sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

SE O POVO BRASILEIRO DER NOVA CHANCE A LULA, ESTARÁ ELE À ALTURA?

Q
ue Lula não passa de um conservador, atolado até os fios de cabelo na lógica burguesa, não é novidade e já foi exposto aqui dezenas de vezes. 

Muito pior é o fato de ele achar-se defasado em quase duas décadas a respeito dos problemas nacionais, perdendo-se em discursos alienantes como se ainda estivéssemos em 2003.

Dada, no entanto, a falência geral do sistema político nacional e a falta de perspectivas na esquerda – para a qual em muito tem contribuído a estratégia lulopetista de erradicar o pensamento crítico entre ela e mantê-la sob suas asas –, parte considerável da população coloca sua esperança em repetir o período de bonança do 2º Governo Lula (2006-2010).

[Vale que o primeiro foi um retumbante e generalizado fracasso, tendo desembocado  melancolicamente no mensalão.]

O que anima o povo em sua fé em torno de Lula é um verdadeiro pathos pela repetição, algo que renderia uma bela dissecação psicanalítica. 

Trata-se da crença voluntarista de que basta o homem certo no poder para tudo magicamente voltar a existir como no passado glorioso. Há um quê retumbante de pensamento reacionário nisto, não sendo gratuita a exploração desta forma de pensar pelos movimentos de extrema-direita. 

Lula pode fazer acreditar, e ele mesmo se convencer disto, de que basta repetir o que já fez e tudo dará certo, mas as agruras do presente são muito maiores e mais dramáticas do que eram há 20 anos. Entre elas, podemos citar:
1. desemprego crônico, consequência de uma economia cada vez mais de base agroextrativista;
2. cenário econômico mundial desfavorável, que está claramente prenunciando uma futura crise geral;
3. sistema político disfuncional e largamente desacreditado;
4. miséria e fome galopantes; e 
5. uma burguesia que há muito abandonou qualquer pretensão nacional, preferindo entregar tudo e viver apenas da devastação de seu país

Diante disso, quais os planos de Lula? Não se sabe. Seu projeto econômico é dúbio e confuso, indo no máximo à tentativa de voltar ao status quo ante com revogações de reformas neoliberais. Novamente, a volta ao passado. 

Mesmo nisso, no entanto, não há clareza do que fará exatamente mister Inácio, deixando no ar apenas bravatarias eleitoreiras, sem qualquer substancialidade. 

Terá ele coragem de revogar as reformas trabalhistas, da previdência, o indecente teto de gastos e as privatizações dilapidadoras? Em seu primeiro governo, ele não revogou nenhuma reforma herdada de FHC, e ainda fez mais. Seu passado, portanto, ironicamente, joga contra ele nisto. 
 
Caso Lula não consiga mostrar o mínimo de serviço em seu primeiro ano, poderemos ter um fim trágico pela frente, com consequências nefastas para o Brasil e particularmente para a esquerda.

Vargas foi obrigado a fazer um giro profundo em seu último governo, após um início francamente reacionário, e acabou tendo de pagar com a própria vida para evitar um golpe de estado. O que poderá acontecer com Lula?

Nos EUA, o governo Biden fracassou com apenas um ano, não conseguindo aprovar nenhuma medida importante no Congresso e vendo seu índice de aprovação decrescer. 

O vexame é tamanho que o ocupante da Casa Branca já está lançando mão da cartada da política externa para reaver sua força interna, ansiando por uma invasão russa na Ucrânia muito mais que o próprio Putin. 

Se nos EUA o reformismo não avançou, imagine num país em frangalhos e muito mais suscetível aos humores da economia global, como é o Brasil!

Diante disso tudo, estará Lula â altura da esperança nele colocada pelo povo brasileiro? Hoje, eu apostaria num estrondoso não! (por David Emanuel Coelho) 

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