segunda-feira, 30 de setembro de 2019

QUALQUER SEMELHANÇA ENTRE O PLÍNIO SALGADO E O JAIR MESSIAS BOLSONARO JAMAIS SERÁ MERA COINCIDÊNCIA – 2

(continuação deste post)
"QUERO QUE TODOS POSSAM COMPRAR SEUS FUZIS"  Hitler era armamentista. Ao assumir o poder na Alemanha (que, depois da derrota na 1ª Guerra Mundial, ficou proibida de fabricar armas de guerra), logo apressou-se em iniciar um programa armamentista sob disfarce.

Sem que o mundo soubesse sem margem para dúvidas, tornou a Alemanha detentora de impressionante poderio bélico-militar, que já denunciava os seus intentos de revanche, alimentado pelas frustrações remanescentes da derrota alemã na guerra da qual Hitler participara como cabo (Bolsonaro também tem DNA militar, como capitão).

O mundo ficou perplexo quando constatou o poderio militar da Alemanha nazista nas anexações de territórios dos países vizinhos (República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Áustria), mas já era tarde. 

Boçalnaro, o ignaro, não difere em nada de Hitler quanto ao seu discurso armamentista. Quando diz querer "que todos possam comprar seus fuzis”, ele está incitando a população a armar-se, na provável suposição de que. a partir daí e de uma lavagem cerebral doutrinária neointegralista, possa contar com ela para um confronto com as instituições democrático-burguesas, não no sentido do avanço horizontalizado do poder popular, mas do poder verticalizado ditatorial que não aceita interferências. 
Como cada pessoa poderia utilizar suas quatro armas (tal decreto foi revogado)
O boçalnarismo entende que, fortalecido pela opinião pública doutrinariamente ensandecida (tal como ocorreu com Hitler), só precisaria de um cabo e um soldado pela fechar o Supremo Tribunal Federal, conforme elucubrou um dos seus filhos zero à esquerda. 

A pretensão dele e de seu ministro da Justiça Sergio Moro, em ampliar o poder discricionário da repressão militar ao crime, oportuniza o clima de tensão sobre uma população economicamente exaurida pelo capitalismo selvagem (de lei da selva, não dos silvícolas que ora são atingidos nos seus direitos ancestrais à terra) que perpassa todo o programa econômico de seu governo.

Hitler também perseguiu os ciganos, judeus e comunistas, enquanto Boçalnaro vitupera obsessiva e cansativamente Cuba e Venezuela como comunistas, embora estejam longe de serem exemplos da partilha comunista idealizada pelo Marx esotérico.

A obsessão boçalnarista pelo tema morte está invariavelmente presente nos seus discursos, quando inverte o conceito de defesa da vida pela prática da morte, tal qual fazia o seu congênere hitleriano. 
E o soldado que entrega o ouro pro inimigo, o que é?

Diz Boçalnaro: “O soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde”, reforçando a ideia absurda de indução à guerra como forma de combate aos males sociais e afirmação do nacionalismo retrógrado.

Sabemos estar vivendo em meio a uma guerra urbana graças ao aumento vertiginoso de assassinatos de bandidos, de inocentes e de militares. 

O pensamento boçalnarista, antes de buscar as causas mais profundas e de base da violência social em todos os estados brasileiros, prefere tentar impor uma impossível paz pelas armas, daí sustentar que “a árvore que não der frutos, deve ser cortada e lançada ao fogo” (usando interpretação do seu fundamentalismo bíblico distorcido e rasteiro). 

Em seguida, conclui “Eu sou favorável à pena de morte” (alguém dele esperaria outra postura?). 

Os genocidas matam milhões em nome da vida.    

Hitler era flagrantemente racista e xenófobo. Perseguiu, como dissemos, ciganos e judeus; desejava que a raça ariana germânica, descendentes dos celtas) dominasse a mundo, e considerava os eslavos (russos e poloneses) como sub-raça. 

Mas não parava por aí: era também homofóbico. 

Röhm, morto pelos preconceituosos
O nazistas perseguiram os homossexuais. Afirmavam que a Alemanha do 3º Reich não poderia aceitar aquela prática (crescente na Berlim daquela época, em que havia até movimento de defesa dos direitos dos gays, iniciado pelo ativista Magnus Hirschfield). 

Viam-na como uma decadência dos costumes germânicos. Para eles, era inaceitável a convivência do nacional socialismo com a homossexualidade, pois isso prejudicaria a necessária reprodução e perpetuação da raça ariana (um absurdo próprio ao desvario totalitário racista!).

Líderes nazistas importantes que eram homossexuais sofriam perseguições. Caso de Ernst Röhm (chefe das temíveis SA, a primeira milícia do partido nazista),  que foi assassinado em 1934 na chamada Noite das Facas Longas, em grande parte por preconceitos decorrentes de sua orientação sexual. 

No Brasil, onde o boçalnarismo  também tem muitas afinidades com milícias, a homofobia é  outro ponto em comum. Uma das frases mais criticadas do Boçalnaro vai exatamente nesta direção (“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um couro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”). 

Entre dar um couro (leia-se porrada) e assassinar, como fazem os homofóbicos neointegralistas que atiram nos homossexuais por crime de ódio, a distância é pequena. Boçalnaro insere-se entre os que, tal como os nazistas e neointegralistas, consideram o homossexualismo como um desvirtuamento comportamental inaceitável. 

Além de ser uma postura odiosa com relação aos que têm uma preferência sexual diferente da que o seu neointegralismo considera como unicamente aceitável, o seu pronunciamento temerário, preconceituoso, perigoso e inoportuno é mais uma manifestação explícita de sua ignorância e despreparo para o cargo que exerce. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

OS VERDADEIROS LEGADOS DA LAVA JATO SÃO UM PAÍS EM FRANGALHOS E UM GOVERNO DE ABERRAÇÕES

Os perspicazes cansaram de cantar a bola de que, alcançado o objetivo de recolocar a direita-ela-mesma no poder, em substituição a serviçais ditos de esquerda que nem sequer para gerenciar o capitalismo se mostraram competentes, a Operação Lava Jato seria esvaziada.

Como os leitores podem constatar no artigo do Celso Rocha de Barros aqui postado, é o que sucede neste momento.

Donde se conclui que, pela segunda vez seguida, uma eleição presidencial brasileira foi marcada por um grotesco estelionato eleitoral: 
— Dilma Rousseff prometeu que não deixaria serem implantadas as reformas neoliberais exigidas pelo grande capital e a primeira coisa que fez, após a posse, foi nomear o neoliberal Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, concedendo-lhe carta branca para implantar as reformas neoliberais;
— Jair Bolsonaro prometeu dar força total ao combate à corrupção (com a qual, no mínimo, compactuara durante toda sua trajetória política), mas é conivente com a desmoralização de Sergio Moro e o esvaziamento da Lava Jato, embora os continue apoiando para efeito externo.

No segundo caso, permito-me considerar apenas para efeito retórico a pergunta do Rocha de Barros:
"Vou morrer sem entender por que, em algum momento, o Brasil achou que Jair Bolsonaro estava preocupado em combater a corrupção".
É óbvio que o meu xará entendeu, sim, o porquê. A corrupção chegou ao Brasil a bordo das caravelas portuguesas, já dura mais de meio milênio e, nas últimas sete décadas, tem sido amplamente utilizada pela direita para derrubar governos que não são do seu agrado. Incrivelmente, nosso povo sempre tem engolido o isca, o anzol e até mesmo a linhada...

Nem Getúlio Vargas, com todo o seu carisma populista, conseguiu evitar que as denúncias udenistas do mar de lama o tragassem. O máximo que pôde fazer foi, por meio do suicídio e da sua famosa carta, evitar que os conspiradores colhessem o prêmio de sua infâmia.

A vassourinha do Jânio Quadros não varreu a bandalheira, desviando-se para alvos mais fáceis como o monoquíni e as brigas de galo.

Os golpistas de 1964 tinham como grande trunfo propagandístico, além do anticomunismo, a ameaça de adotarem linha dura contra os corruptos (daí aquela quartelada ter sido apelidada, durante algum tempo, de Redentora...). Os otários de classe média que se deixaram iludir, foram doar ouro para o bem do Brasil..
Igualzinho ao Bolsonaro, o caçador de marajás Fernando Collor estava cercado de marajás por todos os lados e com eles convivia em perfeita comunhão de interesses, mas esta ficha só caiu para o povo depois que havia jogado seu voto no lixo

Caberia eu encerrar o post vituperando o povo brasileiro por cair várias vezes no mesmo conto do vigário. Mas, dou um desconto por se tratar, na maioria, de gente simples, que acredita piamente nas manipulações da indústria cultural (e, agora, na propaganda enganosa com que a direita infesta o WhatsApp).

Mas, é indesculpável que ditos progressistas vira e mexe derrapem também, embora devessem estar carecas de saber que o combate à corrupção é uma bandeira da direita, conforme Paulo Francis cansava de repetir, alfinetando contingentes de esquerda que, contrários a Vargas, botaram azeitonas na empada udenista de 1954.

Eu bati muito na mesma tecla em 2008, quando parte considerável da esquerda tomou partido numa disputa de gangstêres do capitalismo por um florescente segmento do mercado de telecomunicações, favorecendo uma quadrilha em detrimento da outra apenas porque um banqueiro menor estava sendo preso e depois libertado pelo Gilmar Mendes. Mas, como nos westerns italianos, não havia herói nenhum naquele imbroglio todo, só bandidos dos dois lados.

Precisaríamos ter coragem de mostrar ao povo que o combate à corrupção sob o capitalismo não passa de um interminável enxugar gelo. Depois da temporada de espetaculosa caça às bruxa, pouco a pouco os sabás vão voltando na surdina.

Num sistema que coloca o enriquecimento pessoal como prioridade máxima da existência humana, sempre haverá quem tenha esperteza e coragem suficientes para tentar alcançar tal objetivo à margem da lei.

E, por piores que sejam os castigos para os infratores, isto jamais vai dissuadir todos os indivíduos, pois muitos deles acreditarão ser capazes de cometer o crime perfeito e escapar impunes.

Então, nisto discordo do Rocha de Barros e de todos que querem preservar algum legado da Lava Jato. 

Os verdadeiros legados são um país em frangalhos e o abominável governo que está aí, e este só merece ser preservado na memória circense, categoria espetáculos de aberrações. (por Celso Lungaretti)

FOI MUITA INGENUIDADE SUPOREM QUE O BOZO SERIA UM BATMAN NO COMBATE À CORRUPÇÃO! O BUFÃO DA HQ É O CORINGA

celso rocha
de barros
A CRISE DA
 LAVA JATO
A semana passada foi muito ruim para a Lava Jato, começando com a derrota, de efeitos práticos incertos, no Supremo Tribunal Federal, passando por novas denúncias da Vaza Jato e culminando no episódio grotesco em que o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, declarou que quase matou Gilmar Mendes a tiros. 

O ex-senador tucano Aloysio Nunes declarou que a operação manipulou o Supremo durante o processo de impeachment. Enquanto escrevo, ouço que a força-tarefa da Lava Jato lançou a campanha Lula mais ou menos livre, e pediu sua mudança para o regime semiaberto. Especula-se que seja uma estratégia para evitar a anulação da sentença contra o ex-presidente. 

Se tudo isso tivesse acontecido em 2015, o país estaria em convulsão. O auge do lavajatismo passou quando Dilma caiu, mas houve um novo surto de entusiasmo com a eleição de Bolsonaro e a nomeação de Moro para o Ministério da Justiça.

Vou morrer sem entender por que, em algum momento, o Brasil achou que Jair Bolsonaro estava preocupado em combater a corrupção. 

O atual presidente da República:
— sempre foi um político do baixo clero;
 nunca teve qualquer participação nas investigações de corrupção no Congresso (alguém se lembra dele se destacando em qualquer CPI?);
 foi um dos articuladores da campanha de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara;
 apoiava Picciani no Rio de Janeiro. 
.
Em algum ponto de nossa loucura recente, achamos que esse sujeito era o Batman. A esta altura, já está claro que Bolsonaro não tem o mais remoto interesse em brigar pela Lava Jato. Sua família é envolvida no esquema Queiroz, ele mesmo talvez também seja, e Moro seria um adversário forte na eleição de 2022.

Mas o aparelhamento bolsonarista dos órgãos de controle não é o que de mais grave faz o presidente da República contra o combate à corrupção no Brasil. 

O xeque-mate contra a operação foi a captura das manifestações de rua pelo autoritarismo bolsonarista. Muita gente que gostaria de protestar contra a decisão do STF não quer ir em uma passeata com os caras que defendem o fechamento do tribunal e a implantação de uma ditadura de extrema direita.

E a esta altura não é mais possível duvidar de que é isso que o bolsonarismo quer. Quando Janot declarou que pensara em matar Gilmar Mendes, a deputada bolsonarista Carla Zambelli postou que entendia as razões de Janot. 

Apagou o post depois, mas a mensagem já circulava: no submundo do crime virtual bolsonarista, as insinuações de que Janot deveria ter matado Gilmar correram soltas.

Nesse quadro, a relação de forças na briga entre lavajatismo e sistema político virou. Ficou difícil convocar manifestações, e a imprensa tem bem menos entusiasmo pela coisa toda desde que Moro passou a fingir que não vê a guerra bolsonarista contra a imprensa livre.

Resta torcer para que os políticos sejam melhores, bom, políticos do que os membros da força-tarefa. Se aproveitarem o momento para enterrar de vez o combate à corrupção no Brasil, cometerão um erro grave que pode ter consequências fatais na próxima vez que a relação de forças virar (sempre vira). 

Se forem inteligentes, vão começar a discutir um legado para a Lava Jato que inclua menos condenações espetaculares e mais leis que combatam a corrupção no longo prazo. (por Celso Rocha de Barros)

domingo, 29 de setembro de 2019

O NARIZ DO BOLSONÓQUIO CRESCE MAIS AINDA DO QUE SEU DESPRESTÍGIO

marcelo leite
O PRESIDENTE MENTE
O presidente Jair Bolsonaro gosta de recorrer às palavras de Jesus no Evangelho de São João (8, 32): “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. 

Repetiu-as ao abrir os debates da Assembleia Geral da ONU na 3ª feira (24), quando em realidade mentiu a torto e a direito.

Bolsonaro nunca cita o início do trecho citado, no versículo 31: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis, em verdade, meus discípulos”.

O presidente parece confundir a libertação, que na Bíblia decorre de acatar a palavra divina, com o que ele (e não Ele) arbitrariamente dá por verdadeiro. Para o fiel cristão, a verdade de Jesus é. A de Bolsonaro, para a sociedade civil, discute-se.

O capitão exige lealdade absoluta —da família, dos ministros, dos generais, dos puxa-sacos, dos eleitores, dos empresários. Quem não rezar pelo seu credo que caia fora. Ame-o ou deixe-o.

Há falsidades em muito do que ele profere como verdades absolutas, falsidades tomadas por verdadeiras por um oitavo da população brasileira que devota fé cega em sua palavra. 
Bolsonaro recita seus dogmas para correligionários, não cidadãos. Nem o fato de discursar perante chefes de Estado teve o condão de inibir suas contrafações. 

O trabalho de verificar ou desmentir as batatadas presidenciais já foi realizado, com mais prontidão e acúmen, pelas agências Lupa e Aos Fatos; aqui se reproduzirão só as mentiras deslavadas.

O presidente mentiu na ONU quando afirmou que os cubanos do programa Mais Médicos teriam sido impedidos de trazer cônjuges e filhos ao Brasil. E, também, ao dizer que eles não tinham formação qualificada para exercer a medicina.

O presidente mentiu na ONU quando disse que seu governo tem compromisso com a preservação do meio ambiente. Sob seu jugo, o bilionário Fundo Amazônia foi esnobado; as verbas para pesquisa climática, reduzidas a 5%; o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, vilipendiado; seus dados de satélite sobre desmatamento, desqualificados como falsos.

O Ibama e o ICMBio foram manietados; as multas por infrações ambientais, rebaixadas ao menor montante em 11 anos; as queimadas, denegadas (mesmo após enviar tropas para apagá-las).

O presidente mentiu na ONU quando declarou que a Amazônia permanece praticamente intocada. Não faltam estudos, imagens, dados e registros oficiais mostrando que quase um quinto do bioma já virou fumaça.

O presidente mentiu na ONU quando se jactou de ser o Brasil um dos países que mais protegem o ambiente. Ranking das universidades Columbia e Yale com o Fórum Econômico Mundial, fundado em 24 indicadores, o relega à 69ª colocação entre 180 nações. Para o Banco Mundial, está em 32º lugar em preservação de florestas.

O presidente mentiu na ONU quando acusou a terra indígena Yanomami de abrigar 15 mil pessoas em área maior que Portugal. São mais de 25 mil.

Isso não é nem pouco nem muito, mas o que manda o art. 231 da Constituição: “São reconhecidos aos índios [...] os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”.

O presidente mentiu na ONU quando declarou que se usam aqui só 8% das terras para produzir alimentos. As pastagens onde ruminam vacas e bois cobrem outros 21% do território nacional.

O presidente mentiu na ONU quando encheu a boca para recitar João, 8, 32. Ele desconhece a busca pela verdade, pois despreza as evidências, e permanece escravo da ignorância, da soberba e de uma ideologia sinistra. (por Marcelo Leite)

VIRAMUNDO

O Facebook me envia a cobrança automática de novidades. Eu poderia simplesmente repetir estes versos de 1976 do Chico Buarque: "Aqui na terra 'tão jogando futebol / Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll / Uns dias chove, noutros dias bate sol / Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui 'tá preta".

O crescimento econômico se desacelerava e a fúria assassina da ditadura fora contida a partir do Caso Herzog. Entrávamos na fase do marasmo, a agonia lenta do regime que fôramos incapazes de derrubar, mas não sabia para onde ir nem tinha o que oferecer à sociedade. 

Agora também uns dias chove, noutros dias bate sol. O Bozo fez jus ao apelido de bufão e, parafraseando Shakespeare, a tempestade de som e fúria que antes da posse ele anunciava (e muitos dos nossos temeram) acabou sendo quase nada. 

Os fardados já deixaram bem claro que não respaldarão nenhuma tentativa de bisar 1964, enquanto o Senado, a Câmara e o STF emparedaram o (des)governo. 

A perspectiva é de que, ou amarguemos mais 39 meses de agonia lenta, ou os poderosos da economia deem um jeito de demitir o serviçal inepto que botaram na presidência.

Chego aos 69 anos (daqui a uma semana) com pique e lucidez para continuar por um bom tempo ainda lutando pelos ideais a que dediquei toda a minha vida adulta: liberdade e justiça social.

Mas, sem que me ofereçam opções para um engajamento político consistente, nem para voltar a atuar profissionalmente como jornalista. O blog continuará sendo minha trincheira enquanto outros caminhos não se abrirem. Desistir, jamais! 

E, por força principalmente de uma combinação de fogo amigo até 2016 e fogo inimigo desde então, a vida que construíra para minha velhice desmoronou e estou morando sozinho em quarto de uma hospedagem para professores e estudantes, na esquisita condição de vovô da turma.

Tenho o carinho de duas filhas que desabrocham a olhos vistos (a cada visita percebo mudanças) e muita determinação para trilhar até o fim a estrada que escolhi.

Como o viramundo de uma longínqua canção do Gilberto Gil, "prefiro ter toda a vida / a vida como inimiga / a ter na morte da vida / minha sorte decidida".

sábado, 28 de setembro de 2019

QUALQUER SEMELHANÇA ENTRE O PLÍNIO SALGADO E O JAIR MESSIAS BOLSONARO JAMAIS SERÁ MERA COINCIDÊNCIA – 1

dalton
rosado
DEFINITIVAMENTE, BOÇALNARO, O IGNARO É NEOINTEGRALISTA!!!
Os ditadores (ou aspirantes a sê-lo) têm algo em comum: a distorção dos conceitos virtuosos ou positivação de conceitos equivocados como justificativas de práticas igualmente distorcidas que justifiquem o cometimento do arbítrio e a negação dos ganhos civilizatórios alcançados a duras penas ao longo de séculos de servidão escravista imposta ou induzida.  

Representam, invariavelmente, o retrocesso.

Mas a prática, que também invariavelmente é o critério da verdade, contraria sempre as falácias com as quais eles buscam acobertar os seus intentos ditatoriais. Adolf Hitler dizia, como se fossem conceitos virtuosos, absurdos do tipo “que sorte para os ditadores que os homens não pensem!”. 

Tal frase se inseria num contexto no qual ele se excluía como ditador, de vez que fora eleito pelo povo. No entanto, posteriormente recorreu a instrumentos de persuasão radiofônica e militar para perpetuar-se no poder, exercendo-o entre 1933 e 1945, até o seu suicídio, cometido no seu bunker em Berlim, a pouco mais de 500 metros do estrondo das bombas do exército russo. A guerra por ele iniciada levara quase 8,9 milhões de alemães à morte. 

Em toda a 2ª guerra morreu cerca de 3% dos habitantes de nosso sofrido planeta. Isto equivaleria à totalidade da população brasileira atual.

Ele atribuía à ignorância ingênua das massas, que considerava existir (dedução implícita na sua afirmação), o êxito dos ditadores (referia-se a Stalin); é um exemplo de como usava toda e qualquer forma de manipulação das mentes para atingir os seus objetivos de poder ditatorial.

Os ditadores são assim; consideram-se seres iluminados, indispensáveis, salvadores da pátria, que por isso devem conduzir como um messias o poder verticalizado que sustentam e que julgam lhes autorizar a condução dos destinos sociais sem observar os consensos civilizatórios, embora cinicamente falem em nome da civilização. 

Hitler e seu sinistro ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, acreditavam no poder de persuasão da consciência popular com suas mentiras intensamente repetidas, por eles tidas como necessárias. Diziam:
"As grandes massas cairão mais facilmente numa grande mentira do que numa mentirinha. Torne a mentira grande, simplifique-a, continue afirmando-a e, eventualmente, todos acreditarão nela".
Hitler e os nazistas foram os primeiros a compreender o poder do então novo meio de comunicação de massa: a radiodifusão, e usaram-na amplamente para levarem ao sucesso os seus intentos, ensandecendo o povo germânico com um ufanismo patriótico, insano e genocida. 

O presidente Boçalnaro, o ignaro, disputou a eleição presidencial de 2018 sob a legenda do Partido Social Liberal, cuja denominação mais veraz seria Partido dos Laranjas

O PSL muito se assemelha à pequenez inicial do Partido Nazista e de sua política de tolerância zero (como seu candidato afirmou ter): trata-se apenas de um amontoado de falsos moralistas, de empedernidos oportunistas e de religiosos que não passam de mercadores da fé, vendilhões da salvação espiritual eterna. As biografias de toda essa gente são desabonadoras sob os mais variados aspectos comportamentais e culturais.

Quanto ao próprio Boçalnaro, seu comportamento tem induvidosas semelhanças com Hitler, ainda que se submeta principalmente e com servilismo abjeto ao presidente destrumpelhado. Como o dito cujo, com seu nacionalismo mercantilista (America First) também se assemelha ao líder nazista, o círculo se fecha. Estes três têm muito em comum. 

Bolsonaro, tal como Hitler, foi quem melhor percebeu o poder da comunicação sem filtro das redes sociais e apostou firme no apoio espúrio de caixa 2 eleitoral do grande capital e dos neointegralistas (nome brasileiro dos neonazistas) que pagaram diretamente as postagens pela internet. Assim, fez muitos brasileiros ingênuos engolirem a patranha de que caberia a ele o papel de salvador da pátria.

"Eu já conheci pessoas nessa vida, Ok? Pessoas reais. E tenho que te dizer, a maioria delas são grandes idiotas" é uma frase do Boçalnaro que traduz bem o que ele pensa da capacidade de introjeção mental da maioria de suas ideias a partir de uma comunicação de massa aos que considera idiotas.

No entanto, a livre comunicação que ele usou, é imediatamente censurada quando se volta contra os seus interesses. Assim, ele usou dois pesos e duas medidas em seu desabafo contra o desmascarador do conluio entre o Estado-Poder julgador (juiz Sérgio Moro) e o Estado-Poder acusador (Ministério Público): "Gleen Greenwald não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez ele pegue uma cana aqui no Brasil".

Assim era Hitler, o maior genocida e falsificador de conceitos da história da humanidade; assim é Boçalnaro, seu discípulo, no que se refere ao uso da mídia de comunicação e e quanto ao que ele considera como sendo uma idiotia da maioria da população. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

NO CASO DO LULA, O 'TEJE SOLTO!' ESTÁ MAIS PARA PRESENTE DE GREGO, JÁ QUE VAI IMPEDI-LO DE CANTAR VITÓRIA.

josias de souza
LULA LIVRE CHEGA COMO CONCESSÃO, NÃO CONQUISTA
Nada pode ser mais valioso para um preso do que a liberdade. 

Para Lula, no entanto, a saída da cadeia pode ser tão humilhante quanto a chegada. 

A humilhação decorre do fato de que a liberdade do presidiário petista virá como resultado de uma concessão, não de uma conquista. 

A força-tarefa de Curitiba pediu à juíza Carolina Lebbos, da Vara de Execuções Penais do Paraná, que transfira Lula do regime fechado aberto para o semiaberto. 

Como não há estabelecimento prisional adequado para esse tipo de regime, a decisão resultará num benefício maior. Na prática, o detento mais ilustre da Lava Jato está prestes a ser transferido do sala de 15 m² que ocupa na superintendência paranaense da Polícia Federal para o conforto de sua cobertura, em São Bernardo. 

O pedido de progressão do regime não é uma generosidade do Ministério Público Federal. Trata-se de um imperativo legal. Pelas contas do Superior Tribunal de Justiça, a pena de Lula no caso do tríplex do Guarujá é de oito anos, dez meses e vinte dias. A lei estabelece que o preso pode progredir de regime depois de cumprir um sexto da pena. Na bica de completar um ano e meio de cana, Lula chega à sua hora. 
Será esta a nova palavra de ordem? 

O problema é que Lula queria sair chutando a porta, brandindo um despacho de anulação da sentença no caso do tríplex do Guarujá. Coisa emitida pelo Supremo Tribunal Federal após julgar o pedido de suspeição formulado por seus advogados contra o ex-juiz Sergio Moro. 

A Lava Jato foi mais ágil. Os procuradores aderiram, por assim dizer, ao Lula Livre antes dos ministros do Supremo. 

Lula disse em entrevista que preferia ficar preso cem anos a requisitar a prisão domiciliar. "Não trocarei a minha dignidade pela minha liberdade", ele declarou. 

Seus advogados não pediram a progressão de regime. O Blog do Josias conversou com procuradores de Curitiba. Eles explicam que, se o preso não pede o benefício, a Procuradoria é obrigada a requisitar. Inclusive porque o Estado pode ser responsabilizado por manter alguém preso além do prazo legal. 

O repórter perguntou se Lula poderia se recusar a deixar a prisão. Um dos procuradores disse que não. Se a juíza determinar, a ordem terá de ser seguida. Daí o efeito humilhação: a liberdade de Lula, além de ser parcial, chegará no final do prazo legal de cumprimento da pena em regime fechado. 

Lula sairá porque tem que sair. Se forçar a barra, a concessão da Procuradoria pode virar imposição judicial. Era só o que faltava: um Lula Livre na marra. (por Josias de Souza)

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

PATETADA: RODRIGO JANOT REVELA QUE SAIU ARMADO COM UMA PISTOLA PARA MATAR GILMAR MENDES E AMARELOU.

Rodrigo Janot, o procurador-geral da República que a Operação Lava-Jato e Joesley Batista fizeram de gato e sapato, utilizando-o como inocente útil numa tramoia para derrubar o presidente Michel Temer sob os auspícios das Organizações Globo, continua com o mesmíssimo quociente de perspicáciazero.

Está lançando o livro de memórias Nada menos que tudo. Se fosse consultado, eu teria um título bem melhor para sugerir: O Procurador da Triste Figura. Quebrou lanças contra moinhos de vento, só causou estragos e terminou sua gestão na PGR totalmente desmoralizado.

Para piorar, comete a puerilidade de confessar no tal livro que entrou certa vez no Supremo Tribunal Federal armado com uma pistola para matar um ministro e depois cometer suicídio.

Inquirido pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S, Paulo, admitiu que o desafeto em questão era o ministro Gilmar Mendes.

Ou seja, deu a público um não-acontecimento (a pistola acabou sendo tão inútil para ele quanto uma geladeira para um esquimó) que, ademais, só o colocava em ridículo.  E, claro, Gilmar Mendes aproveitou a bola levantada para marcar ponto:
"...estou algo surpreso. Sempre acreditei que, na relação profissional com tão notória figura, estava exposto, no máximo, a petições mal redigidas, em que a pobreza da língua concorria com a indigência da fundamentação técnica. Agora ele revela que eu corria também risco de morrer.
Se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a tais tentações tresloucadas, imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do País.
Recomendo que procure ajuda psiquiátrica..."
O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, aproveitou para tirar uma casquinha;
"Pelo menos espero que a Polícia Federal já tenha tirado o porte de arma dele. Pelo menos isso, para a gente ficar um pouco mais tranquilo. Esse é o Brasil".
E pensar que um Janot desses foi capaz de provocar duas tentativas malogradas de impeachment presidencial, que mantiveram nossa economia em frangalhos e pavimentaram o caminho para a chegada ao poder do mais tosco presidente brasileiro de todos os tempos! (por Celso Lungaretti) 
Com toda esta serenidade, o personagem de Michael Douglas bem que
poderia ocupar o posto de procurador geral da República no Brasil...

EI, BOZO!

Em Heil, Bolsonaro! (vide aqui), meu bom amigo e tradicional colaborador deste blog, Rui Martins, fez uma análise política séria de algo que absolutamente não era sério nem importante: aquele amontoado de abominações ideológicas, velharias medievais, crassas asneiras e delírios de anormais reunidos no discurso desta 3ª feira (24) do mais tosco presidente brasileiro de todos os tempos. 

Como vivo na pátria desalmada, idiotizada, Brasil, estou acostumado com a vacuidade intelectual de todas e quaisquer manifestações faladas ou tecladas do Bozo. Então, marcante para mim naquele stand up na ONU foi apenas sua enorme dificuldade para ler a cola do teleprompter, revelando que nem algo tão primário foi capaz de fazer pessoalmente: a tarefa coube a escrevinhador(es) de discursos... que jamais passaria(m) de aprendiz(es) nas agências de comunicação nas quais trabalhei! 

Humoristas profissionais ao menos decoram seus scripts, mas até nisto o Bozo é amador.

É normal que, morando e trabalhando em Genebra, o Rui tenha uma visão exagerada tanto do Bozo quanto da ONU, cuja impotência em impedir que as nações poderosas (com destaque para Israel) façam as mais fracas de sacos de pancadas lhe valeu o apropriado apelido de muro de lamentações

Na verdade, o discurso do Bozo, como muitos analistas escreveram, não passou de uma oportunidade perdida: em nada alterou o péssimo conceito que o mundo já tinha dele e só serviu para agradar aos seus seguidores brasileiros mais aloprados, os únicos que o continuarão apoiando caso sua popularidade siga despencando na velocidade atual.

Então, eu nem desperdiçaria meu tempo com a algaravia do Bozo se não fosse este trecho do artigo do Rui:
"...chegou também a hora de se deixar de se falar em Bozo, de se tratar o presidente como idiota. Não é por aí que se conseguirá reverter a situação política no Brasil. Ele até que pode ser, ou se fazer como se fosse, mas, ali na tribuna da ONU, lendo seu discurso, ele se comportou como um líder nacionalista de extrema-direita, um Hitler tupiniquim..."
Ora, que motivo eu, já chegando aos 69 anos, teria para continuar lançando no espaço virtual minhas mal tecladas linhas, se não fosse pelo prazer de dar nome aos bois, o que não pude fazer em boa parte da minha carreira jornalística? 

Então, como agora não sou mais obrigado a poupar os calos dos fãs de nenhuma celebridade, nem pretendo adotar raciocínios de propagandistas, trato o presidente como bufão, pois é como bufão que o vejo. Simples assim. 

Para dizer a verdade, nem mesmo estou certo de que ele seja realmente um fascista convicto. Pode muito bem não passar de um espertalhão que vislumbrou no anticomunismo e no antipetismo bons nichos para a arregimentação de patetas que batalhariam por ele de graça; enfim, uma versão rudimentar do astrólogo que descobriu ser mais rentável deixar o movimento dos astros em paz e extrair seus ganhos das cartilhas simplificadas de ódio para otários.

Aproveito para tranquilizar o Rui quanto à reversão da situação política no Brasil: não precisaremos deixar de tratar o Bozo como idiota, pois o desvario ultradireitista está sendo varrido do horizonte político, conforme o Igor Gielow assinalou (vide aqui).

Por quê? Porque jamais teve chance de vingar em médio e longo prazos, já que a globalização dos mercados é um fenômeno irreversível sob o capitalismo (ou seja, enquanto o capitalismo durar). O drama do Reino Unido está servindo para comprová-lo: na ponta do lápis, o Brexit é receita certa de empobrecimento acentuado e acelerado. 
Como  a História não marcha para trás, é tão inviável querer restaurar a moral e misticismo da Idade das Trevas, anulando toda a evolução da humanidade desde o iluminismo, como tentar cancelar a 3ª Revolução Industrial, recriando protecionismos, reservas de mercado e outras artificialidades soberanamente burras. [Lembram de quando a Política Nacional de Informática, promulgada em 1984, nos fazia avançar em passo de lesma e os carros aqui fabricados bem mereciam a qualificação de carroças?]

Então, como quem permanecer aberto ao fluxo internacional de produtos e serviços terá uma vantagem competitiva enorme com relação a quem constrói muros para separá-lo do vizinho, desde o início eu sabia que era inevitável o novo nacionalismo selvagem morrer na praia, como está morrendo.

Só errei no timing: pensei que ele fosse demorar mais para derreter, causando estragos maiores. 

Enfim, o Bozo, na ONU, me fez lembrar uma frase do filme Made in USA, do Godard dos bons tempos, quando a matadora profissional diz ao poeta: "Quando falo de um homem, é porque ele já morreu".

Aquele discurso atroz versou sobre o que já morreu e muitos só perceberão quando os cadáveres baixarem à terra. (por Celso Lungaretti)
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