sábado, 17 de setembro de 2016

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO DO ENFERMO PODE CURÁ-LO DO CÂNCER?

Por Apollo Natali
A antiga máxima, mente sã em corpo são, já sugeria que a boa saúde física depende de sentimentos e ações equilibradas. Mas, há quem tenha aprofundado o assunto, não só falando sobre uma possível ciência dos sentimentos e ações, como apresentando provas de que algumas emoções e comportamentos podem até causar tumores cancerígenos. Ou curar enfermidades.

O médico e pesquisador alemão Ryke Geerd Hamer garante: um trauma que provoque um sentimento de perda irremediável, impossível de ser compartilhado com alguém (como a perda de um filho, p. ex.), eventualmente desencadeia a moléstia. Sua esposa, já falecida, contraiu câncer após a perda de um filho pelo casal; e o dr. Hamer também, depois da morte da mulher. Importante: a cura, nestes casos, dependeria da superação do trauma, de acordo com o médico.

A Teoria de Hamer foi rejeitada pela academia, os pares o execraram, seu diploma foi cassado e depois sofreu perseguições sob o pretexto de estar exercendo ilegalmente a medicina, constou da lista dos procurados pela Interpol e chegou até a ser encarcerado. 

Não faz mal. O padre brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi chamado de bruxo e queimado vivo em Portugal por ter inventado o balão. O jesuíta Roberto Landell de Moura, também brasileiro, inventou o rádio antes de Marconi e estava perto de consumar a invenção da TV, mas caiu também na mira da Igreja Católica, que confundia ciência com feitiçaria. Também Freud, Einstein, Pasteur, Galileu Galilei e outros grandes vultos foram desacreditados ao publicarem suas descobertas. 
Teorias do dr. Hamer geram  muitas controvérsias
Hamer enfrenta, ainda, a circunstância de que todo avanço científico é submetido a uma quarentena, até sua eficácia ser definitivamente. comprovada. As vaias que recebeu tendem a ser esquecidas em breve, e sua teoria resgatada. O seu calvário é conhecido no mundo como O caso Hamer.

A novidade na teoria e na terapia proposta pelo médico alemão é representada pelo que ele chama de regra inflexível do tumor, formulada depois de uma longa pesquisa que desenvolveu numa clínica universitária alemã. Segundo Hamer, o câncer resultaria de um conflito traumático, agudo e dramático, impossível de ser dividido com outra pessoa. 

A cada conflito corresponderia um tipo de tumor e em cada caso específico se formaria, no cérebro, um nódulo, que ele chama de foco de HamerO conflito se verificaria em três níveis, segundo suas convicções: na psique, no cérebro e em algum determinado órgão. Ele denomina tal hipótese de síndrome de Hamer

Para a ciência, o cérebro é desconhecido e incompreensível, mas ela admite que o dito cujo comanda os outros órgãos do corpo. Está aí uma coincidência com a teoria de Hamer.

“Existe uma exata correspondência entre o transcurso do conflito, a evolução do tumor e o foco de Hamer no cérebro”, diz o pesquisador em seu livro Gênese do Câncer. O conflito atua de modo sincronizado com a psique, o cérebro e o órgão afetado, acrescenta ele.
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TRAUMA CAUSOU FRIGIDEZ E TUMOR NUMA PACIENTE
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Obrigaram-no a fechar sua clínica em 1985
É marcante na teoria do dr. Hamer a garantia de cura: 
"Do mesmo modo, a superação do conflito envolve a tríade psique, cérebro e órgão. Resolvido o conflito, o foco de Hamer se regenera com a consequente formação de apenas um entumecimento em torno das células cancerosas, cuja proliferação anárquica era devida a um erro de codificação do cérebro".
O caso de uma paciente que contraiu câncer depois de um trauma e se curou com a substituição da emoção e uma nova postura, é narrado pelo dr. Hamer:
"Mãe de quatro filhos, a senhora M., professora de jardinagem, recebeu um profundo choque em 23 de setembro de 1982, quando seu marido, com quem andava perfeitamente de acordo, declarou, depois de uma noite particularmente feliz, a sua surpresa ao constatar que ela desse tanta importância ao ato sexual. 
Esse modo de ridicularizar o que para ela era sacrossanto, esta bofetada moral que recebeu, transtornou-a, deixando-a totalmente frígida. Depois deste choque (a Síndrome de Hamer), que a deixou deprimida, a senhora não conseguiu mais manter relações sexuais com o marido e não demorou para que se separassem. 
Em julho de 1983, o trauma foi solucionado quando a paciente descobriu, com grande surpresa, que se dava bem com outro homem. Depois da solução desta situação conflituosa, o câncer instalado no colo do útero, que progredia há nove meses, regrediu e, ao mesmo tempo, voltaram as regras".                   
FILOSOFIA, RELIGIÃO E SABEDORIA POPULAR

Espinosa foi um dos grandes racionalistas do século 18
O filósofo judeu-holandês Baruch Espinosa elaborou, em meados do século 17, uma tabela relacionando emoções com problemas de comportamento, bases filosóficas das emoções e respectivas conseqüências. Para cada grupo de emoções há o que ele chama de Estimulo Emocionalmente Competente (EEC).  Exemplos de Espinosa:  
  • Embaraço, vergonha, culpa: problema de comportamento. Conseqüências: policiamento das regras de comportamento social. Base filosófica desta emoção: medo, tristeza, tendências submissas; 
  • Desprezo, indignação: violação de normas de conduta por parte de outra pessoa. Conseqüências: punição da violação com policiamento das regras de comportamento social. Base filosófica desta emoção: nojo, zanga; 
  • Simpatia, compaixão: sofrimento do outro indivíduo. Conseqüências: conforto, reequilíbrio do outro ou do grupo. Base filosófica desta emoção: apego, vinculação.
O médico Rubens Cascapera Jr., palestrante freqüente sobre O caso Hamer, cuja teoria aceita plenamente, vem procurando identificar, na prática médica diária em seu consultório na zona leste de São Paulo, emoções negativas ou positivas derivadas de comportamentos que resultam em benefícios para a saúde ou em determinadas enfermidades. “A doença me parece, às vezes, consequência da filosofia de vida do paciente. O perdão a tudo, a todos e a si mesmo e o acolhimento inteligente dos percalços da vida podem ser uma terapia eficaz”. 
As pessoas podem atrair os males os males que temem

O mesmo acontece com o médico Joel Beraldo, em seu trabalho na zona sul. Após a consulta e o receituário, ele procura identificar, em breve conversa com seus pacientes, os problemas que lhes causam sentimentos de ansiedade, angústia, tristeza, mágoa, ressentimento e o resultado dessas emoções que agridem de algum modo o corpo físico.”Procuro convencê-los de que uma mudança de comportamento pode ajudá-los na cura.”

Comportamento amoroso como terapia é sugerida por Nise Hitomi Amaguchi, doutora pela Faculdade de Medicina da USP, presidente da Sociedade Paulista de Oncologia Clínica e diretora do Instituto Avanços em Medicina: “Costumo dizer a meus pacientes e familiares que, para o amor, não existe tempo nem espaço. Vivendo bem o presente, diminuindo as buscas desnecessárias por poder, posses e prestígio, podemos alavancar o melhor de nós mesmos, inclusive superando as doenças que já temos. Com bom cuidado, mais exercícios, dieta saudável, não fumando e não bebendo, com mais amizade e solidariedade, talvez possamos ficar menos doentes e a nossa morte vir na hora certa.”

Explicação religiosa sobre o mecanismo de evitar doenças ou curá-las é com a advogada Olívia Souza. Diz a oradora e estudiosa do espiritismo, que esta religião admite a existência de um corpo sutil que liga o corpo material ao espírito. Por uma lei chamada de causa e efeito, cada ação má, crime, mau comportamento, vícios, deixa gravado neste corpo espiritual o total de tal comportamento. As conseqüências são sentidas de imediato, no ritmo do mau comportamento e também em vida futura. Na reencarnação, diz Olívia, um alcoólatra, p. ex., terá no novo corpo problemas no fígado.
Mau comportamento afetaria existência futura
“O homem transita entre as próprias criações”, exemplifica a oradora, citando um preceito da religião espírita, que vê o homem codificando em saúde ou doença o seu comportamento. Olívia interpreta as palavras de Jesus quando curava – vai e não peques mais – como uma recomendação de um novo comportamento, honesto e positivo, diante da vida. 

Até incontidos desvarios íntimos podem ser corrigidos com a busca de um idealismo superior, asseguram pensadores espíritas. É consenso entre os espíritas que todo processo de cura passa pela renovação do pensamento.

“O bem é a única diretriz para a saúde integral”, sentencia o médium Divaldo Pereira Franco, que já deu mais de 13 mil conferências em mais de 2 mil cidades de 64 países nos 5 continentes. Sua entidade educacional e assistencial, Mansão do Caminho (em Salvador, BA), atende milhares de pessoas carentes, inclusive a 3 mil crianças e jovens, diariamente. O bom comportamento de Divaldo lhe dá boa saúde: adotou legalmente mais de 600 filhos, que já lhe deram mais de 200 netos e bisnetos.

Uma das explicações espíritas sobre as doenças sugere motivações psicológicas: se alguém dirige a sua vontade para a simples ideia de doença, a moléstia lhe responderá ao apelo. Tal sugestão sintoniza-se com a região orgânica mentalizada. As entidades microbianas que habitam os corpos obedecerão às ordens mentais, formando no corpo a enfermidade idealizada. Pensou, aconteceu. Não pensou, não aconteceu. É a doença codificada pelo cérebro. Trata-se, neste caso, do denominado pensamento enfermiço. Mudar o rumo do pensamento é preciso.

Uma indicação de que o comportamento amoroso pode ser eficaz processo terapêutico, segundo os espíritas, está contida na frase bíblica do apóstolo Pedro: “O amor apaga multidões de pecados”, disse ele, fazendo do termo pecado um sinônimo de comportamento inadequado.
Alfeu Ruggi: controlar a ansiedade.

Esta conversa está parecida com a pregação do padre Antonio, do Colégio Dom Bosco, no bairro paulistano da Mooca.  Ele também fala sobre a existência, em nós, de um disco virgem, onde são gravadas nossas diabruras. Então, obriga os meninos a assistirem missa antes de jogarem futebol e, na preleção, explica que Deus tem um livrinho no qual registra todas as nossa ações. ‘Deus nos castiga pelo nosso comportamento e nós vamos pagar por ele, já a partir de agora e no futuro”, garante o sacerdote católico.

Medicina chinesa também relaciona emoção e comportamento com doença e cura, segundo Alfeu Ruggi, mestre em tai chi chuan e terapeuta de atletas que praticam o wu chu, um rosário de algumas centenas de tipos de lutas marciais chinesas:  “Alguém ansioso vai respirar mal, irá mal da bílis, das vistas, do sistema neurovegetativo. Um violento poderá sofrer paralisias e convulsões.” 

A prática do tai chi chuan, segundo Ruggi, elimina sentimentos e reações negativas e sedimenta o hábito do não importa, diante da maioria dos nossos problemas. Mestre Ruggi, que tinha úlcera grave quando iniciou os treinos dessa arte que estimula comportamentos pacíficos, está curado. “Não se preocupe com acontecimentos triviais e coisas que nunca irão acontecer. É uma receita de saúde”, aconselha ele.
Nelson Gonçalves: "aqui se paga".
A sabedoria popular também acredita em ação e reação de atitudes e comportamentos. “Aqui se faz, aqui se paga, é lei divina, é lei de Deus, a tanta gente humilhaste, para alimentar caprichos teus”, canta Nelson Gonçalves. Teme-se que a paga seja, de alguma forma, a perda da saúde. 

Nesta outra música popular brasileira, o pai do retirante que sai de Belém do Pará rumo ao Rio de Janeiro, recomenda bom comportamento em troca de bem-estar: “Meu filho, anda direito, que é para Deus te ajudar”, e quem canta é Luis Gonzaga. 

“Administrar a calma, andar direito e esperar que as coisas melhorem, parecem ser as principais receitas de saúde, afinal”, conclui o pastor protestante da Igreja Metodista de Arthur Alvim (SP, capital), Devair Ribeiro.

Um comentário:

Eduardo Rodrigues Vianna disse...

O bom Apollo Natali. Não sou nenhum espírita, mas como ando precisado de ler coisas bacanas como esta aqui, a boa palavra anda em falta, e você sabe a tristeza que sinto, Celsão, de ver uma juventude por aí, que se julga "revolucionária", tão preguiçosa em sua papagaiada cultural e política, sempre reclamando de tudo e não achando boniteza nenhuma em lugar nenhum, como se a vida fosse apenas uma sem-gracice sem assunto e sem caminho. Parece que a meninada por aí está muito interessada em propaganda, estereótipos e queixumes, e nada mais. A atual juventude "revolucionária" é a mais careta e bicuda que poderíamos em algum momento imaginar, e a mais afeita ao espírito de rebanho. Quando reunidos, formas turbas enlouquecidas. E, quando sozinhos, são superficias, azedos, desesperados e medrosos. O texto do Apollo não é diretamente sobre isto, mas é o que eu quis dizer aqui no comentário.

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