dalton rosado
DE QUE DEMOCRACIA TRATAMOS?
uma crise mundial: em 2026 ainda vai dar
pra segurar, mas depois disso vai ser
difícil..." (José Kobori, economista)
As eleições de 2026 já mobilizam partidos políticos de todos os espectros ideológicos mas com a mesma proposta, a de administrar as finanças públicas para o cargo executivo da União, Estados e escolha de parlamentares para os cargos legislativos.
Só há uma certeza: qualquer que seja o resultado da eleição e perfil ideológico do vencedor eleito para o cargo executivo da União Federal, ele vai administrar a falência estatal e tentar minimizá-la diante da crise do capitalismo internacional e seus reflexos no capitalismo nacional.
Quanto ao parlamento, de maioria conservadora desde o Império, sempre ligada ao capital e elites retrógradas, e agora piorada com a infiltração de parlamentares ligados ao crime organizado, as leis propostas e votadas convergirão para medidas suicidas tomadas em nome da salvação do capitalismo, como é o caso da recente lei da devastação, que levará à prática e descriminalização dos crimes ambientais.
O coro dos contentes eleitorais de ambos os lados, aferrados aos interesses particulares de cada vertente ideológica, é indiferente à realidade catastrófica que se avizinha no mundo econômico mas que desconhecem, seja porque consideram assunto para economista resolver, ou seja porque a institucionalidade estatal e suas finanças advindas dos impostos arrecadados das atividades mercantis, capitalistas, devem ser preservadas, posto são elas que financiam suas vidas públicas,
As eleições representam para o povo o momento da barganha que se opera em vários níveis de influência, que como diz a poesia: ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão.
A eleição, portanto, é tida como exercício democrático da vontade popular e agrada a todos que consideram ruim apenas a ditadura que concentra ainda mais o poder, e sem barganha. De fato, a ditadura é o pior dos mundos, porque ela se soma à ditadura do capital formando um conjunto de poder absolutista insuportável, mas sua rejeição não isenta os pecados do mundo burguês dito democrático.
Considera-se que ruim com a democracia burguesa, pior sem ela e por medo do péssimo, se aceita o ruim que se conhece e no qual se pode ter um discurso politicamente correto.
Mas o coro dos contentes tem um problema: o capitalismo.
São poucos os economistas que admitem o fim da linha do capitalismo; em geral eles sempre encontram soluções dentro da imanência capitalista como se as crises decorressem de má administração e desvios irresponsáveis e nunca das contradições em processo que agora atingem um patamar de dimensão gigantesca sendo impossível de solucionar o problema sob os parâmetros da forma-valor.
Entrevistado por um site que se pretende independente, o economista e professor de Finanças José Kobori, sobre quem não há a mais remota suspeita de facciosismo de esquerda, pela primeira vez ouvi alguém do campo capitalista admitir a falência dessa forma de relação social que nos últimos 200 anos tomou forma política a lhe dar contornos de sustentação.
Na entrevista ele demonstra alguns dos números macroeconômicos que evidenciam a rota falimentar do capitalismo, tais como o fim da complementaridade econômica entre Estados Unidos e Japão.
| Cara de um, focinho de outro. |
Com isso passou a ser uma referência mundial financeira e detentor de grandes somas dos títulos do Estados Unidos; mas a lua-de-mel chegou ao fim. O Japão passou a ter inflação alta para os seus padrões, de 2,9% ao ano e redução da renda per capita para 1,9% aa.
Com a inflação dos EUA em alta, passou a se livrar dos títulos daquele país, causando um desequilíbrio na questão da liquidez da dívida pública trilionária, e este é apenas um sintoma de um conjunto de fatores explosivos da questão estrutural referente à incapacidade de solvência da dívida pública e privada no sistema financeiro bancário mundial.
O PIB dos Estados Unidos mal se sustentou no ano passado, assim mesmo em níveis baixos, por conta das big techs e seus negócios na área da Inteligência Artificial, que representaram cerca de 92% do PIB positivo.
Ou seja, retirando-se os ganhos das big techs, o PIB estadunidense se reduziria a 0,10%, simultaneamente ao crescimento de sua dívida anual em uns U$ 2 trilhões, que já é de cerca de 130% do PIB, o maior do mundo enquanto país; um descompasso que cada vez mais torna visível o descrédito do dólar como moeda internacional e da própria força do capital dos EUA.
| EUA e Japão lutam batalha perdida no front econômico |
Isto vai acarretar o estouro de uma nova bolha de enorme dimensão. Ele prenuncia que a crise de agora será maior ainda do que a de crise imobiliária 1929/1930 sem que o Estado tenha capacidade de suprir a crise de liquidez a partir da intervenção estatal.
A supervalorização de ativos como ações das bolsas, cujas relações de preços com a capacidade real de geração de lucros do capital de giro das empresas e endividamento destas, tornam irracional e artificial a corrida de valorização fruto da lei da oferta e da procura.
Trata-se, portanto, uma fuga para a frente, evidenciando a falta de consistência desse movimento. Um exemplo disto é o lucro piramidal das criptomoedas num Esquema Ponzi sem sustentação e que levará muita gente à bancarrota na hora da verdade.
Por fim, ele denuncia que os EUA, sob a tutela de Trump e de seus assessores mais influentes (alguns bem ideológicos e conscientes do que querem), flertam com a ideia de guerra mundial, entendendo que o seu maior e mais seguro ativo é o poderio militar que pretendem usar para subjugar a ordem capitalista mundial, dobrando a aposta ao invés de tentar a superação do capitalismo.
Porta-aviões nuclear dos EUA: pirataria se modernizou |
Entretanto, o bom analista José Kobori não diz como seria a superação do capitalismo fora da guerra, e eu complemento a sua boa análise anatômica, mas imanente, dizendo que só há uma saída: a superação do sistema produtor de mercadorias.
Sob uma nova forma de relação social abrir-se-ão as portas do progresso solidário sem as amarras do critério da famigerada viabilidade econômica, segundo o qual somente se faz aquilo que gera lucros.
Evitemos a guerra fratricida mundial e salvemos a humanidade do assassino denominado capitalismo. (por Dalton Rosado)
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