segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SUPLICY E OS LILIPUTIANOS

Nos bons tempos, com Lula e o saudoso Plínio.
O companheiro Eduardo Suplicy foi hostilizado por intolerantes chiques numa livraria chique da avenida Paulista. Sou, claro, totalmente solidário a ele.

Quando perdeu a cadeira no Senado para o neo-ultradireitista José Serra, elogiei Suplicy por "haver exercido durante todo esse tempo o papel de principal defensor dos direitos humanos no Senado, participando de cruzadas importantíssimas como a travada contra a extradição de Cesare Battisti, em favor da apuração rigorosa dos crimes cometidos pela PM durante a bestial invasão do Pinheirinho, contra as perseguições fascistoides aos manifestantes de rua a partir de junho de 2013, etc.". 

Mas, fiz uma ressalva que, de certa forma, foi premonitória, antecipando a saia justa deste domingo:
"Tendo pisado feio na bola ao permanecer num partido cada vez mais distanciado das bandeiras que o haviam empolgado no passado e sendo, por natureza, um homem afável, não confrontou certas abominações com a contundência cabível. 
Seu grande momento nos últimos anos: a luta por Battisti.
Ainda assim, com sua fala mansa, teve a coragem de divergir da tacanha linha justa em episódios como o dos pugilistas cubanos (despachados pelo governo brasileiro da forma mais sumária e arbitrária) e da blogueira Yoani Sánchez (a quem as autoridades daquele país tentavam impedir de viajar para cá, onde tinha um prêmio a receber). 
Afora haver tido, em 2009, a vergonha na cara de exigir a renúncia por corrupção do então presidente do Senado José Sarney, a quem, deploravelmente, Lula acabaria atirando uma boia quando estava prestes a submergir".
Parece não ter sido suficiente. E os que o agrediram verbalmente, decerto ignoram que Suplicy também tem sérios motivos de indignação contra o atual núcleo dirigente, pelo qual foi ostensivamente abandonado na última campanha eleitoral. Dilma e seu grupo o atiraram às feras, porque, com sua inquestionável integridade, era o espelho que revelava o quanto eles haviam se tornado Calibãs.

Pena que as mágoas tenham levado Suplicy a municipalizar-se, deixando de desenvolver a atuação nacional  à qual um homem de sua envergadura política e moral não deveria furtar-se num momento tão crítico da vida brasileira.  

Se o fizesse, talvez não o confundissem com os liliputianos, como o fizeram ontem. Embora relutante em usar sua força, Suplicy ainda é um Gulliver, um dos últimos sobreviventes políticos e morais de uma geração inesquecível. Merece respeito! 

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