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sábado, 1 de agosto de 2020

O AUTOR DESTE TEXTO E O EDITOR DO BLOG SÃO DOIS JORNALISTAS ANALFABETOS QUE OUSAM QUESTIONAR OS DEUSES TOGADOS

leonardo sakamoto
PRESIDENTE DO STJ COPIA DESEMBARGADOR
E CHAMA CRÍTICOS DE "ANALFABETOS"
"Os analfabetos jornalistas, que mal sabem versar uma palavra de direito, criticam decisões cujos fundamentos não leram." 
A declaração é do presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, que atacou, nesta 6ª FEIRA (30), em evento da Ordem dos Advogados do Brasil, os críticos à sua decisão de transferir Fabrício Queiroz para a prisão domiciliar. 

No dia 9 de julho, ele mandou não apenas o ex-faz-tudo da família Bolsonaro para casa, como também a sua esposa, Márcia Aguiar. Ele, sob a justificativa de que está no grupo de risco da pandemia. Ela, para que cuidasse do marido. 

Posteriormente, negou a liminar de um habeas corpus coletivo que pedia o mesmo benefício para outros presos em caráter provisório que também fazem parte do grupo de risco. Afirmou, na OAB, que decisões devem ser caso a caso e que nenhum juiz dá esse tipo de decisão coletiva. 

(Vale lembrar que o STF garantiu, em 2018, um habeas corpus coletivo a mulheres gestantes e mães de filhos pequenos em prisão provisória. Com isto, Noronha chamou o Supremo de ninguém.) 
"Del Bel [secretário de Segurança Pública de Santos], eu estou aqui com um analfabeto, um PM seu aqui, um rapaz. Eu estou andando sem máscara. Só estou eu aqui na faixa de praia. Ele está aqui fazendo uma multa."
Já esta declaração é do desembargador Eduardo Siqueira, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que humilhou um guarda civil após se negar a usar máscara no município do litoral paulista. Depois da carteirada, Siqueira ainda rasgou a multa que recebeu e a jogou no servidor público. 

Após o vídeo em que aparece destratando o guarda viralizar nas redes sociais e aparecer em todos os telejornais, pediu desculpas. Mas ao Conselho Nacional de Justiça afirmou que havia sido vítima de uma armação.

Ambos os casos tratam de pessoas que se veem como detentoras de privilégios. Numa democracia, decisões judiciais devem ser cumpridas, mas podem ser questionadas. 

Um magistrado na posição de um presidente de STJ deve estar preparado para elas, ainda mais quando são polêmicas – como a estranha libertação da esposa do best friend forever do presidente da República, que estava foragida e corria o risco de revelar segredos que atingiriam a família Bolsonaro. 

Contudo, a argumentação do ministro foi na linha do se criticou é porque não entendeu. Manifestação de infalibilidade comum ao divino, não a um mero mortal como ele. 

Ao mesmo tempo, um desembargador não está acima da lei, pelo contrário, deveria ser o primeiro a cumprir as regras e as normas da convivência social. Contudo, parece considerar que ocupar um cargo público lhe confere poderes sobrenaturais, permitindo-o fazer o que deseja e humilhar quem quiser. 

Siqueira literalmente deu uma carteirada no servidor, indignado que estava por ser tratado como um cidadão qualquer. A longa ficha de reclamações que ostenta prova que isso não foi um deslize, mas um padrão. 

Como nem os jornalistas, nem o guarda eram analfabetos, conclui-se que os magistrados usaram isso como ofensa. O que também diz muito sobre sua visão de mundo e o mundo em que estamos. Afinal, ninguém é analfabeto porque quer, mas por culpa de uma sociedade que é muito boa em garantir a manutenção de privilégios econômicos e simbólicos a uma casta do funcionalismo público, enquanto nega o básico à base da pirâmide social. 

Sociedade que ainda faz troça com sua incompetência, transformando o analfabetismo em ofensa a terceiros, quando é, em verdade, um atestado da própria culpa. 

A desigualdade social é ruim porque dificulta que as pessoas vejam a si mesmas e às outras pessoas como iguais e merecedoras da mesma consideração. Leva à percepção de que o poder público existe para servir aos mais abonados e controlar os mais pobres. 

Ou seja, para usar a polícia, a política e a Justiça a fim de proteger os privilégios do primeiro grupo, sendo injusto e violento contra o segundo, se necessário for. Com o tempo, a desigualdade leva à descrença nas instituições. O que ajuda a explicar, em parte, o momento em que vivemos hoje e nosso presidente. 

O naco rico acha que vale mais porque estudou mais e ocupa cargos de poder. Bobagem. 

Doutores não valem mais do que analfabetos, nem vice-versa. Mas declarações como as registradas neste texto lembram que muitos se esforçam para se mostrarem bem menores que o restante da população. (por Leonardo Sakamoto)

terça-feira, 14 de julho de 2020

MISTURAR SUCO DE LARANJA COM PIZZA PODE DAR PIRIRI

josias de souza
CASAL QUEIROZ CONVIVE COM O EFEITO JOANA D'ARC
Desfrutando do conforto da prisão domiciliar, Fabrício Queiroz e sua mulher, Márcia Aguiar, convivem com o risco descrito numa célebre frase de Tancredo Neves: "A esperteza, quando é muita, come o dono". 

Ao receber o passaporte que lhe permitiu migrar da condição de fugitiva para a de cuidadora do marido, Márcia não foi devidamente esclarecida sobre o risco de se transformar numa Joana D'Arc. 

A liminar do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça, não levou Márcia para a fogueira. Mas a vitrine que expõe o êxito do advogado de Queiroz, Emílio Catta Pretta, pode ganhar uma aparência de forno de micro-ondas. 

Em agosto, quando terminar o recesso do Judiciário, o processo vai para a mesa do ministro Félix Fischer, relator da rachadinha no STJ. 
Ao contrário de Noronha, beneficiário do amor à primeira vista de Bolsonaro, Fischer está tão próximo do Planalto quanto a Terra da Lua. 

Não são negligenciáveis as chances de Fischer rever a decisão de Noronha. Nessa hipótese, Queiroz retornaria para Bangu 8. E Márcia, agora monitorada pela polícia, não teria tanta facilidade para fugir, como fez em 18 de junho. 

Antes de receber voz de prisão, Queiroz dizia, em privado, que aguentaria quase tudo, exceto submeter a mulher e a filha Nathalia a constrangimentos. Márcia era considerada em Brasília como pessoa de baixa resistência

Ao desviar de Fischer para mirar no plantão judicial de Noronha, o doutor Cata Pretta exibiu excelente pontaria. Mas uma das características mais desconcertantes do Judiciário é o seu caráter lotérico. 

O que hoje parece sorte amanhã pode virar azar. Se a esperteza do advogado mastigar o dono, Joana D'Arc vai do domicílio para o micro-ondas.
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(por Josias de Souza)

terça-feira, 23 de junho de 2020

A FAMÍLIA BOLSOPRANO BATE CABEÇA AO ADMINISTRAR A PRÓPRIA CRISE. LEVA JEITO DE CONSEGUIR ADMINISTRAR AS DO BRASIL?

JOGO DOS 57 MILHÕES DE ERROS: quais as diferenças...
eliane cantanhêde
MEDO E
 BARBEIRAGEM
Nesse oceano de pessoas e fatos inacreditáveis, destacam-se as barbeiragens da família Bolsonaro ao tratar do amigão Fabrício Queiroz e de todas as questões nebulosas, e sob investigação do Ministério Público, que envolvem o agora senador Flávio Bolsonaro e resvalam perigosamente para o próprio presidente Jair Bolsonaro.

Tudo começa com a rachadinha operada por Queiroz no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, chega a funcionários fantasmas ali e também no gabinete de Jair na Câmara em Brasília, evolui para suspeita de lavagem de dinheiro e traz à tona as ligações de Jair, Flávio e Queiroz com um líder da milícia fluminense, o capitão Adriano, morto pela polícia. 

Engrossa esse novelo Frederick Wassef, falastrão, exibicionista e longe de ser um criminalista com dimensão para representar um senador, quanto mais o presidente.

Não bastasse a barbeiragem de abrir as portas dos palácios da Alvorada e do Planalto a Wassef, que tal permitir (ou pedir?) que ele escondesse Queiroz na sua casa de Atibaia? Não foi Queiroz que se meteu lá. Logo, meteram o Queiroz justamente na casa do advogado do presidente da República e do seu filho senador. 

Equivale a jogar Queiroz definitivamente no colo de Bolsonaro e Flávio. Coisa de gênio.
...entre a imagem acima e esta aqui? Resposta: nenhuma.

A barbeiragem seguinte vem com as reações de ambos. Numa live para tentar dizer que não tem nada com Queiroz, Jair põe-se a defendê-lo: a prisão foi espetaculosa, o amigo não estava foragido e não havia mandado de prisão contra ele, mas pareciam estar prendendo o maior bandido do mundo.

Bolsonaro está solidário com o amigo que quebrava os maiores galhos do filho? Ou não pode atirá-lo às feras porque Queiroz tem muito revelar?

Segundo depoimentos, Queiroz chegou chorando e muito abalado à prisão no Rio, o que é uma péssima notícia para Jair e Flávio Bolsonaro. Nada pior do que um potencial homem bomba imprevisível e desestruturado emocionalmente, inclusive porque sua mulher, Márcia, fugiu e pode entrar para a lista de procurados da Interpol. Aliás, ela própria tem muito o que contar, se contar.

Outra barbeiragem é o advogado de Queiroz. Nada contra ele, mas contra a simbologia. Paulo Emílio Catta Preta era advogado do miliciano Adriano. Aprofundar os elos entre Queiroz, Adriano, Flávio e Jair Bolsonaro? Depois de Flávio condecorar o líder da milícia, Jair elogiá-lo publicamente e a família empregar a mãe e a mulher dele em seus gabinetes?

A primeira família tem de se preocupar também com Wassef, que está em evidência – e adorando. Se usufruía da intimidade dos Bolsonaro a ponto de abrigar Queiroz em casa, ele sabe de muita coisa. E não tem cara de guardar segredos, nem de dar a vida por alguém. 
Depois de todas as lambanças, ninguém mais duvida disto...

Daí porque enxotaram Wassef dos casos de Flávio, mas o senador fez rasgados elogios ao enxotado em redes sociais: "A lealdade e competência do advogado Frederick Wassef são ímpares e insubstituíveis". 

A cobrança de lealdade e o adjetivo insubstituível para quem está sendo substituído têm um sinônimo: medo.

E aí vem a última barbeiragem – até agora. O substituto do insubstituível Wassef é respeitável, mas foi advogado de Sérgio Cabral e de militares acusados de excessos na ditadura. Cabral é um dos maiores símbolos de corrupção. 

E a sensação de que generais sugeriram advogado para o caso Flávio-Queiroz vai na contramão do desejável: que eles fiquem (ficassem) a léguas dessa lambança toda.

É hora de todos desconfiarem de todos e de todos quererem se livrar de todos – presidente, Flávio, militares, Queiroz, Márcia, Wassef, advogados, a mãe e a mulher de Adriano –, mas quanto mais barbeiragens vão fazendo, mais eles se embolam perigosamente. 

O clima é de medo. E isso tudo ainda vai muito longe. (por Eliane Cantanhêde, n'O Estado de S. Paulo)

Vergonha e escândalo na família é exatamente a chanchada
que estamos presenciando. Ou, mais precisamente: na familícia.
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