Ele era um menino ao chegar com a família e, ao desembarcar no porto de Santos, viu vários moleques agredindo apenas um adversário. Indignado, perguntou ao pai: "São animais?".
É que espanhóis consideravam uma enorme covardia as brigas desiguais. Se uma turma queria acertar as contas com alguém, tinha de vir um contra um enquanto os outros apenas assistiam. Caso contrário, todos seriam desprezados pela vizinhança.
Pelos critérios do meu colega espanhol, ele estava comprovando ser mesmo um arregão, ao não responder ao desafeto com as mãos limpas.
Lembrei-me também de que o pessoal da minha turminha de rua já me advertia quanto a não utilizar minhas pernas compridas para desfechar pontapés na virilha daqueles com quem brigava.
Quem não aprende essas coisas quando criança, passa a vida inteira comportando-se como... um arregão!
Além de bobalhão, pois o alvo da cadeirada, provocador contumaz, estava querendo gerar uma bizarrice que colocasse em evidência sua participação naquele debate entre insignificâncias políticas num canal a que quase ninguém assiste.
Conseguiu exatamente o que pretendia, tendo apenas a lamentar uma costela fraturada. Faz parte do jogo.
Quanto às eleições da nossa democracia burguesa e aos políticos profissionais que delas participam, estão sendo um festival de horrores. (por Celso Lungaretti)