Em junho/2012 escrevi que estava dando o primeiro passo de uma longa caminhada. Fui otimista demais |
A convite de um assessor de Carlos Giannazi, então candidato a prefeito de São Paulo, nele ingressei em 2012 para disputar a vereança.
Meu objetivo era utilizar o mandato para criar uma central de denúncias das maracutaias e descalabros não só da administração municipal, como também da estadual e federal.
Não vou recordar agora as decepções que me levaram a abandonar, tão logo as urnas se fecharam, a militância ativa. Mas, como continuava respeitando os princípios do Psol, optei por não me desfiliar, apenas me afastar.
Agora, contudo, não deu mais pra segurar. Lamento pelos bons companheiros que conheci lá, porém nada mais me ligava a um agrupamento político que pretendia ser uma alternativa ao Partido dos Trabalhadores e, melancolicamente, regrediu a força auxiliar do PT, cuja direitização não cessou de aumentar ao longo dos últimos dez anos.
Fiz minha opção revolucionária no início de 1968, após passar parte das férias escolares aprendendo marxismo ao lado de outros interessados. No semestre anterior havia começado a atuar politicamente na minha escola, o Colégio Estadual MMDC, na Mooca (zona leste paulistana).
Mesmo ressabiado, tentei. O que mais podia fazer, remando contra a corrente? |
O certo é que já comecei (e dele nunca saí) no campo da esquerda socialista, que não via necessidade de uma etapa democrático-burguesa e mirava a superação imediata do capitalismo, tendo como sujeitos revolucionários os assalariados da cidade e do campo.
Já os adversários pregavam uma revolução popular, com papel destacado do campesinato que, segundo eles, estaria disposto a lutar pela propriedade privada da terra por ele cultivada, mas não pelo cultivo conjunto dessa terra em bases solidárias.
E o primeiro programa teórico que redigi na vida foi a plataforma da Frente Estudantil Secundarista para o congresso da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, em que, baseado no texto famoso da Rosa Luxemburgo, caracterizei nosso lado como revolucionário e o outro lado como reformista.
Meio século depois, mantenho a firme convicção de que nosso papel é darmos um fim à exploração do homem pelo homem, ao invés de apenas a suavizarmos com a distribuição aos explorados de algumas migalhas do banquete capitalista. Então, não teria como continuar nesse Psol de 2022.
O importante é que nossos princípios sobrevivam! (por Celso Lungaretti)
4 comentários:
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Acredito que fez muito bem.
Fazer parte de coletivos dogmáticos e muito estressante.
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Assisti "Chung Kuo - Cina 1972" (M. Antonioni), tem no youtube, e vi o que foi a coletivização e como o gênio supera a mesmice dogmática.
Política = falácia.
E ponto
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coerência com sua vida e luta, sempre tentando ser o que você é, desde a adolescência aguerrida no movimento secundarista.
ST, a coletivização autoritária foi trágica na União Soviética e na China, mas isso não tem nada a ver com o ideal marxista.
Todas as distorções começaram quando um receituário para os países mais desenvolvidos dividirem equitativamente suas riquezas entre os cidadãos foram transpostas para os países menos desenvolvidos cumprirem as etapas anteriores de revolução burguesa e acumulação primitiva do capital, ainda por cima sob ameaça de inimigos externos e guerras iminentes, no caso da URSS correndo contra o tempo.
Geraram-se monstros. Mas o dr. Frankenstein nunca se chamou Karl Marx.
Um abração!
Meu caro Breogan, fiquei contente em te encontrar aqui.
Acredito que doravante teremos mais assuntos a tratarmos.
Um forte abraço!
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