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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ESQUECERAM DE AVISAR A PF QUE NÃO SOMOS MAIS COLÔNIA EUROPÉIA

Quanto tempo perderemos desta vez...
O veterano comentarista internacional Mauro Santayana foi muito feliz em seu artigo O etarra preso e o Caso Battisti, publicado na Carta Maior (vide íntegra aqui) sobre a prisão do antigo combatente do separatismo basco Joseba Gotzon. A detenção se deu na última 6ª feira (18), no Rio de Janeiro, onde Gotzon tocava sua vidinha sem incomodar ninguém. 

Vale a pena reproduzir os principais trechos:
"É preciso saber quais foram os trâmites oficiais para que a Espanha enviasse agentes seus ao Brasil, a fim de obter a prisão do cidadão basco Joseba Gotzon, que vivia e trabalhava no Brasil com identidade falsa. A notícia, divulgada em primeira mão pelo jornal ABC, de Madri, é clara: a detenção havia sido feita por agentes da Polícia Nacional da Espanha. Mais tarde, outras versões diziam que a detenção fora realizada somente pela Polícia Federal.

Se assim foi, seria importante saber se essa colaboração entre a Polícia Federal brasileira e a Policia Nacional da Espanha se faz mediante acordo oficial, aprovado pelos parlamentos dos dois Estados, ou não.

Se não há acordo formal, negociado pelos respectivos ministérios de Relações Exteriores, os policiais brasileiros envolvidos podem sofrer sanções disciplinares. Nesse caso, a Polícia Federal não deve prestar serviço a autoridades estrangeiras, nem a Policia Nacional da Espanha atuar no Brasil, se é que agentes espanhóis participaram da operação, da forma divulgada pelo ABC de Madri.
...até chegarmos ao único desfecho plausível?
 Joseba Gotzon (seu nome basco) cometeu um crime, que quase todos os fugitivos cometem: o de falsidade ideológica, mediante adulteração de documentos.
Por isso, e só por isso, pode ser processado, julgado e, eventualmente, condenado no Brasil. Quanto à sua suposta atuação na luta armada, considerada terrorista pelo governo de Madri, ela não nos diz respeito como Estado.
Joseba é acusado de tentativa de morte, por ter atacado policiais espanhóis, que, mesmo feridos, sobreviveram. Esse crime deverá prescrever em uma semana, de acordo com a informação de fontes espanholas. Trata-se, claramente, de um delito de natureza política. No Brasil, Joseba é apenas um adulterador de documentos, ato explicável em sua situação clandestina como foragido.
É o mesmo caso de Cesare Battisti, que, mesmo acusado de falsidade ideológica, e de assassinatos políticos na Itália, não confirmados - desde que, se os houvesse cometido, teria o dom da ubiqüidade, e disparar sua arma em duas cidades ao mesmo tempo - teve seu pedido de extradição negado pelo STF e, agora, aqui vive tranqüilamente como escritor".
 Vamos torcer para que, desta vez, a INDEVIDA, DESCABIDA e INACEITÁVEL extradição seja fulminada já no âmbito do Conselho Nacional para os Refugiados (Conare) e do Ministério da Justiça, sem provocar outro novelão no Supremo Tribunal Federal.

E para que o Governo cientifique, de uma vez por todas, a Polícia Federal de que não somos mais colônia nem casa da sogra dos europeus, portanto nos indignamos quando autoridades a eles subservientes cometem arbitrariedades em nosso nome, envergonhando o Brasil.

Obs.: uma petição pública contra a extradição de Gotzon pode ser acessada aqui.

sábado, 30 de junho de 2012

QUEM APÓIA OS GOLPISTAS PARAGUAIOS? OS TUCANOS, CLARO!

O grande truque do diabo é fingir que não existe.

Então, direitistas colocaram em circulação teses como a de que não existem mais direita e esquerda, de que a História acabou a partir da globalização capitalista e outras sandices convenientes para eles.

Há muitos papagaios que, embora não sendo de direita, repetem essas bobagens para se fazerem de diferentes.

São os  tolos blasés, parentes daqueles  tolos pomposos  que acreditaram ser capazes de barrar as cotas universitárias apenas e tão-somente afixando suas assinaturas de grandes pavões num papelucho inspirado por Ali Kamel...

Pelo contrário, a divisão entre direita e esquerda está mais nítida do que nunca.

P. ex., na seção Tendências/Debates da Folha de S. Paulo, quem, tresandando a enxofre, vem defender o golpe paraguaio, afirmando que não existiu golpe? Um tucano, claro. O senador Alvaro Dias (PR).

Cujo papelucho (outro!) tem um trecho pra lá de suspeito:
"O meu entendimento, com a chancela do PSDB, de apoio e respeito ao novo governo se ampliou em uma recente visita ao meu gabinete de uma comitiva de parlamentares paraguaios".
Quem está familiarizado com os bastidores políticos --eu tenho, por haver trabalhado na Coordenadoria de Imprensa do Palácio dos Bandeirantes, sendo obrigado a tampar o nariz a cada momento-- sabe que golpistas caçando apoios sempre chegam com algo sonante na bagagem, além do papo furado.

Por coincidência, o Jornal do Brasil traz, também neste sábado, mais um tiro na mosca do veterano analista político Mauro Santayana, que é de esquerda, não nega, e combate a direita que, diabolicamente, finge não o ser:
"O novo governo paraguaio pode ficar tranquilo: o senador Álvaro Dias garantiu ao presidente Franco o apoio incondicional do PSDB à nova ordem estabelecida em Assunção. Com essa solidariedade, o chefe de governo do país vizinho está apto a reverter a situação de repúdio continental, vencer a parada no Mercosul e roncar grosso — como, aliás, está começando a fazer — contra o Brasil, a Argentina e o Uruguai.

O problema todo é que o bravíssimo senador Álvaro Dias, companheiro de dueto, até há poucas semanas, do senador Demóstenes Torres nas objurgatórias morais contra o governo, não combinou esse apoio com o povo paraguaio, que irá às urnas em abril e, provavelmente, nelas dirá o que pensa da 'parlamentada' de Assunção. E, mais ainda: não será ouvido nos foros internacionais que estão tratando do tema. Nesses centros de decisão, quem estará decidindo serão os chefes de Estado e os chanceleres dos países do continente. Por enquanto, estando na oposição, os tucanos não podem falar em nome do Brasil".
De resto, quem na Folha propõe, em contraposição a Álvaro Dias, tolerância zero com golpes, é de esquerda e tem orgulho de ser da esquerda: o senador Randolfe Rodrigues, do PSOL-AP.

Este não nega o óbvio ululante:
"A deposição, por parte do parlamento do Paraguai, do presidente Fernando Lugo é um grave atentado à democracia.

O julgamento realizado pelo Congresso Nacional paraguaio, liderado pelos partidos conservadores daquele país, teve como objetivo desestabilizar a democracia e recuperar os privilégios das elites paraguaias, impedindo a conclusão do mandato do presidente poucos meses antes das eleições.

Isso explica o rito sumário que sequer assegurou condições mínimas de defesa ao presidente acusado.

...não podemos ficar passivos, já que qualquer tentativa de diminuir o significado do golpe de Estado no país vizinho incidirá, num futuro próximo, na democracia do resto da América Latina.

Assim, o Brasil deve responder com firmeza, repudiando taxativamente a deposição do presidente paraguaio Fernando Lugo".
O diabo terá de ocultar melhor os chifres e o rabo, se quiser tornar-se crível.
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