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segunda-feira, 28 de março de 2022

MAIS UM MINISTRO DO BOZO É PEGO NO FLAGRA E SAI PELA PORTA DOS FUNDOS

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eu último emprego como jornalista profissional foi na empresa de comunicação empresarial do Antonio De Salvo, que havia sido o terceiro relações públicas a surgir no Brasil e era então o único que continuava em atividade.

Com décadas de experiência nas costas, ele aconselhava os empresários seus clientes a, quando algum escândalo os envolvia, só lutarem para provar inocência se fossem real e totalmente inocentes.

Se as acusações que sofriam tinham um tanto de verdade, alertava ele, esse tanto acabaria se tornando do conhecimento público e, a partir daí, nada que o fulano alegasse voltaria a ter credibilidade.

Então, sua orientação era no sentido que fosse distribuída uma nota à imprensa (que ele mesmo redigia), na qual o cliente admitia sucintamente a culpa, sem entrar em muitos detalhes.

"Isto – explicava ele – servia para dar uma satisfação à imprensa. Então ela cantava vitória e, não se tratando de um assunto de grande importância, considerava o episódio encerrado ."

Jair Bolsonaro fez tudo errado, como sempre. Relutou durante uma semana até tomar a providência óbvia e obrigatória, o que apenas serviu para o escândalo permanecer 7 dias na vitrine, com novos e escabrosos detalhes sendo acrescentados a cada instante.

E, por ter demorado demais para afastar um ministro encalacrado até o pescoço, fez Deus e o mundo perceberem que ele também tinha culpa no cartório – e muita!

O desfecho inescapável, se adotado na hora certa, até reforçaria seu prestígio (se é que ainda lhe sobra algum...). 

Mas, depois da eternidade que demorou, esta só pode ser interpretada pelos bípedes racionais como outra derrota pessoal do Bozo: quis segurar a onda até o escândalo esfriar, mas não aguentou a pressão e capitulou, mandando o Milton Ribeiro vazar.

Quem é burro, peça a Deus que o mate e ao diabo que o carregue, dizia um velho provérbio lusitano. (por Celso Lungaretti) 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

UM ERRO CRASSO QUE OS GRÃOS PETISTAS COMETEM QUANDO ESTÃO NA BERLINDA

Falta um De Salvo...
O italiano Antonio De Salvo (1937-2008) foi um dos pioneiros das relações públicas no Brasil. Trabalhei na sua agência durante sete anos e aprendi muito com ele sobre a administração de crises, já que eu era o redator incumbido dos textos nela utilizados. 

Para o bem e também para o mal. Recordo-me com orgulho de algumas vitórias difíceis para as quais contribuí e com pesar daquilo que delas resultou, como termos adiado por quase um ano a quebra de uma empresa que aproveitou a sobrevida para lesar mais incautos. 

[Vale ressalvar, contudo, que não agimos com má fé: a tal empresa pretendia continuar na ativa, mas, após a termos salvado, percebeu que não conseguiria mais viabilizar-se e aí passou a tramar uma falência esperta, que deixasse seu presidente no lucro e os investidores no prejuízo...]  

Uma das lições que De Salvo me transmitiu foi a de que devíamos lutar até o fim para provar a inocência de um cliente que estivesse injustamente na berlinda, mas encerrar logo a questão quando nosso cliente tivesse alguma culpa, mesmo que pequena, no cartório. 

Por quê? Porque quanto mais esperneasse, mais noticiário adverso colheria. A imprensa é implacável quando agarra um osso e acaba sempre tirando esqueletos do armário. Então, a cada nova reportagem bombástica, mais a imagem da empresa ou do empresário piora aos olhos do cidadão comum. 
...para evitar que Lula seja presa fácil da mídia.

O melhor, aconselhava ele, era admitir-se logo a culpa, com uma declaração sucinta, para tirar o episódio o quanto antes do noticiário. 

Mais tarde, depois que a onda houvesse passado, é que poderíamos consertar pouco a pouco os estragos, com campanhas de imagem e outras iniciativas de RP. 

É o que os grãos petistas quase nunca fazem. E é o que, quando envolvidos em escândalos, os torna tão vulneráveis à ação da imprensa. Desmentem tudo de pronto, taxativamente, e são depois surpreendidos pelo trombetear altissonante de evidências e testemunhos no sentido contrário, desencavados pelos repórteres. 

Espectadores, ouvintes e leitores ficam duplamente indignados: em primeiro lugar, pelo motivo das denúncias em si; em segundo lugar, por perceberem que os denunciados os tentaram iludir, pois faltaram com a verdade ao alegarem inocência total e absoluta.

Se o De Salvo ainda estivesse vivo, poderia orientar bem melhor o Lula do que seus conselheiros atuais.  

sexta-feira, 27 de março de 2015

A GRAÇAS ESTAVA TÃO SEM GRAÇA NA CPI QUE DEU PENA...

"A Petrobrás merecia um gestor muito melhor do que eu"
Trabalhei com Antonio De Salvo, um dos pioneiros das Relações Públicas no Brasil. Ele aconselhava os seus clientes a, quando aparecesse na mídia uma acusação totalmente injusta contra eles, lutarem até o fim para o esclarecimento dos fatos. Mas, se a acusação tivesse um pingo de verdade, o melhor era admitirem-na rapida e sucintamente, pedirem desculpas, pagarem indenizações, tomarem medidas para reparar o malfeito, etc.

Porque, explicava ele, quando alguém está em posição falsa mas se recusa a admitir o erro, os repórteres ficam escarafunchando o caso até encontrarem motivos para colocar tal pessoa no pelourinho da opinião pública. O episódio repercutiria muito mais e o que se tentava esconder acabaria aparecendo e determinando um desfecho desastroso. 

Ainda que a mentira ou falha descoberta tivesse sido de pequena monta, seria suficiente para os leitores suspeitarem da existência de muito mais podres por baixo do pano, "cesteiro que faz um cesto, faz um cento".
"Mea culpa  desarma acusadores" 

mea culpa desarma os acusadores, que se retiram comemorando vitória e vão procurar outros alvos.

Foi melancólico o depoimento da ex-presidente da empresa, Maria das Graças Foster, à CPI da Petrobrás, confessando-se "envergonhada" da roubalheira que veio à tona nos últimos tempos. Eis algumas frases:
"Eu entrei aqui nas outras CPIs, em audiências, com muito mais coragem do que entro hoje aqui. [Porque] poderiam ter todas as suspeitas mas não tinha os fatos que estão aí, para serem apurados, evidentemente. Eu tenho realmente um constrangimento muito grande por tudo isso, de olhar pra vocês... 
"Gostaria que tudo isso fosse mentira e que não tivesse tido propina alguma...
"A Petrobrás merecia um gestor muito melhor do que eu, eu não tenho a menor dúvida disso".
Deixou a impressão de ser uma mulher digna, que desempenhou um mau papel para ser leal a outrem e hoje se arrepende amargamente disto. Foi ingenuidade dela supor que não acabaria sendo acuada pelas descobertas da Operação Lava Jato. Agora que foi para a rua da amargura e o castelo de cartas desabou, sua sensação deve ser a de quem sofreu perda total.
Coragem de fazer o certo

Assim como no caso de José Genoíno, eu botaria a mão no fogo quanto a Graças não haver tirado proveito pessoal do esquema de corrupção. Deu pena ver um preso e a outra com a reputação em frangalhos por preferirem errar junto com o grupo do que assumir individualmente uma posição correta.

Quem riu por último foi o Paulo de Tarso Venceslau, que, colocado na mesma situação (vide aqui), recusou-se a fechar os olhos às falcatruas. Foi expulso do PT, mas saiu com a dignidade intacta e o moral elevadíssimo. 

Agora, se quiser, poderá atirar na cara dos dirigentes petistas que os alertou da existência de um ovo de serpente sendo incubado pelo partido, em tempo hábil para evitarem que o mal crescesse. Os que optaram pelo acobertamento em 1988 são os culpados pelo atual infortúnio de Graças e Genoíno, pela destruição da Petrobrás e pela desmoralização do PT.
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