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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

NINGUÉM PODE SERVIR A DOIS SENHORES: OU MORO ATUA COMO MINISTRO DA JUSTIÇA OU COMO ACOBERTADOR DE BOLSONARO.

leandro colon
PF DE MORO TERÁ CORAGEM PARA
 INVESTIGAR CAMPANHA DE BOLSONARO?
Aos fatos. Um homem de confiança do ministro do Turismo citou, em depoimento à Polícia Federal, as campanhas de Marcelo Álvaro Antônio a deputado e a de Jair Bolsonaro ao Planalto como possível destino da verba que deveria bancar as chapas de mulheres do PSL. 

Em planilha apreendida pela PF, nomeada como MarceloAlvaro.xlsx, há referência ao fornecimento para a campanha de Bolsonaro com a expressão out (pagamento por fora, segundo os investigadores).  
As informações acima foram publicadas neste domingo (6) pela Folha de S. Paulo. A reportagem é de Camila Mattoso e Ranier Bragon, que descobriram e revelaram o laranjal do PSL e o envolvimento do ministro filiado ao partido do presidente da República.

Um esquema de malfeitos com recursos públicos. Mutreta com dinheiro eleitoral. Após a revelação da Folha, a PF abriu inquérito, avançou e confirmou as falcatruas. 

Indiciou o ministro de Bolsonaro por falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa. Ato contínuo, o Ministério Público o denunciou.

O jornalismo profissional cumpriu seu papel e mostrou, mais uma vez, que é essencial na fiscalização do poder e do uso da verba pública. 

O caso dos laranjas do PSL já levou à queda de Gustavo Bebbiano da Secretaria-Geral da Presidência e tem deixado o titular do Turismo como um morto-vivo na Esplanada. 

Agora, o escândalo bate à porta da disputa presidencial e assusta o Planalto. Atuando como advogado de defesa do patrão, Sergio Moro tentou desqualificar o depoimento dado à PF e a planilha apreendida. 

Afirmou que Bolsonaro fez a campanha mais barata da história (talvez esteja falando de despesas oficiais) e disse que o Ministério Público e o delegado da PF não viram nada que comprometesse o presidente.

"Estes são os fatos", disse Moro, sem explicar se acessou dados sigilosos. Diante das novas suspeitas, a PF, subordinada ao Ministério da Justiça, terá coragem e autonomia para investigar a campanha presidencial? (por Leandro Colon)
"O homem que diz sou / Não é / Porque quem é mesmo é / Não sou"

domingo, 6 de outubro de 2019

ONDE O TRUMP VAI, O BOZO VAI ATRÁS. MAS, SEGUI-LO ATÉ NO IMPEACHMENT É EXAGERO!

josias de souza
LARANJAL DO PSL GANHA UM CONTEÚDO PRESIDENCIAL
O caso do laranjal do PSL mudou de patamar. Fez escala na caixa registradora da campanha de Jair Bolsonaro. Adquiriu, portanto, um conteúdo presidencial. 

De repente, a inexplicável permanência de Marcelo Álvaro Antônio no cargo de ministro do Turismo ganhou uma incômoda explicação. 

Notícia veiculada pela Folha de S. Paulo neste domingo (06/10) informa que a Polícia Federal suspeita que parte da verba desviada de candidaturas femininas fakes pode ter abastecido um caixa 2 compartilhado entre o ministro e o presidente nas eleições de 2018. 

Quer dizer: além de lavar as mãos, Bolsonaro pode ter ajudado a fazer desaparecer o sabonete. 

A PF dispõe de um depoimento e uma planilha que apontam para a existência da caixa clandestina mútua. Haissander Souza de Paula, ex-assessor parlamentar de Álvaro Antônio, coordenador da campanha dele a deputado federal por Minas Gerais, disse em depoimento acreditar que "parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro". 

Sintomaticamente, o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Maurício Valeixo —aquele que Bolsonaro ameaçara de demissão—, esteve com o presidente no final da tarde de 6ª feira.

A conversa ocorreu nas pegadas da revelação de que o ministro do Turismo fora indiciado pela PF e denunciado pelo Ministério Público.

O encontro não estava agendado. Mas o Planalto incluiu o nome de Valeixo na agenda presidencial, às 17h. Na véspera, o próprio ministro do Turismo tivera uma longa conversa com o presidente. Depois, foi confirmado no cargo. Se quiser salvar as aparências, Bolsonaro terá de afastar o ministro. Ou convencê-lo a sair. 

Tarimbado em escândalos, o brasileiro vai adquirindo uma certa prática. Adapta-se à lógica da política. No fundo, sabe como tudo vai acabar, pois o Brasil não é mais um país imprevisível. Tornou-se tristemente previsível. Nele, a maioria dos políticos opera na base do um por todos, todos por huuummmmm. (por Josias de Souza)

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O MINISTÉRIO DO BOZO É DIGNO DE UM FILME. PENA QUE O TÍTULO IDEAL JÁ FOI UTILIZADO: "FEIOS, SUJOS E MALVADOS"

josias de souza
DESCASO ÉTICO CRIA NO GOVERNO UM DRAMA ESTÉTICO
Indiciado pela Polícia Federal por falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa, Marcelo Álvaro Antônio permanece na poltrona de ministro do Turismo. 

Já estava entendido que o compromisso de restauração da moralidade assumido por Jair Bolsonaro com seus eleitores em 2018 virou estelionato eleitoral. Mas o cemitério de reputações que cresce ao redor do presidente produziu um quadro dramático. 

O ministério do Bolsonaro...
O problema da atual administração não é mais apenas moral. Considerando-se o desprezo de Bolsonaro pela ética na política, uma dose de preocupação com a estética do seu governo já seria um extraordinário avanço. 

Imaginou-se que houvesse método no descaso. O bolor, por contraste, conferiria à imagem do capitão um insuspeitado frescor. 

Sucede, entretanto, o oposto. Ou o presidente começa a afastar os feios que se acotovelam à sua volta ou consolidará sua imagem de personagem horroroso. 

Afora o titular do Turismo, enrolado no laranjal do PSL mineiro, há na Esplanada personagens como um ministro denunciado por fraude em licitação e tráfico de influência (Luiz Henrique Mandetta, da Saúde) e um condenado por improbidade (Ricardo Salles, do Meio Ambiente). 

...e o elenco de Feios, sujos e malvados.
No Planalto, despachando a um lance de escada do gabinete presidencial, há um outro ministro que confessou ter feito caixa dois (Onyx Lorenzoni, da Casa Civil). 

Na liderança do governo no Senado, há um ex-ministro de Dilma Rousseff às voltas com inquérito por corrupção (Fernando Bezerra). 

Tudo isso e mais o primogênito Flávio Bolsonaro, momentaneamente blindado por duas liminares do STF contra os avanços de um processo por peculato e lavagem de dinheiro. 

Incapaz de oferecer bons exemplos ao país, o presidente transforma sua despreocupação com a ética num ótimo aviso. (por Josias de Souza)
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