Cuba ora entra em decomposição – sentencia o jornalista Rodrigo da Silva, o criador do canal Sputniks do Youtube.
Infelizmente, desta vez não se trata da habitual propaganda anticomunista que infesta os jornalões. Eis alguns dados:
– Cuba enfrenta um terrível colapso no setor elétrico, com apagões durando até mais de 10 horas em Havana. Quando o sol vai embora, o país desliga junto. As usinas termelétricas, construídas entre 1960 e 1970, caducaram. A capacidade de geração do país cai cada vez mais;
– o salário médio mensal em Cuba equivale, no mercado negro, a US$ 16,30 por mês. O salário mínimo caiu para o equivalente a US$ 5,42 por mês;.
– a falta crônica de combustível já era um enorme problema, pois Cuba precisa de 100 mil barris de petróleo por dia para funcionar e só produz 50 mil. Com a ocupação militar da Venezuela por Trump, tal carência se tornou dramática, pois nenhuma gota mais de petróleo venezuelano foi exportada para Cuba;
– segundo o relatório En Cuba Hay Hambre, 96,91% dos cubanos relatam ter perdido acesso a alimentos devido à inflação e à queda no poder de compra. Um em cada quatro vai dormir sem jantar.
– dos itens alimentícios que eram subsidiados pelo governo, carne, óleo e café deixaram de sê-lo e os restantes são entregues com semanas de atraso;
– o Estado hoje cobre algo entre 20% a 30% das necessidades calóricas de uma família, tendo de adquirir o restante a preços de mercado;
– o ministro da Saúde admitiu que só 30% dos medicamentos essenciais estão disponíveis. Na verdade, dos 651 medicamentos do quadro básico cubano, só 292 estão disponíveis na rede de farmácias;
| Parece o Brasil, mas é Cuba... |
– a população vem desabando. Cuba tinha 11,18 milhões de habitantes em 2020. Oficialmente, em 2024, esse número passou para 9,75 milhões;;
– só entre 2021 e 2024, mais de 860 mil cubanos chegaram aos Estados Unidos.
– Cuba produz hoje menos açúcar do que em 1899. Chegou a ser o maior exportador mundial de açúcar, mas hoje importa açúcar do Brasil.
Como a coisa chegou até esse ponto? Para entender isto, temos de recordar o que foi o socialismo real nela praticado, principalmente, a partir da vitória do tirano obtuso Joseph Stalin sobre o grande revolucionário que foi Leon Trotsky.
No início do século passado, os fantasmas da destruição da frouxa Comuna de Paris tiravam o sono de Lênin, daí ele considerar imperativa a construção de um partido duro, de revolucionários profissionais submetidos a direção e disciplina rígidas, enquanto Trotsky via nisto um ovo da serpente (primeiramente, o partido substituirá a classe operária, depois o Comitê Central substituirá o partido e, afinal, um tirano substituirá o Comitê Central).
De certa forma, ambos estavam certos. Só um partido tipo jacobino, como o Bolchevique, conseguiria ter tomado o poder em 1917 e o sustentado nos anos seguintes contra a formidável coalizão de inimigos interno e externos.
Mas, seu centralismo quase militar era mesmo terreno fértil para a tirania, como Stalin provaria.
| Trotsky comandou a tomada de poder e depois, com seu exército vermelho, evitou que a revolução sucumbisse nos campos de batalha |
Mas, abortada a sonhada sequência, a URSS contou apenas consigo mesma para superar seu acentuado atraso econômico, acabando por fazê-lo a ferro e fogo. Com isto, o chamado socialismo real soviético se tornou tão odioso e execrável que serviu como exemplo negativo para a máquina de propaganda burguesa dele afastar o proletariado das nações mais avançadas.
E, embora a construção do socialismo em nações isoladas esteja completando mais de um século de fracassos, até hoje a esquerda a continua tentando, em vão. Não seria o caso de voltar a apostar suas principais fichas na revolução mundial? Não é paradoxal a economia estar globalizada e os movimentos revolucionários terem praticamente abandonado o internacionalismo de outrora?
Por último, mais de uma década de antecedência já se previa o colapso do regime soviético. Mas, depois da primavera de 1968, o país regredira ao mais tacanho maniqueísmo, com o consequente embotamento do espírito crítico.
| Até o Pasquim ele era homem de esquerda, aí perdeu o rumo |
O jornalista Paulo Francis foi um dos pouco a antever que o leviatã sucumbiria, principalmente por não conseguir incorporar os avanços tecnológicos da 3ª revolução industrial e começar a perder de goleada no front econômico, o que o forçou a optar entre a decadência irreversível ou a volta ao capitalismo.
As várias experiências de socialismo num só país tiveram o mesmo destino que Cuba está colhendo agora, porque, como Marx já dizia, só com a integração econômica dos principais países se aproveitarão ao máximo os avanços científicos e tecnológicos alcançados sob o capitalismo, mas que, paradoxalmente, estão sendo desperdiçados e destruídos pelo próprio capitalismo.
É hora de recolocarmos como nossa principal tarefa a efetivação do internacionalismo revolucionário, pois desde 1989 vêm desmoronando todas as nomenklaturas .
Trata-se de regimes dito socialistas mas cujos expoentes compõem, como membros poderosos do Partido supostamente revolucionário, como administradores do Estado, como oficiais superiores das forças armadas, etc., uma nova elite privilegiada, que só se diferencia da anterior por não exercer uma dominação de classe, mas sim de casta.
Um jornalista perguntou a Trotsky, já no exílio, o que ele faria se ficasse confirmado que a luta de sua vida inteira acabara servindo apenas para empoderar uma nova elite. Ele não titubeou: Começarei a organizar a luta dos explorados contra ela. (por Celso Lungaretti)
2 comentários:
o capitalismo é a exploração do homem pelo homem...o socialismo é o contrario (stanislau ponte preta)
Pena que vc não entendeu nada do que eu disse no artigo. Socialismo como Marx o delineou jamais existiu. Por enquanto, só houve nomenklaturas, e elas presumivelmente fracassaram.
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