter sido um homem de partido. Em todos nos quais havia estado, fora sempre um ilustre joão-ninguém, parasitando no baixíssimo clero sem participar das decisões fundamentais das siglas que o hospedaram. 

Argumentava eu que Bolsonaro nunca daria certo em qualquer sigla grande, devido ao seu egocentrismo e à sua absoluta falta de tato político. Jamais aceitaria se submeter às decisões de caciques sendo ele presidente e não teria talento para construir sua própria base.  

O caminho mais fácil seria alugar um partido no qual todos aceitassem obedecer a ele, ou criar um partido próprio a partir do zero.

Minha hipótese acabou se mostrando correta. Nenhum partido grande, médio ou pequeno aceitou então levar Bolsonaro às urnas e o caminho foi achar um agrupamento de aluguel. 

Tendo falhado o Patriota, com os respectivos donos se recusando a entregarem as cuecas ao futuro presidente, o PSL aceitou de bom grado ajoelhar-se ao então deputado, com a promessa de ampliar a verba do fundo eleitoral e que Bivar – o dono – voltasse a ser o manda-chuva em 2019.

Este ano, porém, o egocentrismo e a inabilidade bolsonarista voltam a se manifestar. O presidente exige ter o controle total da sigla: não aceita ser tutelado e muito menos admite que outra pessoa controle a chave do bilionário cofre partidário. 

O resultado é do conhecimento de todos. O junta-junta chamado PSL implodiu e antigos amigos – que juravam amor eterno ao capitão – tornaram-se inimigos com mais ódio entre si do que as famílias mafiosas quando disputam território. 

A noite das facas longas, versão bolsonarista, foi um rotundo fracasso e restou ao ex-capitão sair da sigla. E aqui, minha segunda hipótese entrou em cena com acerto admirável para um mero doutorando em filosofia. 

Bolsonaro não quis mais saber de partidos de aluguel. Tendo novamente encontrado as portas fechadas nos partidos tradicionais – nem os mais modestos demostraram interesse nele – lançou-se na construção de um clube político a partir do zero. 

Sim, clube político é o nome mais apropriado a se dar a esse novo grupo a ser criado por Bolsonaro e seus filhos. Trata-se  praticamente de um fã clube dos amantes do Bolsonaro. Deveria ser chamado não de Aliança Pelo Brasil, mas de Aliança Pelos Bolsonaros, porque basicamente não passa disto. 

Não há ideologia ou representatividade – coisa de resto já escassa no sistema político deste país. Nem mesmo é um partido de aluguel, mas, tão somente, um clubinho dos admiradores da famiglia Bolsonaro. 

O dito manifesto do partido, recheado de baboseiras neofacistas, é apenas uma carta de princípios ao estilo do Cidadão Kane: algo escrito para vender uma imagem, não para ser seguido.

Na realidade, melhor que um manifesto, teria sido colocar a foto dos quatro Bolsonaros que vivem da política com vários coraçõezinhos e a legenda Eu amo Bolsonaro. As fãs de Boyband conseguem fazer melhor.  

Obviamente, amor é o que menos importa neste novo grupo, ao menos amor verdadeiro a Bolsonaro e sua trupe. 

Embora o presidente vá exigir devoção completa dos membros do futuro partido, o que os moverá de fato é a capacidade de Bolsonaro elegê-los e o acesso ao poder federal. 

Quando o naufrágio do ex-capitão se mostrar irreversível, o fã clube evaporará igual evapora o amor dos torcedores após uma longa série de derrotas do seu time. 

Mas, o surpreendente mesmo é a inovação bolsonarista para a história política brasileira. Pela primeira vez, teremos um partido cuja finalidade não será representar ou dar base de sustentação, mas pura e simplesmente ser um fã-clube de um homem cujo ego é, ao mesmo tempo, inflado e frágil. (por David Emanuel de Souza Coelho)
Related Posts with Thumbnails