domingo, 19 de junho de 2022

PODEREMOS SOBREVIVER ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, MAS A UM PREÇO ALTÍSSIMO

Lamento ter demorado mais tempo do que deveria para chegar à conclusão de que a humanidade poderá sobreviver às alterações climáticas mesmo sob o capitalismo, embora à custa de muita devastação e de um número assustador de óbitos 

As estimativas atuais admitem a possibilidade de um aumento de 2,5°C ou menos na temperatura global em 2100, em comparação com os níveis pré-industriais. 

Bem menos, portanto, do que os 4,5°C a 5°C antes previstos. A substituição dos combustíveis fósseis pela energia limpa está marchando mais rapidamente do que o esperado (alvíssaras!).

Mas, atenção para esta advertência de Ezra Klein, colunista do New York Times, no artigo Seus Filhos Não Estão Condenados Por Causa da Crise Climática:
"Ninguém deve confundir 2,5°C de aquecimento (ou mesmo 2°C) com sucesso. Causaremos danos incalculáveis a ecossistemas, haverá secas agravadas, inundações, fomes, ondas de calor. Teremos branqueado recifes de coral, acidificado o oceano, levado à extinção de inúmeras espécies.

Milhões, talvez dezenas de milhões, de pessoas morrerão com o aumento do calor e mais serão mortas por consequências indiretas da crise. Muitas mais ainda serão forçadas a fugir de casa ou viver uma vida de profunda pobreza ou sofrimento"
Isto sem levarmos em conta a simultaneidade e possível sinergia entre as crises econômica e climática, que tornaria o preço a pagarmos ainda mais elevado. 

Mas, tenho a esperança de que os esforços para a sobrevivência, de tão árduos que eles se prenunciam, talvez habituem os seres humanos a agir exatamente como tais, passando a colocar a promoção do bem comum como prioridade máxima de suas existências e sepultando a escravização ao lucro. 

Ou seja, poderão abrir-se janelas revolucionárias. Depois de chegar tão perto da abismo, a humanidade talvez se convença de que precisa deixar de viver perigosamente. 

Afinal, p. ex., a crise dos mísseis cubanos fez EUA e URSS adotarem medidas para que nunca mais a guerra fria esquentasse tanto. 

E o susto de 1962 teve papel fundamental para dali em diante, até o final dos anos 60, o mundo assistir à mais profunda revolução de costumes de todos os tempos, além de quase chegar à revolução política propriamente dita na França e em alguns outros países.  

Por último, mantenho a advertência que sempre fiz: em circunstâncias extremas, as nações ricas priorizarão a salvação de sua gente, deixando as populações das nações periféricas entregues à própria sorte.

Mais um motivo para sacudirmos nossa tradicional letargia e começarmos a fazer a parte que nos cabe, pois a superação do capitalismo, cada vez mais necessária para a humanidade ter uma esperança de futuro, não nos virá por dádiva de ninguém, mas sim como consequência das difíceis lutas que travarmos.   (por Celso Lungaretti)

Um comentário:

Anônimo disse...

https://www.nytimes.com/es/2022/06/15/espanol/opinion/cambio-climatico-consecuencias.html

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