terça-feira, 4 de janeiro de 2022

HÁ QUE ESPERANÇAR-SE, MAS SEM PERDER O DISTANCIAMENTO CRÍTICO JAMAIS!

ricardo kotscho
PELO ANDAR DA CARRUAGEM, LULA CORRE
O RISCO DE VENCER ESTA ELEIÇÃO POR W.O.
Esnobando as inundações da Bahia num dia... 
A
o abrir a home do UOL no primeiro dia útil do ano, me dei conta de que, juntando estas três notícias, as eleições de 2022 podem ser decididas por W.O. [vitória dada a determinada equipe ou competidor individual quando o lado adversário está impossibilitado de competir ou quando não existe adversário]Se não, vejamos: 

"Bolsonaro é internado em São Paulo com quadro de obstrução intestinal" foi a manchete da 2ª feira. Logo abaixo, duas outras informam: 

"Moro deve concorrer ao Senado se não decolar nas pesquisas até fevereiro". 

"Mercado financeiro e setor produtivo já não veem espaço para terceira via nas eleições". 

Trata-se da sexta vez que Bolsonaro é internado em hospitais para fazer exames e cirurgias desde a facada de Juiz de Fora na campanha de 2018. 

Nas especulações de final de ano, colunistas respeitados já admitiam a possibilidade de Jair Bolsonaro desistir da reeleição, caso as próximas pesquisas confirmem que suas chances de vitória são cada vez mais remotas. 

Nesse caso, poderia se candidatar a deputado ou senador para garantir o foro privilegiado, seu principal objetivo neste momento em que é acossado por diversas ações na Justiça. 

Ficar impossibilitado de prosseguir a campanha por problemas de saúde poderia vir bem a calhar para não parecer que está fugindo da raia com medo da derrota. 
...e tentando inspirar compaixão no outro

Bolsonaro até já publicou em seu perfil no twitter a tradicional foto de paciente deitado numa cama de hospital e escreveu que é possível ser submetido a uma "cirurgia de obstrução interna na região intestinal", como já aconteceu outras vezes. 

Carolina Brígido informa no UOL que "com 9% de intenções de voto nas pesquisas para presidente da República, o ex-juiz Sergio Moro ainda não decidiu se vai concorrer ao Palácio do Planalto, ou se lança mão do plano B: disputar uma cadeira no Senado". 

Assim como acontece com Bolsonaro, no entorno de Moro a avaliação é de que o ex-ministro precisará ter um mandato no próximo ano, seja ele qual for, para garantir o foro privilegiado, depois que o TCU mandou a consultoria americana Alvarez & Marsal revelar os serviços prestados e os valores pagos ao pré-candidato. 

Em nota enviada à jornalista pela sua assessoria de imprensa, Moro reafirmou que é "pré-candidato à Presidência, não ao Senado", e esclareceu que sempre foi contra o foro privilegiado. Mas sabemos que Moro também já declarou várias vezes que jamais entraria para a política e negava sua candidatura presidencial em 2022. 

Julio Wisiack, da Folha de S. Paulo, entrevistou banqueiros, gestores e empresários sobre o cenário eleitoral e ouviu deles que é pequena a possibilidade de existir uma terceira via para as próximas eleições: "Desde as prévias do PSDB, o comando das principais instituições financeiras e empresariais do país jogou a toalha e agora aposta em uma polarização entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva".

Com Bolsonaro momentaneamente fora de combate, a candidatura de Moro balançando e os apoiadores da 3ª via jogando a toalha, o cenário neste começo de ano eleitoral não poderia ser mais favorável para o ex-presidente Lula, que lidera com folga todas as pesquisas e corre o risco de ganhar já no 1º turno. 
Lula fica assim nas férias e assim ficava sempre que ocorria uma manifestação #Fora Bolsonaro 
Enquanto seus principais concorrentes enfrentam dificuldades, Lula continua jogando parado, costurando alianças e preparando sua próxima viagem internacional, desta vez para os Estados Unidos.

Sem pressa nem para marcar seu casamento com a namorada Janja, nem com o vice Geraldo Alckmin, o ex-presidente posta fotos de bermuda e chinelos no Ano Novo, com a vira-latas Resistência no colo...

Estes são os fatos, e não tenho como mudá-los, para agradar os bolsonaristas e moristas que frequentam minha coluna, inconformados com as notícias da imprensa. 

O ano ainda está só começando e faltam nove meses para as eleições. Até lá, claro, muitas coisas podem acontecer, ou não. No momento, o retrato da corrida presidencial é esse. 

Vida que recomeça. (por Ricardo Kotscho)
A herança para o sucessor será pra lá de maldita
TOQUE DO EDITOR – Realmente, não podemos brigar com os fatos. Mas o que há de fatos e o que há de elucubrações nessas três notícias citadas pelo mestre Kotscho?

Bolsonaro se internou, isto é um fato. Mas, sobre o motivo de tal internação, só temos a versão que a ele interessa, assim como nenhum veículo da grande imprensa fez até hoje uma investigação independente sobre a suposta facada.

Sendo a política brasileira um ninho de víboras e tendo o Bozo, rei das fake news, credibilidade muito abaixo de zero, continuo considerando hipotética a existência da facada, assim como permanece em pé a outra hipótese, de que se teria tratado apenas de uma encenação com uma navalha espanhola (aquelas cuja lâmina pode ser projetada ou recolhida com um toque no botão existente no cabo). 

Algum dia ainda saberemos isto de forma insofismável. Por enquanto, não. Entre a versão oficial e a verdade costuma haver distância quilométrica cá na patriamada.  

Quanto às intenções/avaliações de Sérgio Moro, dos adeptos da 3ª via e do mercado financeiro, o que Kotscho comemora são apenas deduções ou especulações de jornalistas sobre o que rola nos bastidores, não fatos. 

Julio Wisiack, p. ex., afirma ter ouvido banqueiros e empresários importantes sob a condição de anonimato. Aonde isso nos leva? A lugar nenhum, se não tivermos o hábito de passar cheques em branco.
 
Quanto ao clima de já ganhou que impregna a coluna da primeira à última linha, recomendo cautela: sem Bozo, Moro e 3ª via, Lula perderia o trunfo de apresentar-se como mal menor para evitarmos uma vitória da direita.   
Haver associado seu nome ao bolsonarismo poderá
ser a pá de cal para as ambições políticas de Mro
  
Ao mesmo tempo, abrir-se-ia um largo espaço para ser preenchido por uma esquerda que não fosse apenas força auxiliar do capitalismo, incumbida de atenuar os rigores da exploração do homem pelo homem

Uma esquerda combativa que se posicionasse como força independente, propondo-se a concretizar o objetivo maior de viabilizar a justiça social, dando fim à obscena desigualdade brasileira, sem prejuízo da liberdade que tem de viger em qualquer nação civilizada.

Muita coisa pode mesmo acontecer até 2 de outubro. E uma das possibilidades mais robustas é de que a terrível penúria imposta a um número cada vez maior de brasileiros nos conduza a uma explosão social que mandaria pelos ares todos esses wishful thinkings. (por Celso Lungaretti)

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