ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente,
antes que o dia arrebente.
El nombre del hombre muerto,
antes que a definitiva noite
se espalhe em Latinoamérica,
el nombre del hombre es Pueblo,
el nombre del hombre es Pueblo"
(Capinam, Gil e Torquato)
No final da década de 1960 eram muitos os jovens que, em todo o mundo, viam Che Guevara como o próprio símbolo da revolução.
Enquanto Marx, Lênin, Stalin, Trotsky, Mao e o próprio Fidel só significam algo para os politizados, o Che tinha uma força simbólica indiscutivelmente maior -- e muito mais adeptos na faixa da adolescência e mocidade.
Quais serão os motivos de culto tão perene?
Há quem o atribua, depreciativamente, à semelhança visual entre o Che abatido e o Cristo crucificado, omitindo que as trajetórias também são semelhantes.
Ambos desdenharam os bens materiais e foram solidarizar-se com os pobres, oferecendo-lhes apoio e esperanças. Despertaram a fúria dos poderosos de seu tempo e foram por eles destruídos, terminando sua jornada com muito sofrimento.
Vale também lembrar que os relatos que chegaram até nós sobre o homem de \Nazaré não têm áreas nebulosas como aqueles episódios em que Guevara parece haver incorrido em violência excessiva.
Filme de Walter Salles (2004) sobre o Che de antes da revolução
Mas, se Cristo disse que não vinha trazer a paz, mas a espada, foi Guevara quem a empunhou. E a guerra nunca inspirou os melhores sentimentos ao ser humano. Pelo contrário, desperta seus piores instintos.
Então, a luta justificada e necessária contra o tirano Fulgêncio Batista pode ter feito aflorar o Robespierre latente naquele homem antes tão afável, como foi retratado no filme Diários de Motocicleta.
Contradições são, enfim, inerentes a todo ser humano. Não existe o herói perfeito e impoluto, salvo em nossa imaginação.
Canção do Gil e Capinam; participou do Festival da Record de 1967
POR QUE OS CUBANOS CHAMAVAM BRIZOLA DE GUSANO?
Um relato interessante foi o que me fez o companheiro Moisés (José Raimundo da Costa), ex-militante do Movimento Nacionalista Revolucionário, responsável pela abandonada guerrilha de Caparaó.
Disse que a dita cuja era parte de um projeto de criação de um eixo guerrilheiro unindo Brasil e Bolívia, mas Leonel Brizola teria produzido apenas um arremedo de guerrilha, para justificar a dinheirama que recebera do governo cubano.
Não tenho como confirmar, mas as datas coincidem. E algum motivo deve haver para os cubanos se referirem a Brizola como um gusano (verme).
Canção do Milton e Fernando Brant; estava no Festival da Record de 1968
Totalmente identificado com Fidel até a tomada de poder e durante os primórdios do governo castrista, ele acabou percebendo que o socialismo de seus sonhos não seria possível numa ilha pobre, asfixiada pelo embargo comercial estadunidense e obrigada a sujeitar-se às imposições da URSS em troca de ajuda econômica e proteção militar.
Seguindo o exemplo de Garibaldi e Bolívar, ele foi lutar noutros países. Abriu mão do poder e de honrarias para efetuar tentativas desesperadas de romper o isolamento da revolução cubana. E, após sua morte, acabou se tornando o símbolo maior do internacionalismo revolucionário.
Canção de Cesar Roldão Vieira que participou do III FIC, em 1968
Seu exemplo e seu martírio inspiraram os jovens que, em 1968, protagonizaram a última maré revolucionária. Tanto os marxistas que foram à luta armada, quanto os neo-anarquistas que barricaram Paris e cercaram o Pentágono, tinham Che como símbolo.
Tornou-se o maior mito libertário do nosso tempo, alimentando as esperanças de que ainda aconteça aquela revolução com a qual os melhores seres humanos sempre sonharam e Marx tão bem delineou, o reino da liberdade, para além da necessidade.
Canção do Vandré que só foi liberada após a abertura do ditador Geisel
Pode-se supor que, como Trotsky, ele tenha concluído que a revolução invariavelmente se deforma quando fica restrita a um só país – ainda mais uma nação pobre, atrasada e asfixiada pelo embargo comercial, como Cuba.
E fez o que poucos fariam: assumiu a missão de encontrar uma saída para o impasse, nas condições mais desfavoráveis.
Primeiro filme 92009) do Steven Soderberg (2009) sobre a a trajetória do Che
No mundo todo, os jovens que também lutavam contra o Império se identificaram com seus sonhos e seu martírio. Não foram uma foto e um pôster que o transformaram em mito, mas sim esse exemplo de dedicação a uma causa justa até o sacrifício extremo.
E, como os corações mais sensíveis e as mentes mais lúcidas não conseguiram vencer o sistema regido pela desigualdade e ganância, Che inspira até hoje os que não aceitam o capitalismo globalizado como o fim da História.
Continuação (2009) do filme do Steven Soderberg sobre a a trajetória do Che
Daí a inutilidade dos frequentes ataques à memória do homem Ernesto Guevara -- como os lançados pela mídia reacionária.
Jamais atingirão, contudo, o mito Che Pueblo, personificação dos ideais igualitários que os melhores seres humanos vêm acalentando através dos tempos. (por Celso Lungaretti)
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