CELSO LUNGARETTI DEIXA UM LEGADO DO QUE É SER UM VERDADEIRO REVOLUCIONÁRIO
Não queria eu dar essa triste notícia, mas nosso amigo Celso Lungaretti faleceu neste sábado, 18 de julho de 2026, em São Paulo. Celso teve uma queda, passou por cirurgia e chegou a ficar internado por alguns dias, mas, infelizmente, não conseguiu resistir.
Perdemos um grande revolucionário, um homem que desde a adolescência esteve comprometido pela construção de um mundo mais justo e solidário, onde a exploração humana fosse abolida, as opressões e a miséria não existissem mais. Do movimento secundarista passou à guerrilha, travando a batalha contra a feroz e abominável ditadura militar. Preso no Rio de Janeiro, foi barbaramente torturado pelos militares, embora o pior viesse após sua liberdade, pois passaria anos buscando provar sua inocência na delação do segundo campo de treinamento da VPR, o que conseguiu após a revelação de novos documentos e a análise do historiador Jacob Gorender.
Nunca se vergou aos poderes e tão pouco se acomodou à politicagem, mantendo estrita independência frente à dita esquerda da ordem, destoando de outros que bajulam incansavelmente o lulismo no poder. Isso trouxe-lhe problemas quando pleiteou sua justa indenização pelas perseguições que sofreu durante a ditadura militar: o governo Lula de tudo fez para dificultar sua causa.
Mais uma vez não se escondeu quando foi chamado a contribuir com a causa de Cesare Battisti, perseguido pelo governo italiano. Envolveu-se por completo na batalha pública e jurídica em prol do asilo ao militante, novamente enfrentando parte da esquerda da ordem, além da direita empedernida. A reversão do asilo, com a extradição de Cesare anos depois, não invalida a vitória obtida em 2010, que era um dos maiores orgulhos de Celso.
Só vim a conhecer pessoalmente Celso em 2022, quando o encontrei em São Paulo, mas nossa relação começou antes, durante a derrocada de Dilma em 2016. Já era leitor assíduo do blog, uma exceção no marasmo da blogosfera esquerdista, dominada ou pelo lulismo rasteiro ou pela péssima qualidade. Celso sempre me encantou com suas análises precisas, rigorosas e sem rabo preso. Diante do desastre lulopetista, Celso conclamou seus leitores a fazerem posts para analisar a conjuntura e os motivos da histórica derrota materializada no impeachment. Escrevi um artigo e enviei, logo Celso me pediria outros e assim nascia nossa parceria, um veterano jornalista e um jovem professor de filosofia.
A verdade é que aprendi muito com ele, aprimorei minha forma de escrever, aprendi a como trabalhar uma editoração, mas também, e sobretudo, aprendi a ser um ativista melhor. Celso sempre prezava a necessidade de buscar antes aproximar pessoas, mesmo que adversárias, do que distancia-las, pois a causa maior, da revolução, exige o máximo de combatentes. Com ele também aprendi que a paciência revolucionária é uma de nossas maiores virtudes, pois o verdadeiro revolucionário quase sempre estará à margem, mas em algum momento a história lhe fará justiça.
Tenho certeza que a história já fez justiça a Celso Lungaretti e seu nome já está escrito entre aqueles que devotaram sua vida à construção do mundo justo e equânime. Infelizmente, ele não verá o triunfo deste mundo, mas sua memória será honrada por aqueles que o construirão.
Cabe a nós que ficamos continuar e honrar seu legado. Neste momento de ascensão da extrema-direita, com xenofobia, racismo, machismo, destruição ambiental e exacerbação da exploração do ser humano pelo ser humano, a humanidade deve encontrar seu caminho interrompido e colocar abaixo o capital e suas estruturas asfixiantes e nefastas. Que a memória de Celso Lungaretti nos ajude nisso.Celso, presente! Hoje e Sempre! (por David Coelho)
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7 comentários:
Grande perda, principalmente para os que estão ávidos por melhorias na vida da humanidade...
Meus Deus! Que triste notícia. Que o nosso querido Celso fique em um bom lugar. Deixará saudades.
Uma grande perda para os revolucionários brasileiros.
Muito triste esta notícia, uma pena! Eu lia já há muitos anos os artigos do Celso, quase diariamente. O Celso nunca arredou pé das convicções dele. Sempre reto, se me permitem dizer, eu diria que ele morreu tranquilo por essa razão.
Tive contato com Celso Lungaretti e tomei conhecimento sobre ele pela primeira vez lá pela segunda metade dos anos 00, na época em que ele tinha se atracado com Olavo de Carvalho e a polêmica com Boris Casoy. No meu modo de entender, o tenho como alguém do maior respeito por ter passado por grandes injustiças e infâmias e ainda ter sido capaz de sobreviver e ter se reconstruído. Considerei também muito tocante uma certa postagem que fez quando dizia que tinha de ficar vivo para amparar suas filhas, como também colocou isso em seu livro. Expresso aqui minhas condolências as filhas e a viúva desse que foi sem dúvida um alguém de sinceridade e convicção em seus valores e que sempre foi vencedor em lutas desiguais. Espero com ansiedade a segunda parte de suas memórias.
Celso é um herói desconhecido...Viveu, sofreu e morreu pela utopia. Uma de suas desolações era de que não houve e não há engajamento nas lutas. Seu legado é difícil de se dar prosseguimento, no tempo da militância de confortável vaidade pelo youtube.
Boa noite David. Hebert deixa seu profundo lamento, pela perda do nosso cronista, "cinéfilo" (grandes dicas de "cults" d western, ao terror). Essa surpreendeu, negativamente. Descanse.
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