quarta-feira, 16 de junho de 2021

UMA COADJUVANTE DO GENOCÍDIO ORA EM CURSO MERECE PROTEÇÃO DAS FEMINISTAS?

A dra. Nise servia para dar uma ilusória credibilidade ao curandeirismo do gabinete paralelo...
rui martins
A CPI E UMA FALSA IDEIA DE FEMINISMO
A discussão central na CPI é quem são os culpados pela perda de controle do coronavírus no Brasil. 

A cada dia se torna mais evidente a responsabilidade principal do presidente Bolsonaro; de seus conselheiros diretos, no chamado gabinete paralelo, comandado, ao que tudo indica, pelo deputado Osmar Terra; e do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.

Entre os participantes do gabinete paralelo estava a médica Nise Yamaguchi que, especialista em imunologia e oncologia, era uma das principais defensoras do uso da hidroxicloroquina na prevenção e tratamento das infecções por coronavírus. 

Sua participação no gabinete teria sido por iniciativa própria, ainda no começo do ano passado, para convencer Bolsonaro a manter no Ministério a indicação da hidroxicloroquina.
...daí o papel central que ocupava nas hostes genocidas.

Na saída do ministro Luiz Henrique Mandetta, chegou a ser cotada para assumir o ministério. Com a demissão de Nelson Teich, novamente surgiu seu nome para substituí-lo, tendo havido mesmo um encontro de Yamaguchi com Bolsonaro, divulgado pela imprensa.

Pelas entrevistas da época, logo se podia fazer um perfil da médica como adepta das teorias de complô e conspirações ligadas ao surgimento do vírus, na linha dos negacionistas que apoiavam Donald Trump nos EUA, e mantendo ligações com o médico francês Didier Raoult, tido como um charlatão pela imprensa francesa por insistir em preconizar o uso dos componentes do kit covid, que por tanto tempo Bolsonaro defendeu como tratamento precoce

Seu ardor na defesa da cloroquina teria valido mesmo uma suspensão de Yamaguchi no hospital Albert Einstein, contrário ao uso desse medicamento no combate à covid-19.

Em síntese, a interrogação da médica na CPI foi das mais proveitosas por ter revelado fatos até ali ignorados. Porém, isso não desagradou só ao governo Bolsonaro, assustado pela facilidade com que Renan e Aziz conseguiam tirar de Yamaguchi declarações comprometedoras sobre o funcionamento do gabinete paralelo da presidência, ao qual Pazuello se submetia.

Como o relator insistia nas perguntas para obter respostas claras, houve a surpresa de a senadora Leila Barros intervir em favor da mulher Nise Yamaguchi. Jogadora de vôlei, Leila fez um passe contra, entregando simbolicamente a bola para a deputada Carla Zambelli, a ardorosa defensora da política sanitária de Bolsonaro. 
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Foi um gesto feminista, mas no caso não era a mulher a interrogada, mas a cientista, médica e doutora defensora de produtos não adequados para a prevenção e cura do coronavírus. Feminismo de orelhada pode levar a desvios como esse.

Com sua insistência em promover e defender o uso da hidroxicloroquina, não se pode esquecer e se deve mesmo acentuar que a doutora Yamaguchi, formada em boas universidades e falando quatro idiomas (portanto, não uma simples mulher explorada no trabalho ou como dona-de-casa), era uma pessoa apta e capacitada para responder às perguntas da CPI. Mesmo porque –e isto não se pode ignorar– está entre os responsáveis pelo genocídio que continua ocorrendo no Brasil.

Mas isso não foi tudo. Comovida pela cena da cientista negacionista submetida à insistência das perguntas de Renan e Aziz, uma atriz estrela da televisão se revoltou e, em nome da defesa das mulheres, decidiu lançar um tuíte, mesmo porque é feminista reconhecida pela ONU.

Uma catástrofe:
"Show de horror e boçalidades na CPI da Covid. Certa ou errada… Não importa! Intimidação, coação… Fala interrompida… Mulher merece respeito em qualquer ambiente..."
Seu erro custou vidas demais para dela nos apiedarmos 
É o feminismo versão verde-amarela! Coitada da doutora Yamaguchi, ela só queria fazer bem, ainda que seu remédio não curasse e pudesse matar! 

Naquele dia, ultrapassávamos 450 mil mortos. E vamos chegar a 700 mil e talvez mesmo ultrapassar.

Os bolsonaristas, que detestam feministas, adoraram! Assustada com a má repercussão entre seus fãs, até ali existentes entre direita e esquerda, Juliana Paes reincide, mas com classe, beleza, boa imagem, embora a falta de sincronização entre imagem e som, favoreça a hipótese de uma montagem posterior do vídeo.

Juliana Paes se enganou duas vezes – na primeira, quis defender a coitadinha da Nise Yamaguchi, membro do gabinete secreto e paralelo de Bolsonaro, composto só de charlatães, que nos levaram à tragédia da cloroquina. Por quê? Porque a coitadinha é mulher! 

Seria também feminista a senadora de esquerda Leila Barros, que, numa jogada de vôlei, passou a bola para a direita, ao defender também a desafortunada doutora Yamaguchi por ela ser mulher?

Deveríamos igualmente tomar as dores do Pazuello porque o coitado está velho, meio gagá e ficará traumatizado com tantas críticas?

E a Juliana Paes perdeu a grande chance de ficar calada, pois sua retórica bem filmada torna-se ridícula ao incluir uma alusão aos delírios comunistas de extrema-esquerda

Onde? Alguém viu? Ah, Juliana, você anda lendo
fake news em demasia! Mas, pelo jeito, não viu o meio-milhão de mortos!
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(por Rui Martins)

Um comentário:

Eli Zor disse...

Sim, os 500mil já são. Quem já teve Nise da Silveira, quem ainda mais gostava de gatos, agora tem a Yamaguchi.
A China compra a Eletrobras, que será uma estatal deles

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