Um dos artigos mais problemáticos da minha trajetória foi Israel é o IV Reich, que lancei em outubro de 2009 (vide aqui).
Pessoas que eu prezava se afastaram de mim por discordarem da avaliação sobre os rumos cada vez mais melancólicos do estado judeu, desmerecendo o sacrifício dos seus mártires imolados pelo totalitarismo, à medida que reeditava muitas práticas da Alemanha hitlerista (eram inegáveis as semelhanças entre o Gueto de Gaza e o Gueto de Varsóvia, p. ex.).
Agora, a manutenção como primeiro-ministro de Binyamin Netanyahu, vitorioso nas eleições gerais israelenses, vem confirmar que o único erro daquele meu artigo foi ter antecipado, corretamente, o resultado de uma partida que ainda estava sendo jogada: flagrei tendências que ainda não haviam prevalecido por completo, de forma que os judeus idealistas continuavam acalentando esperanças de que o pesadelo não virasse realidade.
Vãs esperanças, na verdade, conforme o Demétrio Magnoli constata no seu artigo deste sábado (13), Rumo ao segundo Israel?, do qual reproduzo os trechos principais:
"Depois da Guerra dos Seis Dias (1967), o Estado judeu converteu-se em potência ocupante dos territórios palestinos (Jerusalém Oriental, Cisjordânia, faixa de Gaza).
O rápido crescimento demográfico palestino descortinou a perspectiva de configuração de uma maioria populacional árabe no conjunto geopolítico Israel/Palestina. O exercício da soberania sobre uma maioria destituída de direitos políticos terminaria por corroer os fundamentos democráticos de Israel. O Estado judeu teria que escolher entre a democracia e a ocupação.
Os Acordos de Oslo (1993) surgiram como solução para o dilema. A paz pela partilha da Terra Santa em dois Estados não só atenderia à demanda nacional palestina como protegeria o caráter judeu e democrático de Israel.
O fracasso dos acordos de paz recolocou o dilema. Netanyahu oferece, agora, sua própria solução: a ocupação permanente, a renúncia à democracia, a refundação de Israel como Estado baseado na discriminação étnica oficial".Tal Estado baseado na discriminação étnica oficial poderá ou não ser chamado, pelo menos em sentido figurado, de IV Reich?!

