O salário do medo tem 60 anos, mas nada perdeu do seu impacto e do seu charme. Naquilo que realmente importa, é um filme moderno, pois essencializado e empolgante.
Tenho muita satisfação em disponibilizá-lo no blogue, ainda mais com a qualidade superlativa da versão restaurada da Criterion Collection. As legendas são em português.
Começa inserindo-nos rapidamente no inferno que é um vilarejo perdido da América do Sul, fim de linha para aventureiros que perderam muitas batalhas. Sem terem como bancar a viagem de volta, eles ficam entregues ao marasmo, à espera de uma oportunidade para darem a volta por cima.
A economia do grotão gira toda em torno de uma multinacional petroleira, que prospera enquanto o povo definha. Se queres um monumento ao imperialismo, vede este filme!
Quando um poço de petróleo pega fogo, quatro sujeitos têm a chance que há tanto aguardavam: ganharão uma boa grana se conduzirem a nitroglicerina necessária para apagar o incêndio, dirigindo dois velhos caminhões por estradas esburacadas e enlameadas, conscientes de que qualquer solavanco pode mandá-los pelos ares. O ouro negro é tudo e a vida deles não vale nada, segundo a impiedosa lógica do capital.
A viagem é cheia de peripécias, tão tensa que nos surpreendemos com a respiração presa em vários momentos. Não há como deixarmos de admirar os resultados obtidos nas cenas de ação, mesmo com a incipiência dos efeitos especiais então disponíveis.
Trata-se de uma obra-prima do grande cineasta francês Henri-Georges Clouzot, alguns pontos acima do seu também ótimo As diabólicas (1955).
E Yves Montand já deixa antever o magnífico ator que se tornaria adiante. Comunista no início da carreira, depois da invasão de Praga ele passou a repudiar todas as ditaduras, tendo sido um dos principais nomes (o outro: Gian-Maria Volonté) do cinema político europeu das décadas de 1960 e 1970. Estrelou filmes de Costa-Gravas, Jean-Pierre Melville, Alain Resnais, René Clement e Jean-Luc Godard, dentre outros.
E Yves Montand já deixa antever o magnífico ator que se tornaria adiante. Comunista no início da carreira, depois da invasão de Praga ele passou a repudiar todas as ditaduras, tendo sido um dos principais nomes (o outro: Gian-Maria Volonté) do cinema político europeu das décadas de 1960 e 1970. Estrelou filmes de Costa-Gravas, Jean-Pierre Melville, Alain Resnais, René Clement e Jean-Luc Godard, dentre outros.
Vale cada fotograma!