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sábado, 11 de junho de 2022

CABRA MARCADO PARA MORRER: A HISTÓRIA SE REPETIU 60 ANOS DEPOIS!

O cabra marcado para
morrer de 2022...
O
assassinato do indigenista Bruno Pereira nada mais foi do que a repetição de uma infinidade de outros episódios nos quais defensores da natureza, do povo explorado e dos índios foram calados por capangas dos poderosos, neste Brasil onde a verdadeira lei é a lei do mais forte.

Só provocou toda essa gritaria no exterior porque, desta vez, os sicários mataram também um jornalista estrangeiro. Ou seja, as matanças covardes de brasileiros já estão normalizadas, pasmo e indignação só existe quando alguém diferenciado vai junto.  

Isto também vem de longe. Dos exterminados pela ditadura militar, ninguém sofreu martírio tão extremo e prolongado quanto o Bacuri

E ninguém causou tanta comoção lá fora quanto o Vladimir Herzog, que, embora houvesse sucumbido a um provável ataque cardíaco logo na primeira sessão de tortura que sofreu, era de ascendência judaica, o que alhures o colocava em patamar superior até mesmo ao dos companheiros que sofreram suplícios intermináveis e inenarráveis nos aparelhos clandestinos da repressão.
...e o de 1962. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Lamentei muito por Herzog, a quem eu conhecia de vista como professor da ECA-USP quando lá estudava, assim como muito lamento o óbito de Dom Philips, que veio morrer numa terra distante por praticar um jornalismo idealista. 

Mas, se eu tiver de chorar, será antes por Bruno Pereira e pelo João Pedro Teixeira, o cabra marcado para morrer, líder da Liga Camponesa de Sapé (PB), assassinado a mando dos latifundiários em 1962. 

Porque  estes não ignoravam quão pouco valiam suas vidas no Brasil e, mesmo havendo sido alertados de que tinham as mortes encomendadas, decidiram seguir adiante, assumindo todos os riscos em nome de suas convicções. (por Celso Lungaretti)
Dirigida por Eduardo Coutinho, esta narrativa semidocumental
teve suas filmagens interrompidas quando do golpe de 1964 e
retomadas em 1981. O longa-metragem foi lançado em 1984.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

O INTERMINÁVEL MARTÍRIO DO COMPANHEIRO 'BACURI' VOLTA À BAILA – 1

mônica bergamo
DENÚNCIA CONTRA O BRASIL POR MORTE DE BACURI
NA DITADURA CHEGA À CORTE INTERAMERICANA
U
ma ação que pede a responsabilização do Estado brasileiro pela morte de Eduardo Collen Leite, o Bacuri, durante a ditadura militar chegou à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Guerrilheiro da luta armada contra o regime, Bacuri é considerado o preso político que mais tempo passou sendo torturado em instalações da Marinha, do Exército e pela equipe do delegado Sérgio Fleury – foram 109 dias.

O caso foi encaminhado ao tribunal pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, onde tramitava desde 2011, a pedido do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), que assina a ação.

O envio se deu em razão da ausência de uma resposta efetiva do Brasil a recomendações feitas pela comissão, que apontou violações de direitos das vítimas. 

Também serão julgados na Corte os abusos cometidos contra Denise Peres Crispim, militante política e companheira de Bacuri. Presa quando estava grávida de seis meses, ela foi submetida a torturas e deu à luz sob escolta.

codiretora do Cejil para o Brasil e Cone Sul, Helena de Souza Rocha, afirma:
"Será a primeira vez que a Corte analisará um caso brasileiro em que se denunciam as torturas cometidas contra mulheres no contexto da ditadura, evidenciando também o viés misógino destas práticas, muitas das quais ainda se reproduzem até a atualidade, e que impactam mulheres, e seus filhos e filhas, de forma diferenciada".
Nos próximos meses, deve ser iniciada a fase escrita dos procedimentos. Em seguida, uma audiência pública será convocada para escutar testemunhas e peritos, além das alegações finais. 

Segundo relatos, Bacuri não tinha olhos, orelhas nem língua ao ser reconhecido pela família. 

Já os militares disseram que ele morreu em tiroteio ao resistir à prisão. A tese foi replicada pelo Brasil na comissão. (por Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo)
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