sexta-feira, 14 de novembro de 2008

DESIGUALDADE EXTREMA CONDENA O CAPITALISMO

Na contramão dos economistas e escribas a soldo do sistema e dos tolos que acreditam nesses fariseus e saem repetindo sua retórica falaciosa como papagaios, eu sempre afirmei que as contradições intrínsecas do capitalismo são insolúveis dentro do próprio capitalismo, projetando um futuro de crises econômicas cíclicas, de gravíssimos danos ecológicos (como as alterações climáticas) e de dilapidação dos recursos naturais de que a humanidade carece para a sua sobrevivência (a água em primeiro lugar).

Vai chegar o momento em que os homens terão de decidir se preferem morrer abraçados ao capitalismo ou se salvar adotando outra prioridade: a colaboração de todos para o bem comum ao invés da competição insana inspirada pela ganância.

A coluna de hoje do Clovis Rossi na Folha de S. Paulo, "Números que falam", trouxe dados estarrecedores:

* a renda dos 1.125 bilionários do planeta (US$ 4,4 trilhões) supera a renda somada de metade da população adulta do planeta e equivale a quatro quatro vezes tudo o que 180 milhões de brasileiros produzem de bens e serviços;

* em 1997, os gerentes dos 50 fundos de hedge e de "private equity" receberam cada um US$ 588 milhões, mais do que 19 mil vezes o salário-tipo do norte-americano;

* os rendimentos do Wal-Mart batiam, em 2007, o produto nacional bruto da Grécia, enquanto os da Toyota superavam o da Venezuela;

* o rendimento do trabalho no Brasil era de 45,4% em 1990, veio caindo até 2004 e só começou a ter uma ligeira recuperação a partir de 2005. Nem sequer se vislumbra no horizonte econômico o dia em que a participação do trabalho no bolo da riqueza nacional pelo menos igualará a participação do capital.

Realmente, os números falam por si: essa brutal, absurda e repulsiva desigualdade econômica é a raiz dos principais problemas que a humanidade enfrenta.

Repousa sobre o sofrimento e privações extremas a que são submetidos vastos contingentes humanos (os que vegetam abaixo da linha da pobreza) e sobre os sacrifícios inúteis impostos aos demais, que poderiam viver bem melhor e trabalhar muito menos caso cuidassem de produzir apenas o suficiente para suprir as necessidades humanas, em vez de sustentar os 1.125 grandes ociosos e todos os médios e pequenos ociosos.

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