domingo, 24 de outubro de 2010

CULPADOS DO DRAMA DOS 33 MINEIROS: EMPRESA VORAZ E GOVERNO OMISSO

No dia 28 de agosto, em meu post As montanhas continuam desabando e há cada vez mais abutres, eu já apontava a ganância e a insensibilidade capitalistas como responsáveis pelo acidente que mantinha presos 33 mineiros no Chile.

Afirmei claramente que a vilã era a empresa de mineração, "cujos chefões não mostram nenhum remorso".

E apontei também a óbvia responsabilidade do governo chileno:
"Dois meses atrás haviam sido constatadas irregularidades no local, como a falta de fortificação dos tetos e de sinais alertando sobre zonas de risco, além da ausência de comitês paritários para investigar as causas de acidentes e doenças profissionais.

"Pior: em 2007 já ocorrera uma morte na mina, obrigando a suspensão das atividades por um ano".
Passado o auê todo sobre o episódio, com a imprensa o transformando em dramalhão ao mesmo tempo que tirava o foco das responsabilidades pela quase ocorrência de 33 homicídios culposos, eis que a verdade vem à tona. 

Só que pouca gente ainda lê aquilo que sai sobre a  atração de ontem. Hoje existem outras, igualmente manipuladas.

O certo é que salvaram-se 33 e até o Barack Obama ficou comovido...

Mas, segundo dados do Serviço Nacional de Geologia e Minas do Chile, a média anual de mortes de mineiros vem há muito tempo superando as três dezenas. Só nos nove primeiros meses deste ano os óbitos já somavam 31.

O que se conseguiu evitar, sob os olhares do mundo inteiro, é que a estatística sinistra dobrasse em 2010...

E um despacho da agência espanhola EFE, na noite deste sábado (23), confirmou tudo que eu dissera sobre o acidente na Mina San José:
"O presidente da Central Unitária de Trabalhadores para a região de Copiapó, Javier Castillo, assegurou hoje que o Governo sabia dos riscos que existiam na mina San José, onde 33 mineradores ficaram presos por 70 dias.

"'Tivemos uma reunião com a ministra do Trabalho [Camila] Merino, e falamos dos riscos dessa mina e que apesar da quantidade de acidentes, mortes e desmoronamentos, sempre se punha na balança o fato de manter os empregos às custas das vidas dos operários', disse Castillo.

"'Isso foi conversado com a ministra Merino', ressaltou o dirigente (...), frisando que as autoridades foram informadas sobre o risco da jazida antes do acidente.

"Castillo disse que no mesmo dia da reunião, 1º de julho, os trabalhadores também alertaram o ministro da Mineração, Laurence Golborne, sobre as irregularidades, e que em 5 de julho, após o acidente com Gino Cortés, que perdeu uma perna na mina, tentaram conversar novamente com Golborne, mas ele não os recebeu.

"O dirigente da Central de Copiapó afirmou que na última vez que tentaram falar com o ministro, foram recebidos pela secretária da chefe de gabinete de Golborne.

"'Demos a ela detalhes sobre o acidente e dissemos que era urgente e necessário que se tomassem medidas na empresa San Esteban, dona da jazida San José, já que se estavam começando a se repetir ciclos de perigo, e ela tomou nota'", acrescentou.

"Castillo afirmou que todos estes antecedentes já foram informados à Comissão da Câmara dos Deputados que investiga as causas e as responsabilidades do acidente com os 33 mineradores".

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