quinta-feira, 27 de julho de 2023

AS SIMILARIDADES DOS MÉTODOS NAZIFASCISTAS NO BRASIL - 2

 (continuação deste post)

O Brasil de 2018 vinha de uma crise econômica que explodiu em 2013, influenciado por forte propaganda midiática que colocou nos ombros da corrupção política uma culpa que é do capitalismo em fim de feira, que satanizou a social-democracia elevando aos píncaros da glória políticos de direita, tão calejados como inexpressivos, mas que surgiam como outsiders, numa mentira implícita.

O programa bolsonarista - um tenente promovido a capitão do Exército por consequência de afastamento por indisciplina militar -, incorporou e praticou os seguintes métodos:

- condecorou elementos identificados com as milícias cariocas e incentivou seus adeptos às práticas abertamente de atitudes agressivas e assassinas, numa apologia do mal racista e homofóbico. O exemplo mais claro de tal comportamento é o ostensivo apoio ao ex-Deputado Federal e ex-mau-policial Daniel Silveira, que postava fotos quebrando placas em homenagem à vereadora e feminista Marielle Franco, assassinada por milicianos cariocas;

- estimulou a expansão dos CACs - Caçadores, Atiradores e colecionadores de Armas - através de uma série de decretos presidenciais, forma disfarçada de armamento da população por entidades de colecionismo e tiro desportivo, que se multiplicaram no governo Bolsonaro, cujo gestual ensaiando tiro de metralhadora era símbolo de campanha; 

- usou a internet e as redes sociais para a difusão eletrônica de fake news, que aos milhões e diariamente difundiam mentiras sobre fraude eleitoral, ineficácia de vacinas, corrupção no judiciário, infiltração comunista, desconstrução de fatos históricos da luta contra o racismo, desconstrução de reputações, etc.;

-  deixou de comprar vacinas afirmando que quem quisesse vendê-las que viesse oferecer, no exato momento em que o mundo disputava a preferência de compra das incipientes produções das ditas cujas, que salvaram milhões de pessoas mundo afora.

Além disso, insinuou que as vacinas poderiam causar efeitos colaterais inesperados como alguém virar jacaré ou falar fino, e pari passu, estimulou o combate à pandemia então instalada com o uso comprovadamente ineficaz da Cloroquina, remédio de combate à febre amarela que jamais serviu para o combate ao vírus da covid 19 de triste memória.

O resultado disto é que o Brasil se tornou campeão mundial de mortes per capita por covid  e um dos primeiros em números absolutos de morte - cerca de 700 mil, oficialmente. O governo Bolsonaro passou para história como tendo feito grosseiras alusões ao padecimento dos enfermos e ter se tornado responsável por cerca de 300 mil mortes no Brasil, que seriam evitáveis tivesse ele agido de forma responsável, comportamento apurado detalhadamente na CPI da pandemia.

Também incitou a população a sair de casa para o trabalho por imagens de presença ostensiva do Presidente em lugares públicos de vendas por ambulantes, se arriscando à contaminação do vírus, transmissível por via aérea;

- estimulou, por seu Ministro do Meio Ambiente, o desenvolvimento predatório de atividades econômicas na Amazônia, e até em terras indígenas, pela via da extração ilegal de minérios, derrubada de florestas para ampliação do agronegócio em estreita ligação com madeireiros, desarticulando instituições oficiais de combate à predação ambiental e incentivando a pecuária de corte e a pesca predatória, fato que criou condições para o avanço do tráfico de drogas na região;

 - promoveu manifestações patrióticas a cada domingo em Brasília nas quais se lia o apelo à restauração do AI-5 - que fechou o Congresso, cassou parlamentares e destituiu do emprego pessoas por presunção de subversão, prendeu e matou adversários - e ostensiva intervenção militar para um governo de exceção ao estado constitucional de direito; 

- o Brasil continuou com resultados pífios do PIB, inflação alta e desemprego estrutural renitente;

- terminou por receber presentes valiosos possivelmente do governo da Arábia Saudita, dos quais tentou se apropriar como fossem privados, tal qual fazia Hermann Göring com as obras de artes que recebia ou saqueava; 

O fim disso foi a derrota eleitoral, em que pese o uso da máquina administrativa com a distribuição de benesses de todo o tipo, criando o orçamento secreto para emissão de emendas orçamentárias a parlamentares em seu apoio. 

Perdido eleitoralmente, ensaiou um golpe estimulando seus apoiadores fanáticos e desavisados, alguns  nem tão desavisados assim, ao golpe de 8 de janeiro, indo assistir de longe à sua arquitetura neofascista.

Negar essas semelhanças com o nazismo é passar certificado de cegueira facciosa e se assumir como admirador do totalitarismo, doutrina de ultradireita que recebeu o apoio de tantos brasileiros incautos. 

Mas o perigo nascifascista continua, estimulado pela falência do capitalismo em fim de feira que impopulariza os governos sob a égide de tal forma de relação social, situação da qual se aproveita tudo que é gente mal-intencionada aos interesses populares. (por Dalton Rosado) 


Um comentário:

Anônimo disse...

https://www.ihu.unisinos.br/630892-curitiba-tem-o-germe-do-fascismo

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