segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

O ESTADÃO VOLTA A SER PANFLETÃO; O PT NÃO DEVERIA PROFISSIONALIZAR OS SEUS QUADROS OFERECENDO-LHES 'BOQUINHAS'

Protesto contra o PL da dosimetria na avenida Paulista
A
manchete de hoje (15/12) do Estadão trombeteia que Governo
Lula atinge o maior número de cargos de confiança da história da administração federal. 

Quem se der ao trabalho de ver a reportagem, esperando encontrar a denúncia de uma enxurrada de nomeações, descobre que a montanha pariu um rato: o governo do PT, em três anos, só acrescentou 4.400 cargos comissionados e ocupações políticas aos cabides de emprego já existentes no Executivo, fazendo o total aumentar para 50.770.   

Os leitores habituais dos meus textos sabem que não tenho simpatia nenhuma pelo PT, pois o vejo como o principal responsável pela domesticação da esquerda brasileira.

Mas me dá calafrios constatar que o Estadão volta a fazer proselitismo direitista com a notícia, como no governo do João Goulart, quando deveria intitular-se, isto sim, Panfletão

Faço a ressalva de que naquele período o jornal dos Mesquita tinha como meta um golpe de Estado que permitisse uma rápida depuração da política brasileira, seguida da devolução do poder aos civis. Quando a família proprietária constatou que os militares tinham vindo para ficar, combateu-os corajosamente. Mas, isto não a redimiu de sua anterior contribuição descarada para o sucesso do golpe.
Comemorando o êxito do golpe que instigou em 1964

Agora a intenção é semelhante à do pré-1964: desqualifica tanto quanto possível o governo do Lula e se posiciona igualmente contra a extrema-direita. Quer é propiciar o renascimento da direita
civilizada, que praticamente deixou de existir com a vitória do Bozo em 2018. 

Mas, levando em conta que brincou com fogo na preparação do golpe de 1964 e o país saiu queimado, tendo de suportar 21 anos de totalitarismo obtuso, deveria evitar a eventual repetição da molecagem.

Quanto ao PT, incorre no erro crasso de encaixar seus quadros na máquina governamental, profissionalizando-os no mau sentido. 

Eu sou dos tempos em que financiávamos a revolução com edições alternativas, espetáculos, festas, rifas e atividades afins, afora a fase mais bestial do terrorismo de Estado, quando expropriávamos bancos, correndo risco de vida em nome da causa. Éramos respeitados. Agora, graças às boquinhas que em nada diferem das dos partidos conservadores, somos com eles confundidos. 

O fracasso do PT como partido unicamente eleitoral ficou evidenciado durante o #ForaDilma!, quando só conseguia colocar na avenida Paulista manifestantes arregimentados com a distribuição de grana e de quentinhas
Manifestantes arregimentados a 50 reais por cabeça
Ou voltamos às escolas, ruas, campos, construções com o ardor de outrora, ou perderemos de novo o trem da História, enquanto a direita se recicla para uma nova temporada de dominação burguesa. 

As manifestações deste domingo (14) contra o execrável PL da dosimetria apontam um caminho a seguirmos sempre, não apenas quando das medidas mais aberrantes. 

Porque nada temos, tudo faremos, afirmou o dirigente esportivo chileno Carlos Dittborn quando um terremoto destruiu vários estádios às vésperas da Copa do Mundo de 1962. A situação da esquerda brasileira é semelhante. (por Celso Lungaretti)

2 comentários:

Anônimo disse...

Ão mesmo é o Grande Otelo, ou Sebastião Bernardes de Souza Prata
https://f.i.uol.com.br/fotografia/2025/12/05/17649788136933707d9150b_1764978813_3x2_xl.jpg

Lembro - faz décadas - nas bancas se pedia 'estadão', aos domingos, por causa do volume de papel

Boa mesmo é a Gazeta de Pinheiros
https://gazetadepinheiros.com.br/noticia/15770/quedas-5-dicas-para-prevencao-de-acidentes-domesticos-com-idosos

Anônimo disse...

do Jornal do Brasil:
https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/12/1057994-cansei-de-ilusoes.html

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