domingo, 10 de maio de 2026

HOJE É O DIA EM QUE AS MÃES SÃO USADAS PARA ALAVANCAR VENDAS E ENDINHEIRAR OS SALAFRÁRIOS DO CAPITALISMO

O Brasil, com sua industrialização tardia, foi poupado do pesadelo em que se constituiu a criação da infra-estrutura básica do capitalismo na Europa, com destaque para o trabalho massacrante nas minas de carvão inglesas, em que mulheres e crianças cumpriam jornadas às vezes superiores a 14 horas diárias!

Em nosso país, até a década de 1960 os homens da casa (o pai e os filhos, estes pegando no batente tão logo atingiam a idade de 14 anos) geralmente obtinham remuneração suficiente para o sustento, mesmo que precário, da família.

Foi quando os avanços no processo produtivo, tornando cada vez mais desnecessária a força física para a maioria dos desempenhos, possibilitaram o ingresso em massa das mulheres no mercado de trabalho.

O chamariz do consumo e a perspectiva de serem donas dos próprios narizes (sem se darem conta de que estavam apenas trocando o mandonismo do marido pela tirania impessoal do sistema) levaram as mulheres a disputarem entusiasticamente posições com suas iguais e com os próprios homens, mesmo recebendo paga inferior à deles pelas mesmas funções. Como consequência desse aumento exagerado da oferta da mão-de-obra, as remunerações de todos foram aviltadas.

As famílias de classe média, principalmente, passaram a depender do trabalho dos dois cônjuges para manter seu padrão de vida. Ficaram em cacos, com pais fatigados demais para cumprirem realmente seu papel e crianças crescendo aos cuidados de terceiros. O resultado são os jovens problemáticos, egoístas e imaturos de hoje em dia.
Nestes tempos em que as mulheres veem a si próprias mais como profissionais do que como mães, paradoxalmente, o Dia das Mães é festejado como nunca. Mas, também aí prevalecem os malfadados interesses monetários, a necessidade que o sistema tem de datas festivas que alavanquem as vendas.

Então, o grande exemplo a ser lembrado nesta data é o de Anna Jarvis, estadunidense que batalhou incessantemente para que fosse instituído um dia de homenagem a todas as mães, vivas ou mortas, visando fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.

O governador do seu estado, a Virgínia Ocidental, acabou oficializando essa celebração em 1910, no que foi logo imitado por congêneres, até que o presidente Woodrow Wilson unificou em 1914 as várias datas estipuladas, fixando o Dia Nacional das Mães no segundo domingo de maio.

Os comerciantes se atiraram sofregamente à exploração do lucrativo filão, horrorizando Ana Jarvis, que desabafou em 1923 para um repórter: Não criei o Dia das Mães para ter lucro. No mesmo ano ela tentou cancelar a celebração por meio de uma ação judicial, inutilmente.

E teve sorte de morrer antes que o desvirtuamento do Dia das Mães se tornasse avassalador na atual sociedade de consumo. (por Celso Lungaretti) 

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