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terça-feira, 5 de março de 2019

VENEZUELA INTIMIDA SEUS MÉDICOS, COAGINDO-OS A ENCOBRIREM EPIDEMIAS. DITADURA BRASILEIRA AGIA IGUALZINHO...

Maduro segue os passos da ditadura brasileira
O artigo abaixo, simplesmente chocante, é da Cláudia Collucci, uma jornalista especializada em saúde, autora dos livros Quero ser mãe e Por que a gravidez não vem?

Ou seja, foi escrito por uma profissional especializada no assunto, movida por uma preocupação legítima e não por preconceitos ideológicos.

Aponta mais um componente da tragédia humanitária na qual se transformou a Venezuela. 

Antigamente, os pilantras que fazem do anticomunismo uma profissão costumavam comparar os países tidos como tais a  focos infecciosos.

Lamentavelmente, a Venezuela hoje merece ser assim tratada, e não no sentido figurado. Está mesmo espalhando pelo nosso continentes as doenças causadas pela miséria. 

E o pior é que esconde a verdade debaixo do tapete, a exemplo do que a ditadura brasileira fez com a grave epidemia de meningite que por aqui grassou no início dos anos 70.
Ou seja, tanto quanto Médici, Maduro usa a repressão para impedir que seus profissionais conscienciosos cumpram o dever de alertarem publicamente para o perigo a que estão sendo expostos o próprio povo e os habitantes dos países vizinhos. 

Canso de repetir: só resta decidir-se que tipo de governo substituirá o de Maduro. Quanto a que ele tem de vazar, isto é indiscutível. (por Celso Lungaretti)

VENEZUELA EXPORTA MALÁRIA E
 ACENDE ALERTA INTERNACIONAL
Ainda é Carnaval, mas os problemas de saúde pública seguem sem pausa para a folia. Um deles tem a ver com a crise humanitária na Venezuela e o impacto que ela já traz no aumento das infecções por malária, dengue, zika e doença de Chagas.

O alerta vem de um recente estudo publicado na revista científica The Lancet para doenças infecciosas. 

Alguns surtos e epidemias já avançam para além das fronteiras venezuelanas, atingindo países como o Brasil e a Colômbia, e os pesquisadores pedem para que a Organização Mundial de Saúde declare a situação como uma emergência em saúde pública de preocupação internacional.

Há razões de sobra para o temor de que a situação se torne incontrolável, tendo em vista o ressurgimento do sarampo, da difteria e o aumento contínuo dos casos de malária na região. 

A dengue quintuplicou entre 2010 e 2016, atingindo uma média de 211 a cada 100 mil pessoas, e os surtos de chikungunya e zika têm grande potencial epidêmico, segundo os autores. Havia cerca de 2 milhões de casos suspeitos de chikungunya em 2014 (último ano em que os dados foram repassados à OMS), mais de 12 vezes a estimativa oficial.

Com o colapso do sistema de saúde venezuelano, a partida em massa de médicos treinados, a redução nos programas de saúde pública e de controle de doenças, além da escassez de medicamentos, as chamadas doenças vetoriais (transmitidas por insetos como mosquitos e carrapatos) estão aumentando e se espalham para novas regiões.

No estudo, os pesquisadores revelaram que os casos de malária na Venezuela aumentaram 359% entre 2010 (29.736 casos registrados) e 2015 (136.402 casos). Apenas entre 2016 e 2017, o crescimento foi de 71% (de 240.613 para 411.586 casos. Lembrando que o país já foi declarado livre da doença pela OMS em 1961.

No Brasil, Roraima já sentiu os impactos. Segundo dados citados no estudo, entre 2014 e 2017 o estado registrou cerca de 48 mil casos de malária, dos quais 20% importados da Venezuela. Em outros países, dizem os pesquisadores, a situação ainda não está clara.

Com o aumento das viagens aéreas e da migração humana, outras regiões da América Latina e do Caribe (assim como algumas cidades dos EUA que abrigam a diáspora venezuelana, incluindo Miami e Houston) também correm maior risco de ressurgimento da doença, segundo o artigo.

Martin Llewellyn, pesquisador da Universidade de Glasgow e líder do estudo, que envolveu pesquisadores da Venezuela, Brasil, Colômbia e Equador, afirma que os números provavelmente estão subestimados. O governo venezuelano fechou no ano passado a instituição responsável pela coleta de dados da vigilância sanitária daquele país.
Lá como cá, as milícias tocam o terror
"Os médicos venezuelanos envolvidos neste estudo também foram ameaçados de prisão, enquanto laboratórios foram roubados por milícias, discos rígidos removidos de computadores, microscópios e outros equipamentos médicos destruídos."
Os pesquisadores pedem aos membros da Organização dos Estados Americanos e a outros órgãos políticos internacionais que pressionem mais o governo venezuelano a aceitar a assistência humanitária oferecida pela comunidade internacional para fortalecer o sistema de saúde.

Mas essa possibilidade parece cada vez mais distante, ainda mais agora com o fechamento da fronteira pelo presidente Nicolás Maduro para impedir a entrada de comboio com alimentos e mantimentos dos Estados Unidos, Brasil e Colômbia.

Para pesquisadores brasileiros como Sérgio Luz, do Instituto Leônidas & Maria Deane/Fiocruz Amazônia, um dos autores do estudo, o trabalho publicado no The Lancet reforça a necessidade de se criar um sistema de vigilância epidemiológica nas fronteiras, com uma rede de laboratórios de referência apoiados para o enfrentamento dessas situações.

Ele lembra que foi pela fronteira de Roraima que o Aedes aegypti foi reintroduzido no Brasil, no final da década de 1960, depois de o país ter recebido, em 1958, certificado da OMS de erradicação do mosquito. O fim (ou a falta de fim) dessa história a gente já conhece bem. 
(por Cláudia Collucci)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O BRASIL VAI DE MAL A PIOR: DEPOIS DA ZIKA, A SÍFILIS!

Poucos têm tantos motivos como eu para suspeitar dos conteúdos da Folha de S. Paulo; já perdi a conta das batalhas que travei com tal jornal, acusando-o de tendenciosidade.

Mas, o exercício do jornalismo ensinou-me a distinguir os textos com deformação ideológica daqueles que cumprem apenas funções primordiais da imprensa, como as de informar, interpretar e alertar.

É o caso do editorial desta 3ª feira (23) da Folha, que precisa ser conhecido pelo máximo de brasileiros, pois trata de outro gravíssimo problema de saúde pública, a requerer as mais urgentes providências. Leiam, avaliem, difundam.
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ATÉ SÍFILIS
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"Há certas notícias do Brasil que parecem nos transportar de volta ao século 19, ou antes. Não bastassem zika, chikungunya e dengue, viroses transmitidas pelo velho e conhecido mosquito da febre amarela, o país vê explodirem também os casos de sífilis congênita.

Em 2014, último dado disponível, foram 16.266 ocorrências de nascituros infectados. Entre gestantes, a incidência quase quadruplicou, indo de 7.920 casos, em 2008, para 28.226, seis anos depois.

Para comparação: há 508 casos confirmados de microcefalia desde outubro, que provocaram alarme nacional. Os números da sífilis são coisa muito mais séria.

A infecção pela bactéria Treponema pallidum, ao ser transmitida da mãe para o bebê, pode causar malformações ósseas no feto (inclusive microcefalia). Se não for tratada até um mês de vida, há risco de cegueira, surdez e retardo mental.

Neste caso, não há uma população de insetos fora de controle por incúria do poder público. Há, isso sim, uma coleção de falhas –passadas e presentes– das autoridades de saúde.

Atribui-se a explosão de sífilis, primeiro, a um aumento de notificações. O problema já existiria faz muito e não teria sido conhecido na sua real dimensão. Ora, isso só demonstra um fracasso do sistema de vigilância sanitária, mitigado por avanços mais que tardios.

Há fatores concorrentes e mais atuais. Tantas mulheres infectadas evidenciam uma frequência ainda alta de sexo desprotegido, a atestar a deficiência dos programas governamentais de educação e prevenção a respeito de doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Outra explicação, ao que tudo indica ainda mais grave, é a falta de medicamentos para tratar as mães e sua prole –há carência das duas modalidades de penicilina (benzatina e cristalina). Levantamento do Ministério da Saúde em janeiro apontou desabastecimento em 16 Estados.

Se a sífilis é a mais conhecida DST, a penicilina é o pai de todos os antibióticos. A substância foi identificada em 1928 a partir do fungo Penicillium por Alexander Fleming e abriu uma nova era de combate a germes que afligem a humanidade desde o início da espécie.

Há algo de muito enfermo em um sistema de saúde que não consegue, em pleno século 21, manter e distribuir estoques adequados de um remédio tão básico."
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