Enfim surge uma notícia alvissareira nessa corrida presidencial que começou cedo demais e desmedidamente raivosa.
A precocidade se caracteriza por tais campanhas antigamente esquentarem só após as férias escolares de julho e agora durarem o ano inteiro.
Quanto à polarização estridente e truculenta, ela nem sequer faz muito sentido, pois os litigantes são uma extrema-direita subserviente ao capital e uma direita moderada idem, só que travestida de esquerda
A novidade é que uma parte do agronegócio rejeita a candidatura de Flávio Bolsonaro, ao contrário do que aconteceu em 2018.
O motivo, aponta editorial do Estadão, é Flávio não passar de "alguém movido a revanchismo, mais interessado em livrar o pai da cadeia e anistiar golpistas do que em conduzir o País no caminho das reformas e da reconciliação".
O pior é que o fato de as duas candidaturas representarem meras tendências da direita torna ainda mais agressiva a refrega ante elas, pois é preciso muito exagero para diferenciá-las e fazer o eleitor entusiasmar-se por uma ou por outra.
"Esses dois polos turvaram o debate público, converteram adversários em inimigos e inibiram alternativas. Hoje, segundo a Quaest, cerca de 30% dos brasileiros se dizem independentes, não querem nem Lula nem os Bolsonaros. Há, ainda, 14% enquadrados como esquerda não-lulista e 21% como direita não-bolsonarista".
O remédio para sairmos dessa briga de foice no escuro, um impasse que nos condena à mediocridade, é, para o jornalão, um reerguimento da direita não-bolsonarista.
Eu, como venho enfatizando há vários anos, considero de extrema necessidade a ressurreição de uma esquerda combativa, que volte a representar uma alternativa ao capitalismo e não sua linha auxiliar. (por Celso Lungaretti)
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