Pelo número de visitas ao meu blogue nesta 6ª feira, talvez seja melhor eu nem postar mais material novo. O desempenho foi melhor assim... ou as estatísticas do Google estão malucas!
Afora as prosaicas atribulações cotidianas, o que me faltou mesmo foi ânimo, na meia horinha que tive livre durante o dia.
Um amigo certa vez se queixou de que, deixando-nos massacrar durante a ditadura militar, nós o obrigamos a reconstruir a esquerda a partir do quase nada: "O que sobrou para mim foi a borra do fundo do tacho..."
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| O que a esquerda diria se fosse Pinochet o modelo desta foto-exaltação do militarismo? |
Um antigo crítico roqueiro, p. ex., apresenta sua nova versão para simpathy for the devil: não defende o capeta (não há como), porém lança a mais furibunda catalinária contra os inimigos do capeta.
Omite o fundamental: se os cidadãos líbios sentiram alguma coisa, foi alívio.
O povo cubano não deixou que Fidel Castro fosse derrubado quando da invasão da Baia dos Porcos, em 1961. O povo líbio assiste impassível à derrubada de Gaddafi e até foi à praça comemorar.
Só não vê quem não quer. Ou quem, como avestruz, enterra a cabeça na areia.
Também me lembrei de como eram perspicazes e brilhantes os artigos que a esquerda outrora produzia sobre o bonapartismo militar e o caudilhismo.
Um Gamal Abdel Nasser, lider incomensuravelmente maior que Muammar Gaddafi, apanhava como Judas em sábado de Aleluia, dos brilhantes analistas que nosso lado possuía.
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| Correr riscos? Não é comigo... |
Hoje, por dizer que o regime de Gaddafi nada mais foi do que uma tirania pessoal com tinturas anticolonialistas, só faltou me lançarem à fogueira dos hereges.
Provavelmente, daqui a alguns meses todos perceberão que eu estava certo, assim como ninguém mais contesta que Manuel Zelaya seja um bunda mole.
Compreendi isto no exato momento em que soube da sua expulsão de Honduras trajando pijamas. Um Allende preferiria morrer a ser humilhado dessa forma.
Os atos subsequentes de Zelaya só confirmaram a tibieza que fui herético em identificar logo de cara (isto sem deixar de protestar contra sua deposição -- não preciso heroicizar um banana, nem mesmo gostar dele, para defendê-lo de um golpe de estado, uma coisa não tem nada a ver com a outra).
Diziam os antigos que, em terra de cego, quem tem um olho é rei.
O mais provável é os cegos tentarem furar o olho do único que vê.


