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terça-feira, 14 de junho de 2011

O JORNAL DA DITABRANDA EXIGE PUNIÇÃO PARA OS BOMBEIROS DO RJ

"Ter motivos para reivindicar aumentos (...) não autoriza ninguém a subverter a ordem pública e a hierarquia da entidade militar a que pertencem os bombeiros", sustenta a Folha de S. Paulo em mais um repulsivo edi(ta)torial,  sem levar em conta que os bombeiros não deveriam pertencer a "entidade militar" nenhuma.

O jornal da  ditabranda  vai além, vociferando que "alguém tem de sair punido por esse levante, sob pena de ver o mau exemplo seguido por outras corporações policiais, no Rio e noutros Estados".

Bem, o poder de contaminação dos maus exemplos costuma ser um pouco exagerado. Caso contrário, durante a ditadura militar teria havido muitas empresas jornalísticas cedendo suas viaturas para o trabalho imundo da repressão,  não apenas uma.

De resto, caberia mesmo uma punição exemplar... para aqueles que deixaram de cumprir o dever de desmilitarizar tal carreira antes que o disparate tivesse péssimas consequências e, especialmente, para o patético governador que humilhou heróis ao pagar-lhes salários de fome.

Acredito que a segunda justiça se fará. Nas urnas.

Quanto aos bombeiros, sou 100% favorável à anistia para todos eles, por considerar que foram levados ao desespero por uma  otoridade   grotescamente inepta, a qual, ela sim, vandaliza a cidade.

Que era maravilhosa não apenas pelas suas belezas naturais, mas porque nela se respirava tolerância e cordialidade.

Ahora, no más.  Virou a cidade horrorosa da ocupação militar dos morros, do culto à truculência do Bope e dos desmandos de Sérgio Cabral.

terça-feira, 7 de junho de 2011

CANALHA

"É uma dor canalha
que te dilacera.
É um grito que se espalha,
também pudera.
Não tarda, nem falha,
apenas te espera
num campo de batalha,
é um grito que se espalha,
é uma dor
canalha"
(Walter Franco)

Os culpados maiores são os que mantêm até hoje os bombeiros como um corpo militarizado. Não tem nexo, não faz sentido, é uma besteira sem tamanho.

Ou, pior ainda, uma maneira inescrupulosa de tê-los sempre à disposição sem pagar-lhes remuneração condizente.

Vêm, em seguida, as autoridades que não tiveram sensibilidade para reconhecer a justeza de suas reivindicações, pois arriscam a vida por uma merreca -- "menos que uma faxineira que trabalha três vezes por semana", segundo o Carlos Heitor Cony.

Por último, os coitados dos bombeiros da ex-Cidade Maravilhosa, que foram levados ao desespero e, como consequência, à insensatez.

Foram estes que amargaram a truculência habitual do Bope, ouviram quem não lhes chega aos pés qualificá-los de "vândalos"  e agora estão presos, correndo sério risco de expulsão e de cumprirem penas.

É profundamente injusto.

Se tiver sobrado um pingo de cordialidade nos brasileiros, há que se descobrir um caminho legal para poupá-los de um castigo que a letra da lei exige, mas o espírito de Justiça repele.
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