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quinta-feira, 25 de agosto de 2022

PARA NÃO SAIR DA ROTINA, O BOZO FEZ JOGO SUJO NA SABATINA DE 2ª

flávia boggio
BOLSONARO ADOTOU TÉCNICAS DE
 CARÁTER DUVIDOSO EM ENTREVISTA AO JN
N
o início da semana, o presidente Jair Bolsonaro foi o primeiro candidato entrevistado pelo Jornal Nacional, na Rede Globo. 

Durante 40 minutos, o candidato à reeleição respondeu a perguntas de William Bonner e Renata Vasconcellos sobre respeito às urnas, pandemia e Amazônia.

Para não perder o controle durante a entrevista e mostrar seu lado grosseiro e desequilibrado de sempre, o presidente adotou todas as ferramentas usadas em discursos e entrevistas por pessoas de caráter duvidoso.

Ao responder as perguntas de Renata Vasconcellos, ele abusou de manterrupting, hábito de homens interromperem falas de mulheres, ao discordar da âncora constantemente antes que ela terminasse as perguntas. 

Também apelou para o gaslighting, ao tentar fazer com que ela parecesse equivocada, como quando mentiu que nunca havia imitado pacientes com falta de ar.

Outra técnica muito adotada por pessoas sem escrúpulos é name-dropping, que consiste em citar nomes aleatoriamente para dar credibilidade ao discurso. Para dizer que seu governo tem um alto padrão, Bolsonaro mencionou ministros como Marcos Pontes, Ricardo Salles e Onyx Lorenzoni. 

Como se um homem-propaganda de travesseiros, um ecocida e um veterinário que acredita que formigas transmitem coronavírus fossem sinônimo de excelência.

Outra ferramenta adotada pelo presidente na entrevista foi a de citar pequenos atos para dizer que fez um grande trabalho, conhecida também como lei do mínimo esforço

O presidente contou que, na pandemia, visitou lares na periferia de Brasília, porque se locomover por um raio de dez quilômetros já basta para mostrar solidariedade ao Brasil.

Por último, a técnica mashit gun, conhecida no Brasil pelo simpático trocadilho de merdalhadora, que consiste em falar uma sequência de asneiras a ponto de confundir o interlocutor.

O presidente falou asneiras em série, como "o tratamento precoce é uma liberdade do médico" ou "usei uma figura de linguagem" quando insinuou que a vacina transforma pessoas em jacaré.

Ou que foi responsável pela transposição do rio São Francisco e pela criação do Pix. Nesses casos, a merdalhadora foi tão grotesca que os entrevistadores acabaram por desistir de refutar as respostas. (por Flávia Boggio)

segunda-feira, 29 de julho de 2019

AS BESTEIRAS QUE O GUEDES FALA SOBRE A AMAZÔNIA SÃO TÍPICAS DE QUEM CABULOU AS AULAS GINASIANAS DE BOTÂNICA

marcelo leite
BOLSONARO LIDERA
REPÚBLICA DA IGNORÂNCIA
Há ministros que dizem besteiras sobre ciência e desenvolvimento por oportunismo ou má-fé, como Ricardo Salles (Meio Ambiente). Outros, por conveniência e farisaísmo, como Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia). Outros ainda, por pura ignorância, como Paulo Guedes (Economia).

Começando pelo último, o mais recente. Guedes, seguindo a liderança do presidente Jair Bolsonaro sentado a seu lado, deitou falação sobre a Amazônia num evento da Suframa. Deu um show de desconhecimento sobre a floresta.

Para bajular o capitão, pôs-se a discorrer sobre as riquezas materiais e biológicas da Amazônia, “que nenhum outro país tem”: minérios, gás e, principalmente, biodiversidade. E, claro, oxigênio.

Oxigênio?!

O superministro não prima pela clareza. Sua referência ao elemento químico imprescindível à vida se deu no contexto de um argumento sobre negociações comerciais com os Estados Unidos. O proverbial toma-lá-dá-cá: vocês deixam entrar o etanol, nós deixamos entrar o milho etc.

Aí ele disse que questionaria os negociadores americanos: “Vocês reconheceriam nosso direito de propriedade sobre o oxigênio?” —largou Guedes. “Nós produzimos oxigênio para o mundo.” Sugeriu que Manaus se tornasse a capital mundial de transações com oxigênio e carbono.

Não, ministro, não é nada disso. O senhor caiu no conto do pulmão verde do mundo, um equívoco pedestre. O erro indica que a pessoa faltou nas aulas ginasianas de botânica.

Árvores produzem oxigênio durante o dia. Empregam energia solar para fazer fotossíntese, ou seja, utilizam gás carbônico (CO2) do ar para sintetizar carboidratos, num processo que tem oxigênio (O2) como subproduto.

Durante o dia, note bem. À noite, as plantas respiram como nós: consomem oxigênio e expelem gás carbônico. Num sistema em equilíbrio, não há superávit de O2 para vender. Pulmão verde uma ova.

Ocorre que a floresta amazônica não se encontra em equilíbrio. Ela já perdeu uns 800 mil km2, 20% da área original, mais da metade disso só nas últimas três décadas.

Multiplicado esse número pelas 30 ou 40 mil toneladas de biomassa em cada quilômetro quadrado de mata, tem-se uma ideia de quanto CO2 o desmatamento lançou na atmosfera com a queima e a decomposição de toda essa matéria vegetal. O CO2 é um gás do efeito estufa, que agrava o aquecimento global e nos projetou na crise climática que o planeta enfrenta.
Não se trata, portanto, de produzir oxigênio para o mundo, mas de parar de poluir a atmosfera e de azucrinar o clima da Terra. Com todo o respeito, ministro Guedes, o senhor está mal informado.

Marcos Pontes, por seu turno, não teve pudor de lançar hidrogênio na fogueira da reputação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) iniciada por Bolsonaro. 

Depois das ofensas do presidente contra o instituto, em lugar de defendê-lo, disse que vai convocar o diretor do Inpe para dar explicações sobre possíveis falhas na metodologia do monitoramento florestal.

Para um ex-astronauta, cujo feito não foi mais que uma viagem de turismo espacial, mais ainda um beneficiário do complexo espacial erguido sob as asas da Aeronáutica em São José dos Campos (CTA, ITA, Inpe, Embraer), é um acinte. Vale tudo para se manter no cargo.

De Ricardo Salles, Damares Alves, Abraham Weintraub e Osmar Terra é melhor nem falar. 

Com Pontes e Guedes, formam o primeiro escalão zureta da República da Ignorância que Bolsonaro instaurou e lidera em Brasília, secundado por Huguinho, Zezinho e Luizinho. 
(por Marcelo Leite, jornalista especializado em ciência
e ambiente)
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