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segunda-feira, 11 de setembro de 2023

O GOLPE CHILENO FAZ 50 ANOS: RELEMBRE-O COM ESTE FILME EXEMPLAR.

Nesta 2ª feira (11) se completam 50 anos desde que o Chile sucumbiu a um golpe fascista desfechado com extrema violência, após longa e minuciosa preparação, tendo as digitais estadunidenses  ficado impressas com máxima nitidez na arma do crime. 

Foi quando um raro presidente socialista, ao ser deposto, teve brio para combater o inimigo com uma metralhadora na mão até o sacrifício final, preferindo a morte à rendição e ao exílio.  

Prestamos nossa homenagem a Salvador Allende e seus bravos camaradas postando novamente Chove sobre Santiago (Il pleut sur Santiago, 1975), um filme superlativo, simplesmente obrigatório para quem quer entender o ciclo das ditaduras direitistas instaladas na América Latina, com beneplácito dos EUA, nos anos 60 e 70. 

Mostra o desencadeamento do pinochetazo no dia 11 de setembro de 1973, seus antecedentes desde a vitória eleitoral da Unidade Popular (incluindo o acalorado debate no seio das forças direitistas, sobre a aceitação ou não do veredicto das urnas), as realizações do novo governo, a escalada de sabotagem que foi sofrendo, o golpe e o banho de sangue subsequente.

A opção pelo drama histórico  (ao invés de um simples documentário) foi felicíssima: o diretor chileno Helvio Soto conseguiu prender a atenção dos espectadores com uma narrativa tensa, contundente e emocionante, sem prejuízo dos aspectos didáticos do filme, que se propunha a esclarecer o mundo sobre o que realmente aconteceu no Chile. 

É de arrepiar a sequência do assassinato do grande Victor Jara num estádio de futebol utilizado como centro de detenção de milhares de prisioneiros políticos.

Desafiado pelos militares golpistas a cantar para seu público lá presente, ele ousadamente o fez, até ser morto (não a coronhadas, como se acreditava na época em que o filme foi feito, mas a tiros, tendo uma autópsia efetuada em 2009 constatado marcas de 44 disparos). 

Detalhe emblemático: suas mãos foram esmagadas pelos golpes recebidos. Que paúra os fascistas tinham de suas canções!

Assim como é impactante ao extremo a sequência do enterro do Prêmio Nobel de Literatura Pablo Neruda, que morreu de câncer de próstata (e muito mais de desgosto) dez dias após o golpe. 

É difícil conter as lágrimas ao vermos os acompanhantes do funeral, em meio a todo aquele desalento e intimidações, no auge do terror fascista, terem forças e coragem para gritar seu desafio altaneiro: 

"Companheiro Neruda? Presente! Agora e sempre!"

"Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que
tarde, se abrirán las grandes alamedas por donde pase
el hombre libre para construir una sociedad mejor"
  
Idem a do último discurso de Allende, consciente de que a morte era inevitável após ter recusado a oferta de lotar um avião com seus seguidores mais próximos e partirem ilesos para o exterior.

O título do filme é a senha utilizada pelos golpistas para informar a seus cúmplices do país inteiro que era aquele o momento de estuprar as instituições. As rádios noticiavam a cada momento que chovia sobre Santiago, embora tal não estivesse ocorrendo.

Destaque para as magníficas atuações dos atores consagrados que colaboraram solidariamente para a viabilização do projeto de Soto – Jean-Louis Trintignant, Bibi Andersson, Annie Girardot, Riccardo Cucciolla e Bernard Fresson, dentre outros – e para as músicas inspiradíssimas de Astor Piazzola.

Recomendo fortemente aos leitores que não deixem de ver Chove sobre Santiago, mesmo com uma qualidade de imagem menos satisfatória que a habitual. 

E, para quem quiser saber mais sobre o sangrento golpe de estado que extirpou um dos mais belos experimentos socialistas de nosso continente, recomendo este esclarecedor artigo do repórter e documentarista australiano John Pilger. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 11 de setembro de 2018

ATO NA FACULDADE DE DIREITO DO LARGO SÃO FRANCISCO RELEMBRA UM DOS GOLPES MAIS SANGUINÁRIOS DOS ANOS DE CHUMBO

Um dos eventos programados para hoje (11), quando se completam 45 anos de um dos golpes de Estado mais sanguinários dos anos de chumbo, é o ato marcado para as 19 horas, na sala dos estudantes da Faculdade de Direito da USP, no largo São Francisco (SP), com a participação de representantes de entidades de defesa dos direitos humanos e dos movimentos populares, militantes libertários, juristas, advogados e público em geral 

Na ocasião será lançado um abaixo-assinado reivindicando a saída de Mauricio Hernandez Norambuena, um dos líderes da luta armada contra a ditadura de Augusto Pinochet, do cativeiro em regime de segurança máxima que lhe é imposto há mais de 16 anos em prisões brasileiras, onde cumpre pena por sua participação no sequestro do publicitário Washington Olivetto. A imposição de rigor carcerário extremo por período tão longo fere nossas leis e toda a jurisprudência dos países civilizados, por representar uma destruição lenta do condenado.

O banho de sangue desfechado no dia 11 de setembro de 1973 vinha sendo preparado há quase três anos por uma direita inconformada com o êxito eleitoral obtido pela Unidad Popular em 4 de setembro de 1970.
Allende preferiu morrer ao lado dos companheiros do que embarcar no voo oferecido pelos golpistas
Como a vitória não se deu por maioria absoluta de votos, os derrotados cogitaram inclusive articular uma inédita não confirmação do resultado das urnas por parte do Congresso, mas acabaram desistindo deste intento e optando por uma estratégia golpista de longo prazo 

Encabeçou-a o chefe do Exército nomeado pelo presidente Salvador Allende: com extrema desfaçatez, Augusto Pinochet Ugarte  tramava o golpe militar na surdina, enquanto garantia ao governo que sua corporação permaneceria leal à Constituição.

A tomada de poder foi a mais dramática daquele período: o bravo Allende recusou a oferta de seguir incólume para o exterior e entrincheirou-se com sua guarda pessoal e os assessores mais leais no Palacio de la Moneda, que os golpistas atingiram com obuses e depois invadiram atirando. Allende morreu baleado.

Ao massacre na sede do poder seguiu-se outro episódio que será sempre lembrado como um dos mais repulsivos do ciclo militar: dezenas de milhares de presos políticos amontoados num estádio de futebol. E a execução pública do extraordinário Victor Jara, cantor e compositor em muito semelhante ao nosso Geraldo Vandré.
No ano seguinte, o Quilapayún prestou este pungente tributo a Allende
.
Tentando humilhá-lo, os verdugos desafiaram-no a cantar para seus fãs naquele momento. Foi o que o altivo Jara fez, enquanto era espancado até a morte, tendo os companheiros prisioneiros como testemunhas impotentes de sua imolação.

Mais de 3 mil pessoas mortas, 28 mil torturadas, dissidentes assassinados até em terras estrangeiras: essa carnificina jamais será esquecida.

Emblematicamente, o grande poeta Pablo Neruda, Prêmio Nobel de literatura, morreu logo após o golpe, com suas enfermidades agravadas pelo imenso desgosto.

A Unidad Popular estava longe de realizar um governo radical. Tendo como principais forças os socialistas e os comunistas de linha soviética, fazia algo semelhante às reformas de base de João Goulart e nacionalizava uma ou outra empresa estrangeira espoliadora.
Disco de 1976 do filho de Violeta Parra, todo ele sobre o 
trauma do golpe e as desventuras dos (como ele) exilados
.
Sua desestabilização foi uma clara reedição esquema golpista brasileiro, acrescida de um toque de mestre: o suborno aos caminhoneiros para que promovessem um interminável locaute, de forma que sempre estivessem faltando alguns itens nas prateleiras dos estabelecimentos comerciais. A consumista classe média chilena foi levada à loucura.

Trata-se da quartelada em que ficou mais evidente a instigação e o apoio financeiro dos EUA. Decididos a vencer a guerra fria com a URSS a qualquer preço, eles violavam cinicamente a soberania de nações livres. 

Um cidadão estadunidense, pai de um hippie assassinado no Chile, acionou seu governo, acusando-o de cumplicidade na morte do filho. Durante esse processo vieram à baila muitos detalhes do envolvimento da CIA e dos assessores militares dos EUA no golpe. O episódio deu origem a um ótimo filme de Costa-Gravas: Desaparecido - um grande mistério.
A melhor reconstituição cinematográfica do golpe
chileno (saiba mais sobre o filme clicando aqui)
.
A era Pinochet findou quando os chilenos disseram não! à sua permanência no poder, em plebiscito realizado no mês de outubro de 1988. Nem o fato de haver conseguido a duras penas estabilizar a economia do país, colocando-a no rumo do crescimento sustentado, foi suficiente para que nuestros hermanos relevassem seus crimes contra a humanidade. 

A pá de cal no prestígio de Pinochet foi a revelação, em 2004, de suas contas secretas no exterior. Até então, era tão cultuado pelas viúvas da ditadura de lá quanto seu congênere Brilhante Ustra pelos ultradireitistas daqui (caso do presidenciável fascistoide Jair Bolsonaro).

domingo, 25 de dezembro de 2016

ASSISTAM AO FILME DEFINITIVO SOBRE O PINOCHETAZO. É DE ARREPIAR!

Chove sobre Santiago (Il pleut sur Santiago, 1975) é um filme superlativo, simplesmente obrigatório para quem quer entender o ciclo das ditaduras direitistas instaladas na América Latina, com beneplácito estadunidense, nos anos 60 e 70. 

Mostra o desencadeamento do pinochetazo no dia 11 de setembro de 1973, seus antecedentes desde a vitória eleitoral da Unidade Popular (incluindo o acalorado debate no seio das forças direitistas, sobre a aceitação ou não do veredicto das urnas), as realizações do novo governo, a escalada de sabotagem que foi sofrendo, o golpe e o banho de sangue subsequente.

A opção pelo drama histórico  (ao invés de um simples documentário) foi felicíssima: o diretor chileno Helvio Soto conseguiu prender a atenção dos espectadores com uma narrativa tensa, contundente e emocionante, sem prejuízo dos aspectos didáticos do filme, que se propunha a esclarecer o mundo sobre o que realmente aconteceu no Chile.

É de arrepiar a sequência do assassinato do grande Victor Jara num estádio de futebol utilizado como centro de detenção de milhares de prisioneiros políticos. Desafiado pelos militares golpistas a cantar para seu público lá presente, ele ousadamente o fez, até ser morto (não a coronhadas, como se acreditava na época em que o filme foi feito, mas a tiros, tendo uma autópsia efetuada em 2009 constatado marcas de 44 disparos —as mãos, sim, foram esmagadas pelas coronhas dos soldados). 

Idem a do enterro do Prêmio Nobel de Literatura Pablo Neruda, de câncer de próstata e muito mais de desgosto, dez dias após o golpe. É difícil conter as lágrimas ao vermos os acompanhantes, em meio a todo aquele desalento e intimidações, no auge do terror fascista, terem forças e coragem para gritar: "Companheiro Neruda? Presente! Agora e sempre!".

Idem a do último discurso de Allende, consciente de que a morte era inevitável, depois de ter recusado a oferta de lotar um avião com seus seguidores mais próximos e partirem ilesos para o exterior.

O título do filme é a senha utilizada pelos golpistas para informar a seus cúmplices do país inteiro que era aquele o momento de estuprar as instituições. As rádios noticiavam a cada momento que chovia sobre Santiago, embora tal não estivesse ocorrendo.

Destaque para as magníficas atuações dos atores consagrados que colaboraram solidariamente para a viabilização do projeto de Soto -- Jean-Louis Trintignant, Bibi Andersson, Annie Girardot, Riccardo Cucciolla e Bernard Fresson, dentre outros-- e para as músicas inspiradíssimas de Astor Piazzola.

Recomendo fortemente aos leitores que não deixem de ver Chove sobre Santiago, mesmo com uma qualidade de imagem menos satisfatória que a habitual. 

E, para quem quiser saber mais sobre o sangrento golpe de estado que extirpou um dos mais belos experimentos socialistas de nosso continente, recomendo este esclarecedor artigo do repórter e documentarista australiano John Pilger.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ASSISTAM AO FILME DEFINITIVO SOBRE O PINOCHETAZO. É DE ARREPIAR!

Chove sobre Santiago (Il pleut sur Santiago, 1975) é um filme superlativo, simplesmente obrigatório para quem quer entender o ciclo das ditaduras direitistas instaladas na América Latina, com beneplácito estadunidense, nos anos 60 e 70. 

Mostra o desencadeamento do  pinochetazo no dia 11 de setembro de 1973, seus antecedentes desde a vitória eleitoral da Unidade Popular (incluindo o acalorado debate no seio das forças direitistas, sobre a aceitação ou não do veredicto das urnas), as realizações do novo governo, a escalada de sabotagem que foi sofrendo, o golpe e o banho de sangue subsequente.

A opção pelo drama histórico  (ao invés de um simples documentário) foi felicíssima: o diretor chileno Helvio Soto conseguiu prender a atenção dos espectadores com uma narrativa tensa, contundente e emocionante, sem prejuízo dos aspectos didáticos do filme, que se propunha a esclarecer o mundo sobre o que realmente aconteceu no Chile.

É de arrepiar a sequência do assassinato do grande Victor Jara num estádio de futebol utilizado como centro de detenção de milhares de prisioneiros políticos. Desafiado pelos militares golpistas a cantar para seu público lá presente, ele ousadamente o fez, até ser morto (não a coronhadas, como se dizia na época em que o filme foi feito, mas a tiros, tendo uma autópsia efetuada em 2009 constatado marcas de 44 disparos --as mãos, sim, foram esmagadas pelas coronhas dos soldados). 

Idem a do enterro do Prêmio Nobel de Literatura Pablo Neruda, de câncer de próstata e muito mais de desgosto, dez dias após o golpe. É difícil conter as lágrimas ao vermos os acompanhantes, em meio a todo aquele desalento e intimidações, no auge do terror fascista, terem forças e coragem para gritar: "Companheiro Neruda? Presente! Agora e sempre!".

Idem a do último discurso de Allende, consciente de que a morte era inevitável, depois de ter recusado a oferta de lotar um avião com seus seguidores mais próximos e partir para o exterior.

O título do filme é a senha utilizada pelos golpistas para informar a seus cúmplices do país inteiro que era aquele o momento de estuprar as instituições. As rádios noticiavam a cada momento que chovia sobre Santiago, embora tal não estivesse ocorrendo.

Destaque para as magníficas atuações dos atores consagrados que colaboraram solidariamente para a viabilização do projeto de Soto -- Jean-Louis Trintignant, Bibi Andersson, Annie Girardot, Riccardo Cucciolla e Bernard Fresson, dentre outros-- e para as músicas inspiradíssimas de Astor Piazzola.

Recomendo fortemente que não deixem de assistir a Chove sobre Santiago, mesmo com o inconveniente de ele ter sido picotado em oito partes por quem o postou no Youtube. 

E, para quem quiser saber mais sobre o sangrento golpe de estado que extirpou um dos mais belos experimentos socialistas de nosso continente, recomendo este esclarecedor artigo do repórter e documentarista australiano John Pilger








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