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| Toque do editor |
Um documentário que não poderia faltar neste blog é Guerrilha do Araguaia – As faces ocultas da História, dirigido por Eduardo Castro (que levou 15 anos para conclui-lo) e lançado em 2010, com narração do ator Paulo José
Ficarei devendo uma crítica, pois minhas deficiências auditivas dificultam muito a compreensão de filmes falados em português, e também porque pouco sei sobre tal guerrilha que não seja proveniente de leituras; durante a minha militância na VPR e VAR-Palmares, simplesmente a ignorávamos. O PCdoB conseguiu mantê-la desconhecida da própria esquerda da época,
Mas, encontrei um artigo da revista Superinteressante que a historia bem, escrito por Danilo Cezar Cabral, com consultoria do próprio Eduardo Castro, o diretor do documentário. É uma ótima introdução, principalmente para as novas gerações.
Vamos a ele; e a janelinha para os leitores do blog assistirem a Guerrilha do Araguaia – As faces ocultas da História vem logo embaixo.
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Foi a tentativa de dissidentes do Partido Comunista do Brasil de organizar uma luta armada, a partir do campo, para enfrentar a ditadura militar que governava o Brasil em 1968.
Na época, a censura barrava notícias e manifestações artísticas que o governo julgasse impróprias. Para piorar, pessoas que se opunham ao regime – ou consideradas uma ameaça – eram perseguidas, torturadas e até executadas.
Quando o regime começou a endurecer ainda mais, alguns partidários da esquerda, inspirados pelo sucesso das revoluções chinesa, com Mao Tsé-tung, e cubana, com Che Guevara e Fidel Castro, começaram os planos para derrubar os milicos do poder. O primeiro passo era conquistar a população rural, alistando soldados para iniciar a revolução socialista no Brasil.
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1. Em 1968, alguns líderes do PC do B, como Maurício Grabois e João Amazonas, se desligam do partido para formar grupos de resistência armada em regiões rurais.
2. Os grupos se espalham próximos às margens do rio Araguaia, onde hoje se juntam os estados do Pará, do Maranhão e de Tocantins. Paulistas, mineiros e gaúchos são maioria.
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3. A amizade é uma arma para conquistar o apoio dos camponeses. Outra estratégia é usar a profissão dos guerrilheiros – alguns deles eram médicos, por exemplo – para atender às necessidades locais.
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4. Os guerrilheiros, vindos da classe média alta, bancam as próprias armas. Sem treinamento militar prévio nem financiamento do partido, o arsenal se limita a facões, revólveres .38 e espingardas.
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5. Numa emboscada ao comunista Carlos Marighella, os militares descobrem documentos com pistas sobre a guerrilha, confirmadas com a prisão e a tortura do ex-guerrilheiro Pedro Albuquerque.
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6. O Departamento de Inteligência e Repressão do Exército se infiltra nas comunidades do Araguaia e compra informações dos camponeses, descobrindo paradeiro e identidade dos guerrilheiros.
7. Até 1975, rolam três campanhas para detonar a guerrilha. Após reconhecimento da área e coleta de informações, a segunda campanha vai à caça com tropas de operação em selva. Começa a onda de torturas, com destaque para um pau-de-arara melado.
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8. A captura de Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa) – um dos poucos treinados pelo Exército chinês -abala o moral dos guerrilheiros. O cara é morto em 1974 e tem o corpo amarrado a um helicóptero para ser exibido nos vilarejos.
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9. A Operação Marajoara vem para exterminar, com emboscadas pesadas de militares sem farda, muita tortura e execução – até de camponeses. O objetivo é identificar os poucos guerrilheiros que ainda resistem escondidos na mata.
10. Oficiais cortam cabeça e mãos das vítimas e as enfiam em sacos que seguem para identificação pelo Exército. Segundo os militares, mais de 80 guerrilheiros morreram nas operações.
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P.S. Tomo a liberdade de acrescentar uma atualização, que bem poderia ser o item nº 11.
Em dezembro de 2010, no apagar das luzes do segundo governo de Lula, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por não ter punido os responsáveis pelas mortes ocorridas no Araguaia, considerando o Estado brasileiro responsável pelo extermínio de 62 pessoas e determinando que fossem feitos todos os esforços para a localização dos corpos das vítimas.
Na sentença, a corte considerou que as disposições da Lei de Anistia de 1979, contrárias ao entendimento praticamente unânime das nações civilizadas, não poderiam continuar impedindo a investigação e punição dos crimes contra a humanidade cometidos nos anos de chumbo.
Mas, a ex-guerrilheira Dilma Rousseff, herdeira do abacaxi que Lula não quis descascar na sua última quinzena como presidente, simplesmente ignorou tal sentença, preferindo monopolizar os espaços no noticiário com a criação da Comissão Nacional da Verdade, cujas investigações também não respaldaria quando dos inevitáveis choques com aqueles chefes militares que continuavam empenhados em ocultar a verdade. (por Celso Lungaretti)


