terça-feira, 17 de novembro de 2020

O PT DEMOROU TANTO PARA PRODUZIR SUA AUTOCRÍTICA QUE ELA INCORPOROU NO PSOL DE BOULOS, COM JEITÃO DE AUTÓPSIA!

josias de souza
EM 2 ANOS, O ELEITOR DESISTIU DE CHUTAR
O BALDE
Depois de uma eleição, é comum tentar extrair explicações das urnas. Esse exercício é mais útil quando quem analisa toma cuidado elementar de não cair na tentação de utilizar eleições já apuradas para prever o resultado da eleição seguinte. 

Observada tal precaução, o esforço para decodificar os sinais emitidos pelo eleitorado é um saudável e pedagógico exercício. 

As urnas municipais de 2020 trouxeram à tona um eleitor bem diferente daquele que votou na disputa presidencial de 2018, eis a primeira constatação. Há dois anos, o brasileiro estava indignado com o petismo no varejo e irritado com a política no atacado. Queria chutar o balde. Buscava um antipetista capaz de virar o sistema do avesso. Deu em Jair Bolsonaro. 

A eleição da pandemia trouxe à tona um brasileiro inseguro. Em vez de mudar tudo isso que está aí, esse eleitor revelou-se propenso a manter o que imagina estar funcionando.   

O grosso do eleitorado evoluiu da vontade de mudar para o desejo de conservar. Valorizou resultados em detrimento do discurso ideológico.

No geral, prefeitos que aproveitaram a visibilidade proporcionada pela crise sanitária para valorizar o ser humano foram premiados.

Houve uma espécie de despolarização compulsória do ambiente político. As urnas sinalizaram à extrema-direita de timbre bolsonarista que é preciso retirar o ódio do pudim, adicionando resultados à receita. 

O recado enviado à esquerda de viés petista foi o de que pode estar em curso uma renovação. O PT demorou tanto para produzir uma autocrítica que surgiu na face de Guilherme Boulos um PSOL com aparência de autópsia. 

O pano de fundo dessa conjuntura é um avanço das legendas do centrão e suas adjacências. Por ora, quem mais elegeu prefeitos foram MDB, PP, PSD, PSDB e DEM. 

Quer dizer: após a ilusão do novo, a política brasileira continua girando como parafuso espanado ao redor das mesmas oligarquias. (por Josias de Souza)

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