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segunda-feira, 7 de março de 2022

A GUERRA CONCEDE AOS BASTARDOS INGLÓRIOS PODERES DESMESURADOS

álvaro costa e silva
O VALE-TUDO DA GUERRA CULTURAL
O
s acontecimentos históricos costumam imitar uns aos outros até nos detalhes. 

O comboio russo que avança em direção a Kiev não pode confiar nas placas de orientação: elas foram trocadas ou invertidas para confundir o inimigo. Como conta Milan Kundera em seus romances, a mesma coisa aconteceu em 1968 durante a invasão da antiga Tchecoslováquia pelos tanques soviéticos.

Além da opressão, a burrice política também retorna em ciclos. Uma apresentação de Romeu e Julieta pelo Balé Bolshoi, transmitida para a televisão de 112 países em 1976, foi proibida no Brasil. A explicação revelou a lógica dos milicos no poder: o Bolshoi era russo, a Rússia comandava a União Soviética, portanto o balé era comunista.

No Febeapá, Stanislaw Ponte Preta registra que em 1967 um filme clássico de Serguei Eisenstein, Ivan, o Terrível a história do czar que viveu no século 16, não pôde ser exibido em Belém do Pará. A censura era para impedir que o credo vermelho se difundisse entre nós. É bom ficar só nesses dois exemplos, para não dar ideia ao secretário de Cultura, Mario Frias.

Os marios-frias, no entanto, são muitos. No momento eles promovem uma temporada de caça a artistas russos, vivos ou mortos, a começar por Dostoiévski.  

Nem o fato de ter enfrentado quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria, para escapar à pena de morte, livrou a cara do autor de O Idiota.

Depois de eliminar Dostoiévski, a turma do banimento cultural pretende atacar novos alvos: a vodka, o strogonoff e o engov.

Do outro lado, Putin atual crush de Bolsonaro resolveu cancelar no varejo e atacado. Com Facebook e Twitter já bloqueados, prepara-se para desconectar a Rússia da internet mundial. 

Além disso, determinou 15 anos de prisão para quem divulgar notícias falsas sobre a guerra. 

Guerra, aliás, que não pode ser chamada pelo nome. O correto, para o Kremlin, é operação militar especial. (por Álvaro Costa e Silva)

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

PEQUENO GLOSSÁRIO ÚTIL PARA ENTENDER CERTAS EXPRESSÕES QUE TÊM SE APLICADO ÀS INSANIDADES DIÁRIAS DE BOLSONARO

Nas últimas semanas, certas expressões do passado foram usadas para definir as insanidades diárias de Jair Bolsonaro. 

Algumas, muito populares em seu tempo, podem necessitar de explicação para os leitores de hoje:

"Bolsonaro está transformando o Brasil num grande Febeapá." 
Febeapá era a sigla de Festival de Besteira que Assola o País, instituição criada pelo colunista Stanislaw Ponte Preta, em 1964. 

Referia-se aos militares da ditadura, que mandaram recolher nas livrarias o romance A Capital, de Eça de Queirós, pensando que era o O Capital, de Karl Marx.

Eles também proibiram o Balé Bolshoi de se apresentar no Teatro Municipal por ser russo, donde comunista. Mas Bolsonaro não fará isto, porque nunca leu um livro e não sabe o que é o Balé Bolshoi.

"Bolsonaro é um Napoleão de hospício." 
O Napoleão de hospício foi criado por Nelson Rodrigues e, segundo Nelson, era o verdadeiro Napoleão —porque nunca teria um Waterloo. Mas Bolsonaro terá o seu Waterloo. Não demora a fazer algo realmente tão grave, comprometendo a estabilidade do país, que terão de pedir a camisa-de-força.

"Bolsonaro governa como se
estivesse na Gaiola de Ouro." 
A Gaiola de Ouro é o velho apelido da Câmara dos Vereadores do Rio, famosa pelos atos que Bolsonaro diz combater. Em 1987, seus 39 felizes vereadores admitiram 485 servidores sem concurso, para lhes servir café e abaná-los, e, em 1988, pode crer, nada menos que outros 10 mil. Bolsonaro fez parte dela, como vereador, de 1989 a 1991.

Por Ruy Castro
Certamente foi lá a sua escola para que, segundo o jornal O Globo, dos 286 assessores nomeados por ele e os filhos nos últimos 28 anos em seus mandatos, 102 fossem pais, mães, irmãos, avós, tios, primos, maridos, mulheres, ex-mulheres, sogros, genros, noras, cunhados e enteadas uns dos outros. 

Por que não? É a família acima de tudo, você sabe. Principalmente as dos amigos. 
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