quinta-feira, 23 de outubro de 2014

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FILMES ERÓTICOS

Histoire d'O (1975) é um dos melhores filmes já realizados na linha do erotismo soft e sofisticado, com enredo tão estranho que tudo chega a parecer um sonho (ou uma Alice no país das maravilhas vista pelo Marquês de Sade...), visual deslumbrante e uma protagonista belíssima, Corinne Cléry. 

O romance de Pauline Réage (Dominique Aury não passa de pseudônimo) incursiona pelo sado-masoquismo chique: jovem é convencida pelo amante a ingressar numa confraria S&M, estruturada por ricaços num ambiente medieval. As regras básicas são: as mulheres abrem mão até de sua identidade (daí ela ser chamada apenas de O) e têm de se submeterem a todos os desejos e caprichos masculinos.

Com o tempo, O aprende tão bem as regras do jogo que, de dominada durante o aprendizado, passa a dominadora nas suas relações amorosas, sociais e profissionais subsequentes.
A O de Crepax lembra a sua Valentina

Destaque para a brilhante adaptação para as telas, a cargo do também escritor Sébastian Japrisot, responsável pelos roteiros de algumas culminâncias do cinema policial francês: Adeus, amigo, O passageiro da chuva, O homem que surgiu de repente, Verão assassino.

O diretor Just Jaeckin teve um momento de grande notoriedade nos anos 70, a partir do sucesso do primeiro Emmanuelle, eclipsando-se na década seguinte. De certa forma, é um continuador de Roger Vadim, igualmente hábil na glamourização das imagens e na valorização dos corpos femininos.

Por último: 
  • o grande cartunista Guido Crepax fez uma graphic novel (que a LP&M lançou no Brasil) baseada na Histoire d'O; e
  • o cineasta Shûji Terayama, adaptando livremente o outro livro de Pauline Réage (Retorno a Roissy, uma continuação de Histoire d'O), realizou o primoroso Os frutos da paixão, 1981,  transferindo a saga de O para o Japão do início do século passado, sacudido por movimentos revolucionários. Espero ter a oportunidade de o postar aqui algum dia.

2 comentários:

Michael Carvalho Silva disse...

Corinne Cléry, morena, belíssima, angelical e escultural atriz e modelo francesa de origem italiana de longos e belos cabelos negros e lindos e meigos olhos claros de um tom azul violeta capaz de fazerem inveja até mesmo à própria Elizabeth Taylor no auge de sua outrora clássica e exuberante beleza. Evangeline Lilly e Vivien Leigh são as duas únicas atrizes famosas no mundo inteiro a fazerem jus à beleza maravilhosa e insuperável da própria Corinne em seus áureos tempos de glória e esplendor absolutos e inesquecíveis.

celsolungaretti disse...

Puxa, vejo agora que ela é alguns meses mais velha do que eu e tinha 25 anos quando o filme foi feito. Fez muitos filmes enquanto a beleza durou, mas não emplacou mais nenhum grande sucesso. Depois, teve de contentar-se com séries e papéis sem muita importância em filmes idem.

Poucas atrizes que alcançam o estrelato por sua beleza conseguem mantê-lo quando envelhecem. A Sofia Loren e a Simone Signoret são as mais marcantes que me vêm à cabeça.

Uma pena

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