Quem detém a produção de livros pode controlar o pensamento dos intelectuais e do público melhor informado, tanto quanto a TV e as redes sociais podem controlar o pensamento e o comportamento do povaréu, bem como direcionar suas opções políticas.
Toda imprensa francesa tem noticiado com destaque, nestes dias, a decisão de mais de 300 autores de romperem com a Éditions Grasset, pela qual seus livros eram editados.
A Grasset vinha sendo, desde a sua criação em 1907, uma prestigiosa editora de literatura francesa e estrangeira, ensaios, romances, ciências humanas, etc.
Agora, importantes jornais franceses preveem até mesmo o risco de a Grasset fechar, pela recusa dos bons autores a lhe entregarem seus originais para publicação.
Nem sempre autores militantes de extrema-direita têm o talento de Louis-Ferdinand Céline, notório militante pró-nazismo durante a ocupação francesa. Portanto, ficaria limitado o acesso da editora aos bons e inovadores originais.
O prestígio da Grasset provinha de sua independência na seleção e publicação de bons originais, sem favorecer este ou aquele conteúdo político.
| O milionário Vincent Bolloré e suas devoções |
O responsável pela crise é o milionário Vincent Bolloré, proprietário da Grasset, bem como do Canal+, Europe1, CNews e do Journal du Dimanche, hoje transformados em propagadores de propaganda política.
Sua intervenção na Grasset, da qual é proprietário, consistiu em demitir Olivier Nora, o responsável pela seleção dos originais e pela publicação dos livros Grasset há 26 anos.
Antes de demitir Olivier Nora para intervir na seleção de autores e originais da Grasset, Bolloré já havia provocado manifestações de protesto dos estudantes de jornalismo ao liderar um grupo de investidores na compra da Escola Superior de Jornalismo de Paris. (por Rui Martins)
Todos os bilionários têm simpatia pelo diabo ou só
alguns deles? (clique aqui para assistir ao vídeo)
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