terça-feira, 30 de abril de 2019

A ESQUERDA BRASILEIRA DEVE PERSEGUIR SEUS PRÓPRIOS OBJETIVOS, AO INVÉS DE BOTAR AZEITONAS NAS EMPADAS ALHEIAS

Torelly decerto diria o mesmo dessa convergência de Folha, STF e STJ 
A entrevista do ex-presidente Lula não trouxe novidades quanto ao que ele disse, uma mistura de mais do mesmo com o que era facílimo de se prever.  

Alguém duvidava, p. ex., que ele continuasse crendo ou tentando fazer-nos crer que esteve sempre certo e que a sucessão de derrotas acachapantes nesta segunda metade de década se deveu aos artifícios do inimigo insidioso e aos azares do destino cruel?! Então, sem nenhuma surpresa, voltamos a vê-lo fugindo da autocrítica (ponto de partida para a recuperação da credibilidade da esquerda)  como o diabo da cruz. 

Surpreendentes foram as decisões favoráveis que Lula obteve no STF (sinal verde para a entrevista) e no STJ (redução de pena), bem como a enorme visibilidade que a Folha de S. Paulo lhe proporcionou. Como diria o Barão de Itararé, há qualquer coisa no ar além dos aviões de carreira.

Como essa gente nunca dá ponto sem nó, é de supor-se que uma parte da classe dominante esteja considerando a possibilidade de trocar de serviçal, já que Jair Bolsonaro conseguiu desconstruir seu governo em apenas quatro meses (deveria registrar seu recorde no Guinness!).
Não precisamos das jogadas dos poderosos, mas sim daquela força que um dia tivemos nas ruas...
Colocaram-no onde está para fazer com que fossem aprovadas as reformas impopulares, micadas desde as tentativas fracassadas de Dilma e Temer, mas já mostra claramente que também não entregará a encomenda. 

Qual a razão do fracasso anunciado? Uma mistura de incompetência (ela salta aos olhos e clama aos céus!) com inapetência (Bolsonaro sabe que os parlamentares o atrapalharão e retardarão os trâmites de tudo que é jeito e, se mesmo assim conseguir a façanha, ele se condenará a não ganhar mais eleição importante nenhuma pelo resto da vida).

Como os donos do Brasil de tolos não têm nada, já perceberam que Bolsonaro os continuará enrolando com suas patéticas cruzadas contra os moinhos de vento do marxismo cultural ao invés de cumprir o exigido por eles. Então, podem muito bem estar começando a rifá-lo, assim como desistiram da Dilma na virada de 2015 para 2016.
...e de novas lideranças como a  que valorizamos tarde demais

Ou, pelo menos, estes últimos movimentos equivalem a um alerta: você não é insubstituível nem o único trunfo de que dispomos, temos outras cartas na manga para atingir nossos objetivos.

Vale também atentarmos para o fato de que a periculosidade do Governo Bolsonaro diminuiu em muito. Emparedado pelo Congresso e pelo STF, ele não tem como radicalizar, pois as Forças Armadas já deram mostras eloquentes de que, nos dias de hoje, preferem manter distância de aventuras golpistas.

Têm como tomar o poder quando bem entenderem, mas sabem perfeitamente que não possuem soluções para a crise brasileira e, tentando descascar tal abacaxi, se veriam tão impotentes quanto no final da ditadura de 1964/85, quando precisaram bater em retirada por absoluta falta de idéias.

Bolsonaro, por sua vez, aparentemente ignorava o óbvio ululante de que os fardados, quando viram a mesa por aqui, é para colocarem generais no poder, não em benefício de capitães encrenqueiros. 

Como este pequeno detalhe fez desabar o castelo de cartas dos bolsonaristas de raiz, a consequência está sendo a campanha de hostilização dos militares orquestrada pelo astrólogo da corte e implementada principalmente pelo príncipe pitbull, com o apoio nada discreto do rei de golden shower
Plínio Salgado também acreditou que os militares o apoiariam
A frustração se deve a que estavam sonhando com um golpe puro sangue dado pelas hordas ultradireitistas sem consentimento da caserna, o que seria um absurdo em termos de correlação de forças e, portanto, não vai rolar. 

Como tais energúmenos abominam o conhecimento sob todas as formas, certamente passavam batidos pelo fato de que, na década de 1930, os integralistas de Plínio Salgado nutriram as mesmíssimas ilusões e quebraram a cara da mesma forma como eles fatalmente vão quebrar.

Quanto ao nosso lado, não tem motivo nenhum para colocar azeitona na empada das facções inimigas que disputam o poder, procurando uma saída para a confusão que elas próprias criaram, ao bancarem o candidato mais inepto que já disputou uma eleição presidencial no Brasil.

As prioridades da esquerda brasileira continuam sendo a de reinventar-se e ir buscar de novo o apoio das massas, pois, para ser fiel à sua verdadeira missão, precisa ter força nas praças que são do povo como o céu é do condor, e não na Praça dos Três Poderes, todos eles voltados para a perpetuação das injustiças e desigualdades inerentes ao capitalismo. (por Celso Lungaretti)

HÁ 25 ANOS MORRIA AYRTON SENNA. FOI QUANDO LHE PRESTEI ESTE TRIBUTO.

Abaixo reproduzo meu Réquiem para um gladiador, publicado no 
Jornal da Tarde (SP), logo após o 01/05/1994 do acidente fatal em Ímola.
São indignas de Senna as lágrimas de crocodilo que jorram da mídia, reduzindo uma morte épica à banalidade das telenovelas. Não foi vítima de um destino traiçoeiro nem assassinado pela incúria dos dirigentes do automobilismo mundial. O muro que se agigantou à sua frente o perseguia desde os primórdios da carreira: está nos pesadelos de todos os pilotos. Não existe segurança a 300 quilômetros por hora.

O fascínio da Fórmula 1 tem tudo a ver com o instinto de morte, que Freud detectou como sendo um dos componentes essenciais de nossa psique e de nossa cultura. O herói do volante desafia o perigo a cada curva e o público junto com ele, numa identificação tão mágica quanto cômoda.
São os gladiadores do século XX, correndo riscos em nosso lugar, para que tenhamos uma boa catarse (aliás, até seus trajes e os autódromos – principalmente os circulares da Fórmula Indy –lembram o visual das arenas romanas).

Mas, na era da propaganda, tudo isso deve ficar implícito. Galvões e Lucianos se limitam a dissecar pequenos detalhes técnicos que reduziriam ou aumentariam as probabilidades de sobrevivência dos pilotos. Já os próprios, em rasgos de sinceridade, admitem que a linha separando acidentes superficiais dos fatais é tão tênue quanto um fio de cabelo.

Muitos poderiam ter morrido nos oito anos em que a F-1 não registrou óbitos, mas aqueles ínfimos milímetros que decidem a sina do acidentado foram favoráveis. Em Ímola, os deuses não estavam complacentes e tudo saiu da pior maneira possível.

Como Christian Fittipaldi ressaltou, descartando uma maior periculosidade em função da retirada do controle de tração e suspensão ativa: "Ano passado tinha tudo que vimos aqui mas, graças a Deus, ninguém se machucou. (...) O Berger, no GP de Portugal da última temporada, não se matou por milagre. (...) É relativo dizer que hoje o risco é maior".

Eles, os pilotos, sabem. Mesmo assim, entram naquelas estranhas máquinas e, em posições cujo desconforto beira a tortura, percorrem o fio da navalha em velocidades estonteantes, conscientes de que a mínima falha – sua, dos outros ou do equipamento – poderá ser fatal.

Pior: sua condição de ídolos depende não apenas de receberem a bandeirada na frente, mas de guiarem com arrojo e agressividade. Os fãs cobram esta atitude temerária. Ai dos Prosts que pensam antes na autopreservação, colocando a vitória em segundo plano! São tidos como covardes.

Senna era um típico gladiador. Assumia todos os riscos e jamais refugava nas ultrapassagens difíceis, nos duelos insensatos. Os mesmos que denunciam a insegurança de Ímola eram os que aclamavam Senna quando ele realizava brilhantes – e perigosíssimas corridas em pista molhada. O muro esteve sempre muito perto dele, até que o alcançou.

Tímido, pouco à vontade no papel de celebridade, jamais aparentando satisfação maior com as coisas simples da vida, Senna atingia a plenitude na arena de suas conquistas e no pódio triunfal. É difícil imaginá-lo aposentado, remoendo o passado e amaldiçoando o presente.

Parafraseando os roqueiros Pete Townshend e Neil Young, talvez no caso de Senna fosse mesmo preferível morrer antes de envelhecer, consumir-se em chamas do que definhar aos poucos. Foi até o fim no rumo que escolheu: gladiador altaneiro, merece respeito e não lamúrias. (por Celso Lungaretti)
Entrevista de 102 min. com Senna no programa Roda Viva, da TV Cultura (SP)

segunda-feira, 29 de abril de 2019

O TRISTE FIM DE BOLSONARO: TORNOU-SE ESCRAVO MENTAL DUM GURU AMALUCADO!

josias de souza
GÊNIO DA LÂMPADA
 DE BOLSONARO SE
 CHAMA OLAVO
Suponha que você se chama Jair Bolsonaro e preside um país chamado, digamos, Brasil. Você tomou posse há quatro meses. 

Embora você admita que não entende bulhufas de economia, já assimilou a avaliação de que a crise fiscal é feia. Porém, você ainda dispõe de três anos e oito meses para mudar o rumo das coisas. 

Suponha que você está caminhando pelos jardins do Palácio da Alvorada e tropeça numa lâmpada mágica. De dentro da lâmpada sai um gênio. Ele diz que quer ajudar você a salvar o país. O gênio pergunta quais são suas quatro prioridades. Ele não costuma atender a mais de três pedidos por pessoa. Mas foi com a sua cara. E decidiu conceder-lhe um bônus. 

Você responde rapidamente: "Uma escola sem partido, sem filosofia e sem sociologia; uma publicidade estatal sem tatuagens, sem cabelos compridos e sem transexuais; um turismo sem o paraíso gayzista, aberto apenas a estrangeiros que prefiram fazer sexo com mulheres; e, por último, um vice-presidente sem língua".

O gênio se irrita. Faz cara de nojo. E volta para o interior da lâmpada resmungando: "Você não precisa de mim. Creio que a alegada genialidade do Paulo Guedes tampouco lhe será útil. Tente repatriar o Olavo de Carvalho".

A esse ponto chegou Jair Bolsonaro. Tornou-se escravo mental de um guru amalucado. Prometia nomear um ministério de craques e entregar aos brasileiros o básico: educação, saúde e segurança. Para atingir seus objetivos, tocaria um governo sem viés ideológico e priorizaria na largada as reformas econômicas. 

Súbito, descobre-se que cultivava uma prioridade secreta: converter o futuro do Brasil numa Antiguidade sem Sócrates, Platão e Aristóteles. Mas com muito viés ideológico e doses cavalares (com duplo sentido, por favor) de Olavo de Carvalho. Não há gênio que resolva. (por Josias de Souza)
"Eu sou astrólogo! Eu sou astrólogo! E conheço a História do princípio ao fim"

O MUNDO ESTÁ PRENHE DE REVOLUÇÕES – 5

(continuação deste post) 
Haiti 2019: miséria e convulsão social.
A América Central, com seus 20 Estados independentes e 7 regiões dependentes aos Estados Unidos, França, Reino Unidos e Holanda, tem uma população na casa de 92 milhões de habitantes.

Sua representatividade no cenário econômico mundial é pouca e alguns dos seus países apresentam baixíssimos Índices de Desenvolvimento Humano. 

Caso do Haiti, cujo IDH, calculado em 0,498, o situa na 168º colocação do ranking mundial. Chega a ser chocante o desnível sócio-econômico existente entre nações do continente americano! 

O Haiti é o país mais pobre das Américas, com uma população de 10,4 milhões de habitantes, formada por 90% de negros; seu PIB nominal é de US$ 18,5 bilhões e a renda per capita, de US$ 1,78 mil (lembrando que o cálculo de renda per capita não leva em conta as desigualdades de renda, tratando-se apenas da divisão do PIB pela população, dá para se imaginar a extrema miséria em que sobrevivem os haitianos mais pobres).    

A Guatemala, país onde outrora existiu a exuberante e desenvolvida civilização pré-colombiana dos maias (destruída pelos civilizados europeus), é o país mais populoso da América Central, com 17,2 milhões de habitante; PIB de USS 145,5 bilhões (pelo PPC) e renda per capita de cerca de USS 8,4 mil. O IDH guatemalteco, 0,650, é o 127º do mundo, explicando muito bem o desespero do seu povo.
Hondurenhos acampados em Tijuana: tentam entrar nos EUA.

Não é por menos que observamos hoje as levas de desesperados contingentes humanos da América Central a correrem imensos riscos tentando ingressar nos Estados Unidos, em busca da sobrevivência e esbarrando nas fronteiras da segregação que dividem o reduzido mundo populacional dos ricos do imenso mundo populacional dos pobres. 

Países centro-americanos como Honduras (8,0 milhões de habitantes); El Salvador (6,3 milhões de habitantes); Nicarágua (6,0 milhões de habitantes) e a ilha da Jamaica (3,0 milhões de habitantes) seguem o mesmo padrão de pobreza e de regimes autoritários, corruptos e opressores que caracterizam a periferia do capitalismo.

Nesse contexto, embora sejamos críticos da opção capitalista de Estado do regime cubano (o qual é cada vez mais oprimido por embargos econômicos e pelas regras absolutistas do  capital que lhe impõem subordinação à volta gradual às regras de mercado), devemos afirmar, em contraponto à tendenciosidade reacionária da imprensa tradicional, que os números da sócio-econômicos de Cuba são de fazer inveja aos seus vizinhos centro-americanos, pois detém renda per capita de US$ 10,2 mil, PIB nominal de US$ 68 bilhões e IDH de 0,777, ocupando o 73º lugar no ranking mundial.  

A América do Sul, com sua população de pouco mais de 400 milhões de habitantes distribuídos por 12 países e 7 territórios, tem extensão territorial correspondente a 12% da superfície terrestre do nosso planeta. 
Desmatamento na Amazônia legal cresceu 54% entre jan/18 e jan/19
Sua importância estratégica no cenário geopolítico decorre mais mais da sua potencialidade de riquezas materiais e vasto território do que, propriamente, de suas riquezas abstratas.

A floresta tropical amazônica, por sua exuberância territorial, biodiversidade e riquezas minerais, ainda com baixíssima densidade demográfica, apresenta aspectos relevantes no contexto ecológico mundial. 

Tida como o pulmão do mundo, a região amazônica é detentora das maiores reservas hídricas da Terra, mas vem sendo devastada pela exploração predatória tanto dos seus recursos florestais como da extração mineral. Trata-se de um reflexo tristemente desolador da lógica capitalista, que tudo decompõe em favor da lucro ecocida. 

Com o Brasil agora submetido a um governo com prevenção ideológica contra qualquer questionamento das agressões à natureza, estamos a assistir ao desmonte dos já parcos mecanismos de controle; a impressão é de um liberou geral para tudo o que representa ganância mercantilista de exploração predatória.
"um liberou geral para a ganância mercantilista"
As recentes ações governamentais, no campo da preservação ambiental, vão exatamente na contramão daquilo que a consciência ecológica mundial em formação recomenda como modo de convivência comercial sustentável. 

Isto, ao invés de alavancar nosso desenvolvimento econômico como anseiam o ministro Paulo Guedes, a direita e também a esquerda estatista, pode é nos criar dificuldades ainda maiores (vide, p. ex., a recente ameaça comercial de cientistas integrantes de organismos da União Europeia). 

Dissemos neste artigo recente que tratou da identidade entre Brasil, Argentina e Venezuela, que:
"O Brasil (...) padece sob uma taxa de desemprego renitente, situada em torno de 11% (que corresponde a um total de 12 milhões de trabalhadores aptos ao trabalho, mas submetidos ao desespero de não poderem vender a única coisa que têm, a força de trabalho).  
Pagamos juros altos, que correspondem ao dobro de todos os custos referentes à previdência social (suprimi-los, portanto, tornaria desnecessária a reforma previdenciária!).
"filhos desequilibrados e deslumbrados"
E ainda temos um agravante: elegemos um presidente primário, que parece usar aquelas viseiras laterais que impedem a visão periférica, além de influenciado por filhos desequilibrados e deslumbrados com as perspectivas do poder. O resultado é um governo desconexo"
O quadro político-econômico brasileiro é desolador, uma vez que estamos sendo dirigidos por um desgoverno que se digladia entre correntes internas de pensamentos obtusos. Fizeram uma população desinformada e desesperada crer que bastaria um combate rigoroso à corrupção para as dificuldades brasileiras terem fim, mas agora se apercebe que o buraco é bem mais embaixo. 

Entre agressões verbais feitas tanto por um filho do capitão presidente Boçalnaro, o ignaro quanto pelo guru exotérico presidencial auto-exilado Olavo de Carvalho ao vice-presidente General Mourão e militares, justamente num governo que emprega predominantemente generais da reserva nos seus escalões superiores, podemos compreender bem a dimensão da desconexão governamental. 

Simultaneamente se tenta socar goela dos brasileiros empobrecidos abaixo a fantasia de que a reforma da previdência social é a varinha de condão capaz de promover a retomada do desenvolvimento econômico num mundo em recessão econômica.

Os dirigentes governamentais não esclarecem (embora o devessem fazer por honestidade informativa) que:
— a reforma da previdência nada mais é do que a restrição de direitos constitucionalmente consagrados como cláusula pétrea, em obediência às ordens da ditadura falimentar do capitalismo e seu Estado; e 
"cantilena falaciosa repetida milhares de vezes"
— que, apesar de melhorar as contas públicas com o sacrifício de uma população já exaurida, isto não representará receita nova, mas tão somente a eliminação de gastos numa rubrica que é mais fácil de ser enxugada eliminada sem retaliações mercadológicas e financeiras dos agentes econômicos.

O povo mais uma vez é chamado a se sacrificar com a promessa de dias melhores, ou seja, uma cantilena falaciosa que, repetida milhares de vezes pela mídia de informação sistêmica, tenta nos convencer de que o que é mau é bom, e que o mal é um bem. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

domingo, 28 de abril de 2019

EM SEU NOVO DELÍRIO, O QUIXOTE BRASILEIRO VÊ MOINHOS DE VENTO AMEAÇANDO SUA LANÇA IMPOTENTE

antonio prata
A ÁRVORE É DE ESQUERDA
Ignorantes acusam Jair Bolsonaro de não se empenhar na aprovação da reforma da Previdência. Nem na formação de uma base parlamentar. Nem na condução do seu próprio governo. Ora, o capitão tem uma missão mais importante do que o prosaico governar: desmascarar os insuspeitos agentes comunistas-globalistas infiltrados entre nós.

A árvore, por exemplo, agora sabemos, é de esquerda. A árvore é dona da terra em que vive? Não. A semente germina sem permissão na propriedade de um cidadão de bem que paga impostos e gera empregos. 

Árvore paga impostos? Não. Gera empregos? Não, a árvore fica o dia inteiro parada, sugando o solo e inviabilizando o direito de quem quer produzir. 

Ainda bem que temos o ministro Ricardo Salles: por tudo o que tem feito à frente da pasta do Meio Ambiente, podemos acreditar que está comprometido a acabar, em breve, com todas as árvores deste país.

Radar nas estradas: ideologia de gênero, tá ok? O cidadão de bem vem costurando a 150 km/h, vê o radar e baixa pra 80 km/h. Dali a pouco, emasculado, o cidadão já vai começar a fazer o quê? A dar pisca-pisca. Ui, pisquei! Daí pra engatar uma ré e aparecer de mãos dadas com um bigodudo é uma pisada na embreagem. 

Felizmente, o presidente vai acabar com essa viadagem de radar. (No passado, Bolsonaro disse que preferia um filho morto num acidente a um filho gay. Disse também que para o Brasil dar certo tinha que matar uns 30 mil. Talvez daqui a pouco ele atinja os dois objetivos numa canetada só. Coisa de gênio). 

Depois de desmascarar os criptoesquerdistas árvore e radar, parece redundante falar sobre cinema, arma óbvia do marxismo cultural. Não tão óbvias, contudo, são as táticas da súcia audiovisual, que merecem ser destrinchadas. 

Em 2018, para disfarçar a nefasta ideologia de esquerda, os dissimulados cineastas fizeram com que os dez filmes brasileiros mais vistos fossem películas acima de qualquer suspeita: Nada a perder, Fala sério, Mãe!, Os farofeiros, Os parças, Tudo por um popstar, Minha vida em Marte, Detetives do prédio azul 2, Uma quase dupla, O candidato honesto 2 e Crô em família
Juntos, os filmes levaram 23.899.308 espectadores aos cinemas, geraram dezenas de milhares de empregos e bilhões — eu disse bi, bilhões — de reais. Tudo isso pra quê? Para criar uma cortina de fumaça e ocultar filmes como O processo, mimimi golpistaEx-pajé, coitadismo indiozista; e Tinta Bruta, gayzismo puro. 

Tais obras degeneradas levaram ao cinema menos do que 1% do público dos top 10. Basta, no entanto, que um único jovem compre tais teses para que se justifique o fato de o TCU, alinhado com as visões de nosso duce, crítico sempiterno da mamata dos artistas com dinheiro do povo, ter parado a Ancine e cancelado, por tempo indeterminado, o cinema nacional.

Nem tudo, porém, é galope na cruzada do Cavalão. Nesta semana, Bolsonaro interrompeu a caça aos comunistas devido a um problema familiar. 

O filho Carlos, também conhecido como Tonho da Lua, enciumado por Mourão ter mais acesso do que ele aos playgrounds de Brasília, sequestrou a senha do Twitter presidencial. 

Em síndrome de abstinência, Bolsonaro saiu por aí castrando a juventude em propaganda de estatal e alertando o país sobre a ameaça da amputação peniana. 

Mais quixotesco do que o próprio Quixote, a bisonha figura parou de atacar moinhos de vento e agora os enxerga avançando sobre si, as pás giratórias ameaçando sua lança impotente. 
(por Antonio Prata)


sábado, 27 de abril de 2019

O MUNDO ESTÁ PRENHE DE REVOLUÇÕES – 4

(continuação deste post)
Austrália: ilha de prosperidade que deverá enfrentar problemas em médio e longo prazos.
A cena da Oceania – o chamado novíssimo continente, apesar dos aborígenes lá habitarem há mais de 60 mil anos, tem pouco significado habitacional em relação à população mundial, pois toda a ilha continente, como é também é conhecida, possui pouco mais de 35 milhões de habitantes, ou seja, pouco mais de 0,4% da população mundial.  

É formada por cerca de 14 Estados soberanos, vez que lá existem pequenas ilhas que compõem o seu vasto território continental, em sua maior parte desabitado em razão da diversidade topográfica e de tais regiões serem inóspitas. 

A Austrália, colonizada por ingleses, detém 25 milhões de habitantes, que corresponde a cerca de 75% de toda a população da Oceania; juntamente com a Nova Zelândia, com seus 500 mil habitantes, exibe resultados econômicos que a situam entre as ilhas de prosperidade mundiais. 

O restante do continente, com Papua-Nova-Guiné e as demais ilhas, registra níveis econômicos idênticos aos países da periferia do capitalismo.
Papua-Nova Guiné: pobreza e bruxaria.

A Austrália tem uma economia pujante (seu PIB é de US$ 1,3 trilhões). Como a sua população é pequena, a renda per capita está em cerca de US$ 50 mil, bastante expressiva.

Entretanto, confirmando a regra geral, a Austrália, considerada bom exemplo capitalista, vem enfrentando problemas com uma dívida externa na casa de US$ 1,6 trilhão, que já supera em 120% o seu PIB anual (o qual, por sua vez, deve crescer apenas 2,2% em 2017, um resultado insatisfatório) e taxa de desemprego de 5,6%, números que sinalizam problemas em médio e longo prazo.

Assim, excluindo-se Austrália e Nova Zelândia (que também têm pobres), cujos números são inexpressivos relativamente à sua importância para a economia mundial, podemos dizer que quase 30% da população da Oceania vive em estado de pobreza, o que demonstra a desigualdade de renda capitalista mesmo num continente considerado próspero e que é grande em extensão territorial, mas pouco habitado. 

A cena nas Américas – o continente americano, o novo mundo, como a história o qualifica modernamente, é formado, em termos geopolíticos, por três blocos regionais: as Américas do Norte, Central; e do Sul.

Com uma população total de cerca de 1 bilhão de habitantes (pouco mais de 13% da população mundial), retrata bem as disparidades que o capitalismo produz mundo afora. 
Artificialidades têm evitado que os EUA sofram com sua gastança

A América do Norte abriga a Meca do capitalismo mundial, os Estados Unidos, país que após as 1ª e 2ª guerras mundiais (das quais participou com contingentes humanos, armamentos e infraestrutura bélica, mas sem que o seu território sofresse agruras significativas), emergiu como potência bélica mundial.

Depois da 2ª Guerra mundial, os Estados Unidos se tornaram a potência econômica com maiores condições de bancar a reconstrução europeia com financiamento e tecnologia; o chamado Plano Marshall foi decisivo para o restabelecimento econômico do chamado velho continente.

Pelo tratado de Bretton Woods (1944), o dólar estadunidense foi adotado como moeda internacional, com paridade em reservas de ouro; no entanto, em 1971, sob o governo de Richard Nixon, deixou de ser exigida a paridade ouro para a sua emissão, com o dólar dos EUA passando a ser uma moeda fiduciária.

Daí pra frente, todo o controle monetário comandado pelo Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), com sinalização para a economia monetária mundial, tornou possível o elevado padrão de produção e consumo de mercadorias por parte dos estadunidenses, ainda que a sua balança comercial apresente déficits anuais crescentes e seu orçamento público registre déficits fiscais igualmente constantes. 

Só neste último ano os EUA tiveram um déficit na balança comercial com a China de US$ 38,7 bilhões, razão pela qual o presidente destrumpelhado está incomodado, criando barreiras protecionistas às importações chinesas. 
Há indícios de que uma grave crise econômica se aproxima

Para se ter uma ideia do que representa a gastança estadunidense financiada artificialmente, basta considerar-se que seus gastos militares correspondem a 39% de todo o orçamento militar mundial, e isto para que continue sendo a palmatória do mundo e possa ameaçar de embargos econômicos quem não se submeter à ditadura do seu poderio econômico fundado em premissas falsas e capacidade bélica verdadeira.   

O milagre da sobrevivência das contas públicas e privadas estadunidenses resume-se no colossal endividamento financiado por rentistas do mundo inteiro, que adquirem os títulos de tesouro dos EUA como se esses fossem tão seguros quanto os alimentos que estão estocados na geladeira de cada um; e a emissão de dinheiro sem valor aceito mundialmente, como se o dólar estadunidense fosse tão válido e necessário como a água que bebemos.  

A emissão de moeda sem correspondência na produção de mercadorias, que causa inflação no mundo inteiro, não ameaça a economia estadunidense pelo simples fato de que é absorvida pelo mercado mundial como se fosse a tábua de salvação da economia mundial.

A China, cujas dívidas pública privada são impagáveis, é, ao mesmo tempo, a maior detentora de títulos da dívida pública estadunidense, e com reservas cambiais sob esse mesmo signo monetário (o USD), o que bem demonstra como esses dois países, que detêm os maiores PIBs mundiais, estão sustentados por alicerces podres e prestas a ruir.
"México é o ponto fora da curva na América do Norte"
Os Estados Unidos têm uma população de cerca de 325 milhões de habitantes e o maior PIB do mundo, orçado em US$ 19,3 trilhões, o que lhes proporciona uma renda per capita anual de US$ 59,5 mil, uma das maiores do planeta.  Entretanto, tem um dívida pública de US$ 21,5 trilhões, que equivale a mais de 100% do PIB, indício eloquente de encrenca futura. 

Agora, a ameaça de redução do crescimento econômico planetário e estadunidense parece ser a ponta do iceberg que pode levar a pique o Titanic mundial.   

O Canadá embora seja um país pouco habitado, pois conta com apenas 37 milhões de habitantes para um território imenso e com muitas áreas inóspitas dominadas pelo gelo, junta-se às poucas e desabitadas ilhas de prosperidade mundiais.

Com um PIB de 1,9 trilhões de habitantes (2017), crescimento anual de 1,8% (em 2018), dívida pública de 98,2% do PIB e taxa de desemprego de 5,9% (que vem aumentando), bem demonstra o reflexo da depressão econômica mundial, que atinge até as tais ilhas de prosperidade mundiais, em que pese ainda possuir uma alta renda per capita, de US$ 45,7 mil.

O México é o ponto fora da curva na América do Norte, o que comprova que a cada ilha de prosperidade corresponde sempre um mar de pobreza ao seu redor. 
Se depender do Paulo Guedes, eis o que teremos

Com uma população de 131,4 milhões de habitantes, renda per capita anual de apenas USS 9,6 mil e baixo crescimento do PIB (deverá ser de 2,0% no fechamento de 2017), o México assemelha-se aos índices econômicos dos países com grandes contingentes de populações pobres. como China, Índia e Brasil.

Conclusão: apesar da pujança econômica dos Estados Unidos e Canadá, que são ícones do capitalismo mundial, as estatísticas das Américas decrescem quando se levam em conta as populações do México, América Central e América do Sul, que perfazem cerca de 2/3 de toda a população continental, ou seja, cerca de 650 milhões de habitantes. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

QUEM PRECISA DE FILÓSOFOS OU DE SOCIÓLOGOS? IGNORÂNCIA É FORÇA!

david emanuel coelho
 BOLSONARO, OLAVO DE CARVALHO E MEC SE JUNTAM PARA BESTIFICAR O BRASIL
Não pode causar surpresa o desejo de Bolsonaro e seu ministro da educação em asfixiar os cursos superiores de filosofia e sociologia. Trata-se não apenas de mais um estágio em seu projeto niilista – o qual visa não deixar país nenhum ao fim do governo – mas também de sua própria belicosidade contra o pensamento.

Eleito com base em mentiras e falsificações, Bolsonaro é o representante acabado do não-saber, da ignorância elevada a fim. Seu guru é um trambiqueiro autointitulado filósofo, o qual tem a grande proeza de nunca ter dado contribuição alguma à filosofia, vivendo apenas da disseminação de teorias conspiratórias, falsificações da ciência, negação do bom senso e delírios esquizofrênicos. 

Quando nos aproximamos mais do presidente e de seu dito movimento, não conseguimos apreender qualquer tipo de construção intelectual minimamente razoável. Vemos apenas ódio e fúria. E é a partir dessa régua que o presidente e seus seguidores medem o mundo inteiro. 
"indivíduo despeitado e inimigo da intelectualidade acadêmica"

Talvez seja isso mesmo o melhor para levar a cabo o programa neoliberal de Paulo Guedes, o qual também não busca construir nada, mas apenas destruir. Ignorância é força

Por isso, não poderia causar estranheza o ataque de Bolsonaro e seu pseudo ministro da Educação à filosofia e à sociologia. São areas que visam fundamentalmente a valorização do conhecimento, da reflexão e do espírito crítico e, portanto, antípodas da mentalidade bolsonarista. Arrasar a reflexão e a busca pelo saber é o desejo profundo de um governo comprometido apenas consigo mesmo e que busca uma sociedade burrificada e dócil. 

Contudo, seria errado achar que se trata apenas disso. A desculpa oficiosa é digna de lástima, seja pela candidez, seja pela irrealidade. 

Cândida porque só os crentes no kit gay podem crer de fato que tirar dinheiro de filosofia e sociologia vá alavancar áreas técnicas. Humanidades em geral já são subfinanciadas e mesmo as tais áreas técnicas sofrem com cortes bilionários. 

Irreal porque o Brasil abandonou, há muito tempo, qualquer projeto industrial ou tecnológico. O próprio governo Bolsonaro relega o investimento científico a nada e as pesquisas em áreas de ciências naturais afundam Brasil afora. Hoje, um engenheiro forma-se para ser motorista de aplicativo, pois a indústria não existe mais. 
"Ao despeito de Olavo de Carvalho junta-se sua pretensão de ser o regenerador intelectual do Brasil"
Assim, a desculpa oficiosa não passa de mentira para encobrir os reais interesses, os quais, além de serem um projeto de governo visando burrificar a população, são também um projeto pessoal, de um indivíduo despeitado e virulentamente inimigo da intelectualidade acadêmica. Falo aqui do patético Olavo de Carvalho. 

O ministro da educação – o qual sabe tanto de educação quanto eu sei de mandarim – é um lobotomizado pela doutrina olavista, um fiel seguidor das ordens do astrólogo. Este, por sua vez, nunca escondeu seu ódio aos professores universitários de filosofia e sociologia por eles nunca terem reconhecido sua genialidade e o mantido marginalizado. 

Não faz muito tempo que ameaçou, via redes sociais, os professores de filosofia e sociologia, colocando neles a culpa pelo desastre no qual o Brasil encontra-se. Ao rancor acumulado em anos de ressentimento, junta-se o ódio recente por ter sido desmascarado em sua ignorância por verdadeiros filósofos do Brasil. Por fim, ainda se viu traído pelo seu apadrinhado, Rodrigo Vélez, o qual é justamente professor universitário de filosofia. 
"a meta é encher o Brasil de Araújos e Damares"
Ao despeito junta-se sua pretensão a ser o regenerador intelectual do Brasil. Nada mais fácil para isso do que eliminar seus concorrentes, os filósofos profissionais das universidades. Desse jeito, não haverá mais ninguém para contrariar a leitura olavista de Kant, pois apenas ele deterá a verdade sobre o kantismo. 

E, inexistindo cursos de filosofia e sociologia em nível universitário, restará ao jovem desejoso de aprender essas disciplinas comprar os livros de Olavo de Carvalho e pagar por seus cursos online. Não é isto, inclusive, que teria querido dizer o pseudo ministro da Educação ao defender que os estudantes de filosofia paguem por sua formação?

Mas a ideologia olavista, enquanto um bolsonarismo pseudo intelectual, visará apenas a massificação da estupidez. Extinto o pensamento e a busca pelo conhecimento verdadeiro, restará a paranoia embalada com citações de clássicos. A meta é encher o Brasil de Ernestos Araújos e Damares Alves. 

E tudo isso, claro, enquanto bancos lucram bilhões e milhares de pessoas vegetam na pobreza e no desemprego. Quando alguém se questionar porque a realidade social está assim, bastará abrir um livro de Olavo de Carvalho e aprender que é tudo culpa do charlatanismo de Isaac Newton. (por David Emanuel de Souza Coelho)
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