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domingo, 18 de setembro de 2022

OS ARTISTAS RESPONDEM EM VÍDEO AO GENOCIDA: ESQUECER, JAMAIS!

Na realidade atual, esta foi uma admirável iniciativa...
E
m 1989, na última campanha presidencial de quando o PT pretendia realmente personificar uma alternativa ao capitalismo, não se resignando a propor tão somente uma versão atenuada da exploração do homem pelo homem, foi inesquecível o clipe do Lula-Lá (vide aqui), interpretado por dezenas dos melhores artistas brasileiros.

Um novo clipe com características parecidas foi lançado neste sábado (17) no YouTube. Mas, como a volta do PT ao poder não enseja agora idênticas esperanças, seria exagero destacar o brilho de uma estrela, como foi a tônica naquela vez.   

O que se fez foi repudiar nosso pior e mais desequilibrado presidente da República de todos os tempos, que:
— causou a morte de centenas de milhares de brasileiros com seu negacionismo e sabotagem à vacina contra a covid;
— conseguiu recolocar o Brasil no mapa da fome;
— fez deste país um pária internacional, motivo de indignação e zombarias dos civilizados do mundo inteiro, etc.

O Hino ao Inominável, gravado entre julho e agosto últimos, tem mais de 13 minutos e foi criado pelo Coletivo Bijari, destacando as frases mais repulsivas que o Bozo já proferiu. Não invejo o trabalho dos selecionadores, pois ao longo de sua parasitária vida adulta ele deve ter sido autor de pelo menos um milhar delas...
...mesmo não igualando a grande esperança de 1989.

Com letra de Carlos Rennó e música de Chico Brown e Pedro Luís, a canção é apresentada por 30 intérpretes, desde atores como Wagner Moura e Bruno Gagliasso até cantores cono Chico César, Zélia Duncan, Lenine, Caio Prado (do trio Não Recomendados) e Marina ìris. O violoncelista Jaques Morelenbaum também fez uma participação especial.

A canção tem 200 versos metrificados, além do refrão otimista ("Mas quem dirá que não é mais imaginável / Erguer de novo das ruínas o país?"). 

A descrição do vídeo no YouTube, por sua vez, acena com uma responsabilização da horda de bárbaros e da famiglia mafiosa pelos crimes cometidos, Ou seja, exatamente com o que deixou de ser feito a partir da redemocratização de 1985 ("Sem a memória dos crimes de hoje, não teremos justiça amanhã. Esquecer, jamais!").
UM ADENDO PESSOAL – Foi muito gratificante para mim a constatação de que o empurrãozinho dado na carreira do Carlos Rennó ajudou a direcionar seu enorme talento para o bom combate. 

Quando, lá por 1980, eu era o editor das revistas de música da Editora Imprima, ele apareceu por lá querendo escrever apenas sobre os tropicalistas, principalmente Caetano Veloso. Mas, como seu texto já era ótimo e ele precisava de grana para se bancar enquanto tentava inserir-se no nicho por ele almejado, assim como de holofotes (mesmo pequenos) para ir se tornando mais conhecido, convenci-o a escrever também sobre outros músicos. 
Manifestação antifascista na Paulista em meados de 2011 
E ele aprendeu depressa. Tornou-se mais eclético e incorporou ao seu arsenal os macetes do jornalismo. Lembro-me de que seu longo apanhado da carreira do Roberto Carlos, ocupando uma revista MPB inteira, ficou um arraso.

Eu aprendi com muitos veteranos e ensinei a muitos iniciantes. Assim éramos os jornalistas de outrora. 

Hoje competem o tempo todo entre si e puxam o tapete uns dos outros, a tal ponto que não lamentei muito ter encerrado minha trajetória em redações no final de 2003, ainda amando a profissão no que ela tinha de melhor (disponibilizar a verdade aos leitores).

Mas detestando o que ela havia se tornado e os profissionais sem idealismo nem solidariedade que ela passara a estimular, embora, claro, subsistam dignas exceções ao mercenarismo vigente. (por Celso Lungaretti)
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