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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

UM ALERTA: SUPLICY CORRE RISCO DE SER ATACADO PELAS TURBAS ULTRADIREITISTAS!

O jornalista alagoano Cláudio Humberto Rosa e Silva se tornou nacionalmente conhecido como assessor de imprensa de Fernando Collor de Mello, tanto durante a campanha eleitoral quanto depois de empossado na Presidência da República. 

Agora mantém uma coluna política publicada em vários jornais brasileiros. 

Nesta 6ª feira (28), assim abordou o possível paradeiro do escritor Cesare Battisti:
"Fontes policiais desconfiam que o terrorista italiano Cesare Battisti estaria escondido em território nacional, e em São Paulo... 
Uma das pistas investigadas dá conta de que importante político do PT paulista estaria escondendo o terrorista. 
Escola Base (*): multidões não hesitam em barbarizar 
O político petista que estaria escondendo o Battisti teria ajudado a criar no Congresso, anos atrás, um comitê de solidariedade ao terrorista". 
Um grande problema que os jornalistas enfrentamos ao lidar com informantes da política, da polícia, etc., é a possibilidade de eles estarem nos soprando algo que lhes convém colocar em circulação e não necessariamente a verdade.

Isto parece ter acontecido mais uma vez, pois não faria nenhum sentido o Cesare abrigar-se com o ex-senador Eduardo Suplicy (alvo óbvio da insinuação), um dos primeiros defensores de sua causa de quem as autoridades suspeitariam.  

Torço para que o Suplicy, agora sem mandato, não sofra arbitrariedades, nem seja retaliado com ações concertadas das turbas ultradireitistas (como a desencadeada contra a brilhante jornalista Patrícia Campos Mello quando ela desmascarou as ilegalidades de campanha de Jair Bolsonaro). 
.
* episódio ocorrido na capital paulista em 1994, quando um delegado ávido por holofotes acusou precipitadamente de assédio sexual os proprietários de uma escola para crianças. 

Por causa do sensacionalismo da mídia, os coitados tiveram a escola depredada e quase foram linchados. Comprovada sua inocência, a Justiça condenou o governo paulista e vários veículos da imprensa a indenizarem-nos. (Celso Lungaretti) 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O 'MONSTRO DA MAMADEIRA' E OS MONSTROS DA LEI E ORDEM

A coluna desta 5a. feira de Rogério Gentile na Folha de S. Paulo, Injustiça brasileira, expõe um caso semelhante ao da Escola Base --aquela acusação igualmente precipitada e bombástica (assédio sexual) que, em 1994, um delegado ávido por holofotes fez aos proprietários de uma escola para crianças em São Paulo. 

A mídia sensacionalista açulou a turba e os coitados tiveram a escola depredada, além de quase serem linchados. Depois, ficou provado que eram inocentes.

É revoltante ao extremo. Transcrevo-a na íntegra.

Daniela Toledo do Prado tinha 21 anos quando foi acusada por uma médica, em uma sala de emergência, de cometer um crime pavoroso: matar a própria filha, uma criança de um ano e três meses, com uma overdose de cocaína.

Em estado de choque, sem conseguir dizer quase nada em sua defesa, foi presa e levada pelos policiais, sob gritos de "vagabunda", para a cadeia, onde foi espancada.

Seu rosto ficou desfigurado. Teve a clavícula e a mandíbula quebradas. Perdeu a audição do lado direito -uma das detentas enfiou e quebrou uma caneta em seu ouvido. Apesar dos gritos, ninguém a socorreu e, somente após duas horas, foi levada, em coma, para o hospital.

Trinta e sete dias depois, porém, foi solta quando um laudo provou que não era cocaína o pó branco achado na mamadeira e na boca da menina. Mesmo assim, a Justiça só a absolveu em 2008, dois anos após perder a filha e, como ela costuma dizer, a sua própria vida.

Desempregada, evita até hoje sair de casa sozinha por medo de apanhar em razão da repercussão do caso -era chamada de "monstro da mamadeira". Toma antidepressivos, assim como seu filho de oito anos; diz sofrer dores fortes na cabeça e convulsões. "Não me esqueço do delegado. Dizia ter aberto o corpo de minha filha, que estava cheio de cocaína."

Embora terrível, o caso de Daniela não é uma exceção no Brasil. Cerca de 205,5 mil pessoas, ou 40% do total, estão encarceradas, muitas há anos, sem julgamento. São os chamados "presos provisórios", confinados frequentemente nas mesmas celas de criminosos condenados.

Quantos, de fato, são culpados e deveriam mesmo estar presos? Impossível saber. Os que um dia conseguirem provar sua inocência poderão recorrer à própria Justiça em busca de indenização. Daniela, após tanto sofrimento, conseguiu. Ganhará módicos R$ 25 mil e uma pensão mensal vitalícia de R$ 414. Isso, claro, se o governo Alckmin, que nega culpa do Estado no episódio, não conseguir reverter a decisão.

P.S.: pesquisando o caso para esclarecer a dúvida de um leitor, descobri que ele é pior ainda do que parece. Tratou-se de uma ARMAÇÃO para desqualificar Daniela, que havia denunciado um quintanista de medicina por ESTUPRO. Há um extenso relato aqui. Minhas sinceras desculpas por ter fornecido informação incompleta.
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