segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A SOBREVIDA DO CAPITALISMO PARECE A DOS ZUMBIS DA FICÇÃO: FALTA-LHE VIDA, MAS NÃO SE CONFORMA COM A MORTE.

dalton rosado 
A CONJUNTURA POLÍTICO-ECONÔMICA MUNDIAL 
"As máquinas e robôs da Inteligência Artificial farão mais 
e melhor as coisas que o homem pode fazer...  Vamos
instituir uma renda básica universal para suprir 
a capacidade de consumo" (Elon Musc)
Nos últimos 200 anos, o mundo conviveu com a repetição cíclica de crises do capitalismo e com guerras civis e a busca de hegemonia de países contra países. A conclusão é clara: o capitalismo é genocida.      

Agora, quando a depressão econômica mundial se expressa na queda acentuada da curva de crescimento do PIB mundial simultaneamente ao aumento da dívida privada e pública, numa rota de acelerada de colisão rumo ao colapso, com ele vem a desagregação política de uma ordem criada para servir ao Deus Valor, que se autodestrói pelos próprios fundamentos.

Assim, a disfuncionalidade social da metafísica do capital gera a inconciliável briga por um espólio falido pela via política que é incapaz de compreender e aceitar que a lógica do capital chegou ao fim da linha, com os governos e seus governantes ególatras querendo continuar o féretro de um defunto que insiste em não ser sepultado. 

Há coisa mais ridiculamente narcisista, mas belicamente perigosa, do que a reencarnação do lebensraum nazista pelo TrumPIRATA do Caribe querendo ser dono do mundo? 

Na esteira da megalomania político-econômica de bilionários na política se pode aceitar que eles instituam um voucher de sobrevivência por eles controlado, como propôs Elon Musk?!

Por outro lado, diante da clara decadência do capitalismo estadunidense ora em curso, que se soma à decadência das nações da União Europeia, acirra-se a disputa pela hegemonia capitalista, por parte dos países que se aglutinam como força de produção de mercadorias a partir da junção de multinacionais que se deslocam dos países de origem em busca de mão-de-obra barata.

Trata-se de um endividamento crescente para fazer face à exigência de capital constante (equipamentos, instalações, energia, pesquisa, etc.) e subsídios fiscais. Tal deslocamento da produção de mercadorias se soma ao fenômeno da Inteligência Artificial, ao permitir que máquinas simulem habilidades humanas nos vários campos da vida social.

Com isto o trabalho abstrato se torna cada vez mais prescindível, em maior parte na produção de mercadorias, gerando novos nichos de receita para os países detentores dessa tecnológica microeletrônica/cibernética, mas que, paradoxalmente, implode toda a lógica de produção do valor, ou seja, torna inviável a relação social capitalista pela redução da massa global de valor.

Sem produção de valor nos níveis necessários para a irrigação funcional da mediação pelo dinheiro como valor válido (ou seja, advindo da produção de mercadorias), todo o organismo capitalista morre de inanição.
 
O dinheiro, que deveria ser a expressão monetária do valor, agora é em grande parte dele desconectado: vive sob emissão de moeda sem lastro, oficial mas falsa, gerando inflação. Tal fenômeno ora assola o mundo inteiro.

Sendo ele a mercadoria das mercadorias e a única sem valor de uso intrínseco (não passa de uma abstração meramente numérica no mais alto grau de sua metafisica funcional), o dinheiro, quando desconectado do valor, corresponde ao recurso suicida de uma ordem econômica que roda em falso, como ora ocorre.

É sob esse contexto de depressão capitalista que a guerra comercial perde espaço para a força militar altamente desenvolvida sob um comando político de governos que manipulam a insatisfação popular, inconsciente do que está por trás da perda coletiva da qualidade de vida pela maior parte da população.

O crescimento eleitoral da direita no mundo atual se escuda numa mentira de salvação, tal como cresceu Hitler diante da penúria da Alemanha no final da década de 1920 e ao longo dos anos 30, com a enganosa cantilena nacionalista e racista de retomada alemã do progresso e prosperidade.  

Enquanto isto vivemos o aquecimento global gerado pela emissão na atmosfera dos combustíveis fósseis, com o petróleo ainda disputado a tapa e novas extrações sendo liberadas como fonte de sustentação econômica.    
      
A irracionalidade da permanência do uso dos combustíveis fósseis se prende advém de haver uma enorme gama de atividades econômicas ligadas à produção e comercio dos combustíveis na era do desemprego estrutural, tornando-se uma exigência suicida do sistema produtor de mercadorias; tudo converge a uma fuga para a frente, como se fôssemos uma manada que segue veloz para o precipício.   

Há, portanto, uma cegueira quanto à identificação social da causa dos problemas e, mais ainda, da solução dele.

A causa fundamental dos problemas sociais reside no sistema produtor de mercadorias que entrou numa espiral de contradições que revelam a sua ilogia diante do avanço do saber tecnológico aplicado ao próprio sistema e por ele provocado paradoxalmente; e com ele, a queda da máscara de caráter democrático da política.

Ora, por que não se quer identificar a causa do problema e se intensifica a prática dessa mesma causa como solução?

Por que não se pode produzir bens de consumo e serviços apenas pelo seu valor de uso que satisfaça as necessidades humanas e sociais, superando-se o famigerado valor de troca, substrato oportunista de uma relação social escravista?

Em sua maioria, os economistas (principalmente os burgueses) só apontam saídas ineficazes, ignorando os números macroeconômicos, sem falar que precisam eles mesmos criticar a ciência da qual e na qual são profissionais? 

Tais números estão a demonstrar a correção dos prognósticos de Karl Marx em sua crítica da economia política, na qual demonstrou cientificamente a marcha para o que hoje está a ocorrer.

Nada se faz nesse sentido, justamente porque a negação do valor de troca desnudaria toda a engrenagem da dominação política que está posta a seu serviço.   

As populações empobrecidas do mundo, cuja grande rebelião ora atinge pincipalmente a juventude que chega à idade adulta esbarrando no desemprego estrutural, precisam tomar consciência de que nunca foi tão factível se prover as necessidades de consumo.

Bastaria aliar-se o uso das máquinas ao conhecimento adquirido pela humanidade nos vários campos do saber que promove níveis de produtividade jamais imaginados. Como? Destravando-se da vida social o famigerado critério da viabilidade econômica, que impõe a todo o fazer uma paralisia inaceitável.

Antes de nos armarmos para a guerra, por que não nos desarmarmos para a paz, diferentemente do que propõe o entusiasta digno do Prêmio Nobel da Guerra, sentado na cadeira presidencial dos EUA como se fosse chefe de gang de bullying de escola primária?

Viva Karl Marx e sua crítica da mercadoria, contida no livro O Capital, praticamente um resumo de tudo o que escreveu (por Dalton Rosado)

6 comentários:

Anônimo disse...

Quando instalei energia elétrica numa chácara que tinha cedi ao meu vizinho e as primeiras coisas que ele comprou foram uma máquina de lavar (um tanquinho) e uma bomba de água para o poço.
Daí para frente a vizinha nunca mais ficou sem e sobrou um tempinho para cuidar de outras coisas.
Veja-se que acréscimos de tecnologia são usados a priori para diminuir o trabalho manual.
***
Num mundo em evolução tecnológica constante isso se torna exponencial.
O comunismo é até mais honesto no seu telos de qeue a luta de classes resultará em uma sociedade sem classes e desenvolvimento humano.
O telos do capitalismo é que o progresso e o mercado realizem a acumulação infinita.
Ambas as visões são idealistas e desconsideram que o futuro está em aberto.
São os acréscimos tecnológicos e humanos que estão se acumulando e resultarão em algo que não será o fim da história e nem a culminância de nenhum sistema.
São encontros aleatórios que se estabilizam temporariamente sem telos inerente.
***
Um cadeia de causas estocásticas sempre tem a frente o cone da incerteza e a certeza de que a aleatoriedade continuará.
Avante!
SF

Anônimo disse...

Caro SF, que bom voltar a me comunicar com você e seus comentários sempre instigantes.
Há uma incompatibilidade da lógica de reprodução do valor, criada a partir de uma forma de continuidade da antiga escravização (agora pela extração de mais valia a partir da subtração ou apropriação indébita do valor criado e produzido coletivamente) e a eliminacao substancial desse modo de produção pelo avanço tecnológico que tornou prescindível, em maior parte, esse mesmo modo de produção (pelo trabalho abstrato produtor de valor).
Assim, não é difícil se deduzir que as sociedades futuras terão outro móvel de relação social fora do capitalismo; e bem mais cômodo.

Anônimo disse...

Graças ao Dalton e seu palavreado difícil comecei a estudar o que seria teleologia e reificação - dentre outras palavras que embutem conceitos fundamentais ao pensamento.
Com surpresa percebi que telos é presente em quase toda ideia que se tem.
E que telos é uma transcendência que pode e de ver ser confrontada pela crítica para não virar invencionice.
Um falso prognóstico é mortal, as vezes.
Decerto não voltaremos ao comunismo primitivo e estamos num tempo de abundância que só o telos capitalista tem impedido de se consolidar.
Será um salto existêncial imenso e grandes mentes estão preparando essa possibilidade.
O capital colapsa, mas ainda tenta a acumulação e o monopólio com a desculpa de que enriquecerá a todos... pura enganação que a mais simples observação, magnificada no terceiro mundo, desmente.
E é até racional: não mais o que beneficia o indivíduo, mas o coletivo, tem chance de dar certo.
Avante!

Anônimo disse...

Oi

Anônimo disse...

Oi

Anônimo disse...

Oi

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