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domingo, 7 de julho de 2024

BRASIL ELIMINADO DA COPA AMÉRICA: AS SELEÇÕES MULAS SEM CABEÇA NÃO TÊM VEZ NO SÉCULO 21.

A seleção de futebol brasileira acaba de ser eliminada da Copa América pela uruguaia na  loteria dos pênaltis, após vencer uma partida e empatar as outras três.   

E daí? Qual a novidade? Uruguaios acumulam 15 títulos dessa competição, argentinos idem e nós, 9. Deu a lógica. 

Além de terminarmos invictos, ainda fomos até ligeiramente superiores aos hermanos cisplatinos, que eram cravados como francos favoritos pelos cronistas esportivos daqui.

No entanto, quem der uma passada de olhos pelos textos dos ditos cujos, ficará com a impressão de que acabou de ocorrer uma verdadeira tragédia. 

Quase todos perderam o espírito crítico, o senso de proporção e a coragem intelectual para resistirem ao resultadismo rabugento dos torcedores. 

Tornaram-se espíritos polarizados, repetindo melancolicamente a cegueira da política ao fazerem média com o primarismo daqueles a quem deveriam transmitir luzes. Pelo contrário, conduzem-nos a escuridão mais profunda.

Uma análise pautada pelo equilíbrio teria reconhecido que, após o 2023 que a CBF jogou fora com o engana-trouxas de que Carlo Ancelotti trocaria o Real Madrid pela Irreal Pindorama e com a perda total que foi a passagem do  Fernando saidinha Diniz pelo escrete, o técnico Dorival Jr. nem de longe foi testado. Se queriam um mágico, que fossem procurar algum.

Após sair-se surpreendentemente bem nos amistosos internacionais, Dorival Jr. teve de jogar sua sorte na Copa América em ridículas miniaturas de gramados estadunidenses, ótimos para os selecionados que  congestionam todos os espaços, disputando a bola com transpiração extrema e inspiração quase nenhuma. 

Para piorar, um grotesco erro do arbitro e do VAR privou os brasileiros do primeiro lugar em seu grupo, colocando-o contra um adversário muito mais difícil no primeiro mata-mata.

E o dedo na ferida ninguém coloca. O principal problema do mendicante futebol brasileiro é haver-se tornando fornecedor de pé-de-obra para o exterior, não só negociando suas revelações a preço de banana enquanto ainda nem chegaram à maioridade, mas também formando-as de acordo com as exigências dos compradores.
Estes, os europeus com mais intensidade, continuam nos vendo apenas como intuitivos talentosos, bons para o drible e as improvisações, mas não como organizadores das equipes, capazes de pensar opções e ditar o ritmo do jogo coletivo. 

Noutras palavras, ainda nos veem como intelectualmente inferiores e não se dispõem a pagar fortunas por grandes meio-campistas, simplesmente essenciais na modernidade futebolística.

Como a Argentina conseguiu quebrar a sequência de quatro Mundiais da Fifa consecutivos vencidos pelos europeus após o penta brasileiro? Graças a ter um gênio no meio-de-campo, simplesmente o maior futebolista de todos os tempos. 

E só o tinha porque vinha lapidado desde os 13 anos no Barcelona. Caso tivesse permanecido no seu país, Messi jamais atingiria as alturas que atingiu. 

Está muito melhor a seleção canarinho com Endrick, Vinícius Jr., a perspectiva de que Estevão vingue e que Vitor Roque se recupere. Provavelmente dará para montarmos um ataque poderoso. 

Mas o calcanhar de Aquiles, como se viu na Copa América, é não possuirmos nenhum meio-campista magistral como De Bruyne e Modric.
(por Celso Lungaretti)

domingo, 9 de junho de 2024

ENDRICK PODERÁ, SIM, SER O NOVO PELÉ!

Já que a política brasileira em 2024 só nos causa decepções, vamos falar um pouco de futebol: com o menino Endrick e o veterano treinador Dorival Jr., a seleção canarinha parece prestes a viver o seu melhor momento desde a eliminatória para o Mundial Fifa de 2018.

Daquela vez, depois de seis partidas decepcionantes com Dunga como técnico, o Brasil embalou sob o comando de Tite, quando o aproveitamento saltou para incríveis 88,9% dos pontos possíveis. 

Mas, deslumbrado, o Adenor fez questão de disputar a Copa com os mesmos titulares, sem levar em conta que alguns estavam em péssima fase, principalmente Gabriel Jesus, que passou todos os jogos em branco, após haver feito sete gols na eliminatória sul-americana. 

Com a consagração de Vinícius Jr. e (em plano um pouco inferior) Rodrygo no Real Madrid, mais a atuação espantosa de Endrick ao entrar no 2º tempo e marcar para o escrete contra a Inglaterra, a Espanha e o México, os torcedores brasileiros voltam a ter esperanças. Já anteveem um trio ofensivo jovem e devastador garantindo, em 2026, a conquista do sonhado hexacampeonato.

Endrick, prestes a completar 18 anos, está com essa bola toda? Está. Tem as virtudes do Vinícius Jr. (ousadia, habilidade como driblador, visão de jogo, ótimas assistências) acrescidas de superiores senso de colocação e qualidade das finalizações. 

O oportunismo, o chamado faro de gol que às vezes falta ao exuberante Vini Jr.,  é o que mais chamou a atenção no cartão de visitas de Endrick para o Planeta Bola: estava sempre no lugar certo e concluía com total precisão.
Gol do iluminado Endrick contra o México, já nos acréscimos 

Jogando o tempo todo em direção ao gol, ora fazendo jogadas espetaculares ora exibindo eficiência minimalista, além de possuir aquela dose adicional de sorte que acompanha os craques, o iluminado Endrick faz mesmo lembrar o Pelé que deslumbrou o mundo na Copa de 1958.

E ainda por cima estará sob os cuidados de dois técnicos que sabem como poucos lapidar as joias que lhes caem nas mãos: Dorival Jr. e Carlo Ancelotti.

Além desses três, o Brasil talvez conte no próximo Mundial com o Estevão do Palmeiras (grande promessa) e o Vitor Roque, que ainda pode mostrar na Europa todo o futebol que jogava no Athletico Paranaense, apesar do mau começo no Barcelona. Uma geração de novos atacantes como há muito tempo não conseguíamos formar.

De resto, a
Neymardependência passa a ser apenas má lembrança de um passado decepcionante. É um alívio percebermos, nos cinco acima citados, que nenhum deles leva jeito de vir a desperdiçar seu potencial de forma tão melancólica e constrangedora. (por Celso Lungaretti) 
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