sábado, 30 de junho de 2018

SUBESTIMANDO HITLER, A ESQUERDA ALEMÃ FACILITOU A ESCALADA NAZISTA. E NÓS, SUBESTIMAREMOS BOLSONARO?

Além da justificada catilinária de Josias de Souza contra o presidenciável ultradireitista Jair Bolsonaro, que reproduzimos aqui, outro artigo fundamental  deste sábado, 30, é Lógica sectária, do Demétrio Magnoli, no qual ele crítica a visão de André Singer, de que a eleição deva ser encarada como uma disputa entre a esquerda ("Lula ou quem ele indicar, Ciro, Manuela e Boulos") e a direita ("tal como melancias no caminhão, o sacolejo irá arrumando as relações entre Bolsonaro, Alckmin, Meirelles ou Temer, Maia e Marina").

Assim como eu também já o fiz nesse mesmo contexto, Magnoli lembrou os erros cometidos pela esquerda stalinizada que facilitaram a conquista do poder pelos nazistas:
"Nove décadas atrás, no declínio da Alemanha de Weimar, os comunistas alemães aplicaram a estratégia do terceiro período, ditada a partir de Moscou. De acordo com o dogma inventado por Stálin, a revolução proletária aguardava na esquina —e, diante do espectro da insurreição, os social-democratas convertiam-se em aliados objetivos dos nazistas. Consequentemente, os comunistas rejeitaram a ideia de uma aliança com os social-fascistas, facilitando a ascensão de Hitler"
Ele constata que o PT está fazendo a mesmíssima besteira atualmente:
"No discurso e em certas práticas políticas, o PT parece-se, cada vez mais, com os antigos partidos comunistas. Colocando no saco bolsonarista melancias como Alckmin, Marina, Maia ou Meirelles, Singer pouco esclarece sobre a corrida presidencial, mas revela-nos que o PT percorre o túnel escuro do terceiro período."
E aponta o que mudou nesta eleição, obrigando-nos a deixar de lado a visão que perdurou "durante um quarto de século, [quando] o dilema expressou-se como disputa binária PSDB/PT, ou seja, "sob a forma da concorrência entre os partidários da economia de mercado e os do capitalismo de Estado".

Agora, contudo, temos de repetir Camões: "Cessa tudo que a antiga musa canta/ que outro valor mais alto se alevanta", qual seja a necessidade de barrarmos a pior ameaça à esquerda brasileira desde a redemocratização. 

Neste sentido, será imperativo somarmos forças com as melancias de centro-direita e centro-esquerda, pelo mais simples dos motivos: 
  • tendo-as como adversárias na rotina democrática, sobreviveremos para continuar lutando por nossos objetivos;
  • já se tivermos a direita nostálgica do regime militar como adversária,  a rotina democrática poderá ser trocada por execuções, torturas, estupros e outras atrocidades, com reais possibilidade de não sobrevivermos, politicamente e até fisicamente. 
A opção que devemos escolher me parece inequívoca.

PERSONIFICAÇÃO DO ATRASO NACIONAL, BOLSONARO DESPERTOU O PEDAÇO PRIMITIVO DO BRASIL

BOLSONARO É PORTA-VOZ DE UMA AGENDA PROTEROZOICA 
A maneira mais cômoda de tratar Jair Bolsonaro é atribuir o seu sucesso à alienação dos brasileiros que o colocam no topo das pesquisas. Isso desobriga as pessoas da necessidade de pensar. Evitando-se o raciocínio, adia-se uma conclusão desoladora: o capitão apenas ecoa na campanha de 2018 uma agenda pertencente ao pedaço do Brasil que mantém os pés no século 21 e a cabeça na era proterozoica, anterior ao aparecimento dos animais na Terra.

Bolsonaro é o efeito. A causa é a perpetuação de um sistema político em que o Estado não tem homens públicos. Os homens públicos é que têm o Estado. Ao perceber que paga mais impostos para receber menos serviços, o pedaço Bolsonaro do eleitorado acha que o futuro era muito melhor antigamente, quando os presidentes vestiam farda. Ao notar que o Supremo começou a soltar larápios condenados, o lado Bolsonaro da sociedade passa a sonhar com um país em que os tribunais não sejam a única maneira de se conseguir justiça.

Porta-voz do desalento, Bolsonaro capta no ar o sentimento que seu eleitorado deseja expressar. Na última 5ª feira, dois dias depois de a 2ª Turma do Supremo ter libertado José Dirceu da penitenciária da Papuda, o capitão declarou em Fortaleza que, eleito, vai propor a ampliação dos quadros da Suprema Corte —21 magistrados, em vez dos 11 atuais. 

Ele fala em "colocar lá dez [ministros] do nível do Sergio Moro, para poder termos a maioria lá dentro". A ideia é tola e irrealizável. Mas hipnotiza o naco Bolsonaro da plateia, já de saco cheio com a saliência de Gilmar Mendes e dos seus colegas da 2ª Turma, Éden supremo dos encrencados.

Na entrevista que concedeu na capital cearense, como em todas as outras, Bolsonaro agarrou as perguntas pelo colarinho como se enxergasse nelas a oportunidade de reproduzir as respostas iradas que sua plateia espera ouvir. Questionado sobre seus planos para deter o avanço das facções criminosas no país, o candidato declarou-se adepto do modelo da Indonésia. Bolsonaro disse coisas definitivas sem se dar conta de que não definia bem as coisas.

Na Indonésia, traficantes e consumidores de drogas são enviados para o corredor da morte. Mas Bolsonaro, tomado pelas palavras, referia-se às Filipinas, onde a bandidagem é passada nas armas sem a necessidade de uma sentença de morte formal. "Tinha de morrer 400 vagabundos lá. Resolveu a questão da violência", celebrou o entrevistado.

Sem mencionar o nome de Rodrigo Duterte, o presidente das Filipinas, Bolsonaro descreveu um fato protagonizado pelo personagem, em 2016: “No meio do caminho, o senhor Barack Obama quis adverti-lo em nome da política de direitos humanos. E ele deu uma resposta deselegante. E continuou fazendo todo o trabalho. Hoje, é um país seguro”.
Sob Rodrigo Duterte, as Filipinas travam uma guerra sangrenta contra as drogas. A polícia é estimulada a executar vendedores e consumidores. O próprio presidente prometeu, diante das câmeras, matar dezenas de milhares de criminosos. Sua gestão adotou a prática de estimular usuários de drogas a assassinar os traficantes, queimando-lhes as casas.

Quando Barack Obama, ainda hospedado na Casa Branca, esboçou uma defesa dos direitos humanos nas Filipinas, Duterte chamou-o de “filho da puta.” Declarou que, se o presidente americano ousasse admoestá-lo num encontro bilateral, responderia de forma primitiva: ''Vamos chafurdar na lama como porcos se fizer isso comigo.'' É esse o personagem que inspira Bolsonaro na elaboração do seu programa de combate ao crime organizado no Brasil.

Bolsonaro não desceu anteontem de Marte. Faz pose de novidade, mas exerce seu sétimo mandato como deputado federal. Com 464 mil votos, foi o deputado mais votado do Rio de Janeiro na eleição de 2014. 
Sempre cavalgou a mesma agenda conservadora. Condena o casamento de homossexuais, deplora a ideologia de gênero nas escolas, prega o direito dos policiais de matar bandidos e chama presídios superlotados de “coração de mãe”, onde sempre cabe mais um bandido.

No governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, Bolsonaro pegou em lanças contra a política de privatizações e a abertura do mercado para a exploração de petróleo. 

Nessa época defendeu diante das câmeras o fuzilamento do presidente da República. Uma, duas, três vezes. A única novidade da atual temporada é a constatação de que Bolsonaro mudou de patamar. Emprestava sua voz ao nicho proterozoico do eleitorado fluminense. Tornou-se um porta-voz do atraso nacional.

Com menos de 10 segundos de propaganda no rádio e na TV, Bolsonaro tenta celebrar um acordo com o PR do ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto. O cruzamento do discurso anticorrupção do capitão com a biografia suja do dono do PR resultará num monumento ao cinismo. Mas Bolsonaro dá de ombros. Ele manda Costa Neto para escanteio, diz que seu contato é com o senador Magno Malta (PR-ES), seu potencial candidato a vice, e assegura que o acordo, se vier, virá “de graça, por amor”.

Só um amador acreditaria em relações políticas baseadas no amor. Mas o eleitor de Bolsonaro, mal-amado por representantes de outrora, olha ao redor, constata a generalização da vigarice e venera o seu candidato por contraste. 

O capitão assegurou em Fortaleza que prevalecerá no 1º turno. Exagero de candidato. Talvez fique pelo caminho. Mas sua passagem pela campanha, seja qual for o resultado, já serviu para demonstrar que o pedaço primitivo do Brasil acordou.

Não fica bem pensar mal de Bolsonaro e usar luvas de renda para falar dos seus eleitores. A agenda pertence a eles. Vivo, Darwin diria que o brasileiro é mais uma prova do acerto da sua teoria evolucionária. Evoluiu tanto que já está fazendo o caminho de volta. (por Josias de Souza, no seu blog)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

O IMPERIALISMO DO SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL

O capital é que é o grande imperialista. Os Estados (e a política) que exercem o controle monetário sãos apenas um seu serviçal. 

Destarte, num estágio globalizado da economia, os Estados ditos ricos estão a serviço do sistema financeiro internacional, seja como emissor de moeda, seja no controle do câmbio, mas sempre como serviçais do capital.

Essa é a principal função dos Estados, juntamente com outras funções importantes como a manutenção do status quo sistêmico pela via das instituições estatais (os três poderes do Estado) e pela via da força militar, todas subsidiadas pelos indivíduos sociais transformados em cidadãos pagadores de impostos. 

Os Bancos Centrais dos Estados de moedas fortes (dólar estadunidense, moeda universal, e o euro na União Europeia) podem emitir moedas sem lastro, que são por todos aceitas sem que isto cause inflação interna nesses países (exportadores de moedas sem valor), enquanto as nações da periferia do capitalismo, com suas moedas fracas, não podem emitir moedas sem lastro, sob pena de isto causar hiperinflações insuportáveis. 

Esse é o primeiro e grande sintoma do imperialismo do sistema financeiro internacional.
Ebenezer Scrooge, símbolo dos banqueiros

Como os detentores de capitais mundo afora, sejam eles grandes ou pequenos investidores, procuram sempre a garantia das moedas fortes e dos títulos públicos dos países de moedas fortes, disto decorre uma sustentação artificial baseada na credibilidade das moedas e títulos dessas nações, ainda que não tenham uma produção de valor condizente com seu status de ricos.

Mas, o castelo de cartas tem data de validade; quando desmoronar, deveremos ter uma verdadeira catástrofe financeira que transformará os ricos investidores em credores falidos dos bancos insolventes. Atingido tal estágio, como já ocorreu em alguns países durante as duas grandes guerras, só a riqueza material, concreta, terá validade.  

E, até que chegue a hora da verdade, o ônus dessa manipulação financeira continuará sendo transferido para os Estados da periferia do capitalismo; trata-se de uma das principais causas das desintegrações econômicas e políticas em curso nesses últimos.  

A resultante mais visível desse fenômeno é o impressionante processo de migração dos habitantes dos países da periferia capitalista para os grandes centros, que, não podendo absorver a todos (somente aos cidadãos endinheirados), retiram suas máscaras humanitárias e deportam as pessoas que consideram de segunda classe. 

O segundo sintoma do imperialismo financeiro internacional é a cobrança diferenciada das taxas de juros. Cada pais tem uma taxa referencial de juros; esta baliza os juros dos títulos públicos e transações bancárias do sistema financeiro, seja internacional ou interno em cada país. 
"juros altos impõem sacrifícios inauditos ao povo"

Os Estados Unidos têm o maior PIB do mundo e detêm a moeda internacional. A decisão do Banco Central dos EUA, que aumentou recentemente as taxas de juros, fixando o Prime anual em 2% ao ano, é que vem causando as atuais turbulências no mercado financeiro, pois, com taxa mais alta, atrai capitais em circulação pelo mundo, desestabilizando as moedas nacionais dos países periféricos, carentes de recursos financeiros.

O Libor inglês se situa na faixa de 0,5% ao ano; na zona do Euro a taxa de juros é de 0.0% ao ano; e no Japão temos taxa negativa, chegando a -0,10% ao ano. Enquanto isso, a nossa Selic (sistema especial de liquidação e custódia) se situa em torno de 6,4% acumulados nos últimos 12 meses. 

Se levarmos em conta que o Brasil, apesar de ser um país periférico, tem uma economia representativa por seu volume global do PIB (não o é pelo PIB per capita), podemos deduzir o que acontece com as taxas de juros das economias pouco representativas, como as africanas e as de muitos países asiáticos. 

A diferenciação para maior das taxas de juros internacionais oferecidas para os países periféricos significa que são os países pobres que financiam, em grande parte, o combalido sistema financeiro internacional. Entretanto, a dívida pública e privada de todos os países (ricos e pobres) é cada vez mais impagável, o que prenuncia um colapso futuro. 

No caso dos países desenvolvidos, as dívidas públicas e privadas somente se mantêm renegociáveis graças às taxas de juros baixas ou negativas.    
"colapso inevitável de todo sistema financeiro"
Já nos países periféricos, os juros decorrentes de taxas elevadas impõem sacrifícios inauditos ao povo, uma vez que o Estado carreia boa parte dos recursos dos impostos para o pagamento dos juros, aumentando o déficit das contas públicas desses países e retirando valores que deveriam ser utilizados na satisfação das demandas sociais. 

O déficit previdenciário a ser financiado com juros altos é, também, forte fator de sacrifício para as finanças das contas públicas, principalmente para os países periféricos, que se veem forçados a cortar preferencialmente os gastos com demandas sociais, e menos com a já precária infraestrutura da produção.

Ora, com juros altos destinados à produção de mercadorias, os países periféricos, já em dificuldades de aumento da produtividade graças ao difícil acesso às tecnologias da microeletrônica aplicada à essa mesma produção, veem-se sem qualquer chance de vitória na guerra concorrencial de mercado.

Os juros decorrentes do financiamento da produção, mesmo em países que conseguiram alavancar a sua produção graças aos salários miseráveis dos seus trabalhadores e condições insalubres de instalações fabris, estão enredados numa crescente dívida pública e privada, como é o caso da China, que tem uma dívida de 235% do PIB nacional. 

O famigerado Fundo Monetário Internacional, órgão que funciona como termômetro do equilíbrio financeiro estatal em defesa da estabilidade financeira do capitalismo, já alertou que estaria em curso um perigoso crescimento da dívida pública e privada chinesas.
"desintegração econômica e política dos países periféricos"

O embargo às importações chinesas pelos Estados Unidos com taxações protecionistas de impostos agrava este problema e pode implicar o risco de ambos morrerem abraçados no colapso do sistema financeiro internacional.

Vale notar que o acúmulo de moeda estadunidense no saldo da balança comercial chinesa, mas que é inferior à sua dívida pública e privada, torna esse país refém da credibilidade de uma moeda que, mais dia, menos dia, evidenciará a sua artificialidade.

Há hoje no mundo capitalista uma enorme circulação de dinheiro sem valor, ou seja, dinheiro dissociado da produção de mercadorias, posto que é esta a única forma de produção de valor válido (aquele que surge dessa mesma produção de mercadorias).

Quando se analisa a configuração dos PIBs dos países desenvolvidos, vê-se que os setores primário (agricultura e agronegócio) e secundário (produção industrial), são bem inferiores ao setor terciário (serviços), que não produz valor mas, apenas, transfere valor já existente.

Tal defasagem é financiada pela emissão de dinheiro sem lastro, o que nos leva à certeza de que, hoje, o montante de riqueza abstrata (dinheiro) em circulação tem pouca correspondência com a produção de mercadorias  
"Os países protegidos pelo imperialismo financeiro sentem-se confortáveis, como os músicos do Titanic!" 
Confirma-se, portanto, a tese de que a abstração valor se tornou ainda mais abstrata a partir de uma correlação de emissão monetária artificial, prenunciando um colapso futuro inevitável de todo o sistema financeiro mundial.

A artificialidade do sistema financeiro, cujas cifras astronômicas são destituídas de consistência que justifique a sua credibilidade financeira, tende a virar pó num futuro que talvez já esteja próximo.

Entretanto, antes que tudo vire fumaça, como quase aconteceu em 2008 com a crise do sub-prime estadunidense (a bolha do sistema financeiro imobiliário), são os países periféricos aqueles chamados ao sacrifício financeiro pela via do pagamento dos juros escorchantes de suas dívidas, na verdade impagáveis.
Por Dalton Rosado
A imigração forçada pela desintegração econômica e política dos países periféricos do capitalismo é prenuncio de que as labaredas dos incêndios que queimam os empobrecidos pela lógica do capital estejam cada vez mais próximas das salas de estar dos países protegidos pelo imperialismo financeiro... os quais ainda sentem-se ilusoriamente confortáveis, como os músicos do Titanic! 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

UM ALERTA: EXIGINDO LIBERDADE E RECUSANDO PRISÃO DOMICILIAR, LULA TENDE A CONTINUAR EM REGIME FECHADO

Será que houve mesmo o tal pulo do gato do Fachin?
A colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, continua sendo ótima fonte de informação sobre o que rola nos bastidores dos Poderes.

Nesta 5ª feira (28) ela desmente que o Lula teria sido libertado pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal se, anteontem (26), o relator Edson Fachin não houvesse transferido para o plenário a decisão sobre seu enésimo pedido de liberdade.   

Falou-se que a 2ª Turma agiria, com Lula, da mesma forma como agiu com Zé Dirceu, mas tal ideia, segundo a Mônica, é ilusória, pois a ele teria sido concedida, no máximo, a prisão domiciliar. Eis o porquê:
"A diferença entre o caso do ex-presidente e os demais que foram analisados na terça é que o plenário do STF já tinha considerado a prisão legítima ao negar a ele o habeas corpus que poderia tê-la evitado, em abril. Decidir em sentido oposto, neste caso, seria, sim, uma afronta à decisão colegiada de toda a corte, diz um integrante da 2ª Turma.

O mesmo magistrado afirma que o caso de Dirceu, p. ex., é diferente porque nunca tinha sido apreciado pelo plenário".
Qual a vantagem de continuar em território hostil?
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"MAIS TARDE, NEM
 PARA CASA ELE VAI"

E é dos mais preocupantes este alerta da Mônica, sobre o qual Lula e os dirigentes petistas deveriam refletir com a máxima seriedade:
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"O apego de Lula à ideia de que só deve aceitar a liberdade, rejeitando a prisão domiciliar, pode complicar a situação dele caso o STF não reveja a autorização para prisões depois de condenação em segunda instância.

Em setembro, a ministra Cármen Lúcia passará a integrar a 2ª Turma do STF, dificultando a formação de uma maioria liberal e pró-réu no grupo.

'Mais tarde, nem para casa ele vai', diz um magistrado do colegiado..."

BRASIL VENCE, CONVENCE E TEM CAMINHO ABERTO À FRENTE

O primeiro faz tchan...
Após dois jogos atípicos, a seleção brasileira mostrou consistência contra a Sérvia, mantendo a partida sempre sob controle e (como reza a cartilha do técnico Tite) sabendo sofrer  durante a primeira metade do 2º tempo enquanto os adversários queimavam seus últimos cartuchos, até o gol de Thiago Silva os convencer de que nada mais tinham a fazer além das malas...

Também estava com a vitória contra a Suíça encaminhada, mas o erro da arbitragem complicou tudo, ao entregar o empate de mão beijada a quem sequer criava reais ameaças. 

E precisou martelar até os acréscimos para romper o ferrolho da medíocre Costa Rica, que precisava de uma vitória mas só chegou com perigo uma única vez na partida inteira, finalizando para fora. Passou o resto do tempo empilhando jogadores atrás da linha da bola e rifando a dita cuja.

A Sérvia sabia se defender e sabia atacar, mas não foi páreo para o Brasil, que teve novamente Philippe Coutinho decisivo: seu passe para Paulinho encobrir o goleiro saiu perfeito, apesar da marcação dupla e até tripla que sofria.
...o segundo faz tchun. Tchan, tchan, tchan, tchan!

Uma vantagem adicional de Coutinho estar sendo o melhor atacante do Brasil é que isto obriga Neymar a deixar de lado o vedetismo, a retenção de bola e os chiliques, caso contrário a comparação lhe seria muito desfavorável. 

Ou será que recebeu um puxão de orelha do Tite e dos líderes do grupo?

O certo é que ele finalmente atuou com objetividade e discrição, contribuindo para o esforço coletivo ao invés de empenhar-se tanto em monopolizar os holofotes.

Com uma defesa sólida, Coutinho em ótima fase, Neymar se recuperando e Paulinho desencantando, só falta mesmo Tite desencanar de Gabriel Jesus e Willian, que já passaram três partidas sem justificar a titularidade.

Mas, com ou sem eles, será franco favorito contra o México e, com menos facilidade, deve passar pela Bélgica nas quartas. 
Aguaram nosso chopp!
A sorte também nos sorriu com a humilhante desclassificação da Alemanha, que não soube colocar os chihuahuas no seu devido lugar, mas certamente seria parada indigesta para nós numa briga de cachorro grande.

Curiosa a sina dos coreanos: não são de nada, mas a cada meio século despacham um campeão mundial para casa na fase de grupos. Em 1966 foi a Itália, com os coreanos do norte fazendo um gol no final da 1ª etapa e suportando um terrível bombardeio até o fim.

Desta vez os coreanos do sul mataram uma Alemanha que passou suas três partidas sem mostrar criatividade para romper defesas fechadas.

Ouvi dizer que o Felipão enviou para o Joachim Low um dvd do bangue-bangue Hoje eu, amanhã você...

quarta-feira, 27 de junho de 2018

RINHA DE PAVÕES É ATRAÇÃO PERMANENTE NO SUPREMO BARRACO FEDERAL

Por Bruno Borghossian
SUPREMO ESTÁ À DERIVA
E TRIPULAÇÃO SE AMOTINA
EM GRUPOS RIVAIS
O Supremo está à deriva e sua tripulação ficou amotinada em dois grupos rivais. A disputa interna no tribunal se tornou uma guerra de manobras que desobedecem às próprias práticas e entendimentos da corte —e não levam a lugar algum.

Ao decidir soltar o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu, nesta 3ª feira (26), a 2ª Turma do STF aplicou um desses improvisos.

Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski driblaram o entendimento do próprio Supremo que permite a prisão condenados em segunda instância. Os ministros decidiram que Dirceu e Genu podem ficar em liberdade enquanto correm seus recursos a outros tribunais.

Para o STF, essas apelações não deveriam suspender os efeitos da condenação, mas o trio inventou essa brecha para dar um contragolpe no estratagema armado pela presidente da corte, Cármen Lúcia. Ela bloqueou da pauta do plenário um conjunto de ações que poderiam reverter a execução antecipada de penas.
Lewandowski resumiu a questão. Disse que, enquanto esses casos não forem julgados em definitivo, cada ministro poderá decidir como quiser.

Era uma lógica feita sob medida para uma reclamação do ex-presidente Lula, que seria julgada na mesma sessão. O petista só não foi solto porque Edson Fachin fez sua própria gambiarra: em vez de levar o caso para apreciação na 2ª Turma (onde seria derrotado), enviou-o ao plenário (onde já houve maioria apertada para manter Lula preso).

Sem o petista na pauta, os ministros aplicaram outra artimanha. Correram para julgar casos polêmicos antes que a balança de poderes da 2ª Turma mude. Em setembro, Toffoli se torna presidente do STF e Cármen, considerada mais severa, assume seu lugar no colegiado.

O Supremo nunca foi perfeitamente harmônico, mas o caos se instala quando cada ministro resolve aplicar artifícios questionáveis para produzir os resultados que deseja. 

O transatlântico se move em círculos. É impossível saber que rota seguirá.

terça-feira, 26 de junho de 2018

HERÓI IMPROVÁVEL, ROJO FEZ UM GOL DE PLACA E FOI BUSCAR A CLASSIFICAÇÃO ARGENTINA NA BACIA DAS ALMAS

A partida desta tarde foi de pulverizar estereótipos. Os nigerianos despersonalizados, levando um baile no 1º tempo, recebendo de presente um gol imerecido no comecinho do 2º e preferindo segurar o empate do que enfrentar de igual para igual a descontrolada Argentina.

Já os argentinos partiram pra cima como guerreiros tribais, com um furor que contagiou até o Messi. Foi uma inversão de papéis: um bando de brancos azedos ensandecidos fazendo os majestosos herdeiros espirituais dos zulus tremerem nas bases.

De qualquer forma, fiquei contente. Tenho muito carinho pelos povos da América do Sul, explorados e vilipendiados como nós. Ontem como hoje, soy loco por ti, America...
Conheci muitos hermanos nos anos 70, quando todos nós padecíamos sob ditaduras infames, nos perdendo pelo mundo e voltando a nos encontrar, identificados por nossas desventuras sem fim e pelo fio de esperança a nos empurrar para a frente. 

Sangue latino pulsa em minhas veias, de um vermelho bem vivo, rojo como o herói improvável que foi buscar a classificação argentina na bacia das almas.

RIO DE JANEIRO EM TRANSE: A 6ª FEIRA SANGRENTA E A PASSEATA DOS 100 MIL – 2

(continuação deste post)
"DE UM LADO, CASSETETES E CHUTES DE COTURNO. DO OUTRO, BOLINHAS DE GUDE DERRUBANDO CAVALOS" – O vendaval parisiense chegou ao Brasil principalmente por via de influência da contracultura, mas, segundo o historiador e ex-militante estudantil Daniel Aarão Reis, não teve impacto no que se viu nas ruas do Rio de Janeiro em junho. “O alvo principal do movimento estudantil em 1968 era a política educacional do governo e a reivindicação por mais verbas era algo bem distante do que acontecia em Paris”, diz Aarão Reis.
6ª feira sangrenta: manifestantes enfrentando a repressão com paus e pedras.


Contudo, como Ventura lembra em seu livro, se as mobilizações francesas não foram determinantes para o ano brasileiro, “Costa e Silva, patético, prometia: ‘Enquanto eu estiver aqui, não permitirei que o Rio se transforme em uma nova Paris”. A declaração do presidente militar é de 12 de junho e, passada apenas uma semana, no dia 19, 4ª feira, foi dado início aos acontecimentos que levaram até a 6ª feira sangrenta, 21.

Tudo começou com um grupo de estudantes que foi ao Ministério da Educação, então no Rio de Janeiro, para expor as pautas do movimento estudantil. A iniciativa terminou em repressão policial, que, pela primeira vez, foi respondida também com violência e não apenas com dispersão. 
Palmeira: "Batemos na polícia pela primeira vez"

“Quando a polícia veio, naquele passo terrível, largo, aqueles passos de ganso, resolvemos resistir. Batemos na polícia pela primeira vez”, lembra Vladimir Palmeira, então presidente da União Metropolitana dos Estudantes, no mesmo Memória do Movimento Estudantil

O que se seguiu foram horas de perseguição e enfrentamento. De um lado, cassetetes e chutes de coturno. Do outro, bolinhas de gude derrubando cavalos.

Já no dia 20, 5ª feira, cerca de 400 estudantes foram presos após uma assembleia geral no Teatro de Arena da Faculdade de Economia. No campo do Botafogo, eles foram enfileirados e humilhados. “A descrição de soldados urinando sobre corpos indefesos ou passeando o cassetete entre as pernas das moças, junto às imagens de jovens de mãos na cabeça, ajoelhados ou deitados de bruços com o rosto na grama, eram uma alegoria da profanação”, escreve Ventura. 

O que começou com a morte de Edson Luís, quando uma questão universitária relativa ao restaurante Calabouço cresceu para além das assembleias estudantis, ficou ainda mais intenso após os dias 19 e 20.
Aí, então, veio a 6ª feira sangrenta. “Nesse dia, o Rio não ficou nada a dever à Paris das barricadas – e não por mimetismo, como temiam as autoridades militares. A motivação estava aqui mesmo”, escreve Ventura. 

Tudo teve início com um pequeno protesto, às oito da manhã, na praça Tiradentes, centro da capital carioca, contra os eventos de 4ª e 5ª feira; e acabou se transformando numa batalha de cerca de 12 horas, em plena avenida Rio Branco.

Quando a repressão policial chegou, já depois do horário do almoço, a população tomou partido e começou a jogar objetos das janelas contra os policiais. Tudo começou com alguns gelos arremessados, até que passaram a cair máquinas de escrever, garrafas, cinzeiros, cadeiras e vasos de flores. 

“Participei como cidadão comum naquele dia, em que foi possível ver de tudo: de carros da polícia virados até garotos montando cavalos, com capacetes de policiais militares caídos, galopando pelas ruas centrais da cidade” relembra Aarão Reis. 

Para ele, aquele momento, em que a população apoiou os estudantes espontaneamente, é uma marca da insatisfação que parte da classe média vinha mostrando com os rumos econômicos e autoritários da ditadura. “Eram setores que acreditavam que 1964 seria apenas uma operação cirúrgica destinada a varrer os comunistas e trabalhistas”, diz.
Junho de 1968, depois da 6ª feira sangrenta, ficaria definitivamente marcado como o mês das grandes mobilizações de rua. Cinco dias depois, em 26 de junho, aconteceu a famosa passeata dos 100 mil, que reuniu estudantes, artistas, intelectuais, religiosos e população em geral para protestar contra as violências da ditadura.

As fotografias desse dia, muitas feitas também por Evandro Teixeira, que registrou a 6ª feira sangrenta, são simbólicas. Numa imagem, aparecem Caetano Veloso, Gilberto Gil, Vinícius de Moraes, Paulo Autran, José Celso Martinez… 

Noutra um estudante, numa das foto mais conhecidas do período, picha: Abaixo a ditadura nos muros do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Dessa vez, a resposta do regime militar não viria nas ruas, mas em um processo de recrudescimento cada vez maior que acontecia nos corredores de Brasília. 

“Já no segundo semestre, sem forças, os movimentos começaram a declinar. O estouro do 30º Congresso da UNE, em outubro, só fez consolidar a curto prazo, este declínio”, diz Aarão Reis.

Junho de 1968 foi o ápice do movimento, a 6ª feira sangrenta o momento mais próximo de uma insurreição popular e a passeata dos 100 mil uma amostra irrefutável do descontentamento geral contra a ditadura. 

A partir de junho, contudo, as coisas esfriaram. O movimento estudantil debatia próximos passos internamente e a repressão avançava. Em outubro, como relembra Aarão, um congresso da UNE, em Ibiúna, interior de São Paulo, foi invadido pela repressão e os principais líderes estudantis presos. Alguns falam em até 900 presos. Todos seriam fichados no Dops, a polícia política do regime.

As mobilizações do Rio de Janeiro não foram um caso isolado naquele ano. P. ex., no próprio segundo semestre, em outubro também, houve a conhecida batalha da rua Maria Antonia, em São Paulo, quando estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP entraram em confronto com os do Mackenzie, apoiados pelo Comando de Caça aos Comunistas. 

Na verdadeira guerra campal que se abriu na rua, que abrigava as duas universidades, um estudante morreu.

Em Brasília e Belo Horizonte, as universidades federais também foram palco de movimentações estudantis e invasões militares, em diferentes meses do ano. 

E o movimento sindical, embora enfraquecido na época, também se mobilizou, tendo ocupado fábricas na cidade mineira Contagem, em abril, e na paulista Osasco, em julho.

“Tudo tinha uma marca forte de improvisação, era um processo muito embrionário de mobilizações. A rigor, todos estes movimentos, embora apresentando aspectos novos, devem ser vistos, quando a gente pensa neles em conjunto, como um último sopro dos processos sociais mais densos que se verificaram antes de 1964”, diz Aarão Reis. 

O AI-5 colocaria todos na ilegalidade, a UNE continuaria seu trabalho sempre na clandestinidade e a luta armada surgiria como opção contra um regime que, como visto em junho, sofria de impopularidade em diferentes setores da sociedade.

RIO DE JANEIRO EM TRANSE: A 6ª FEIRA SANGRENTA E A PASSEATA DOS 100 MIL – 1

Por Celso Lungaretti
Este blog jamais poderia deixar os 50 anos da passeata dos 100 mil passarem em branco. Num primeiro momento, pensei até em publicar o trecho do meu livro Náufrago da Utopia a ela dedicado. 

Mas, avaliando melhor tal possibilidade, conclui que seria pouco, um relato de quem acompanhou a passeata à distância, mais focado no que rolava no movimento estudantil de São Paulo, meu campo de atuação (daí, no livro, tê-la descrito com base em reportagens jornalísticas e livros). 

O que eu não soube por leituras, mas testemunhei e me impressionou, foi a meteórica notoriedade que o Vladimir Palmeira adquiriu entre nós; até então, era uma referência distante.

Também me ficou na lembrança o que o valoroso companheiro José Raimundo da Costa, o Moisésúltimo comandante da VPR (dissolvida após sua morte), me contou. 
O saudoso Moisés

Àquela altura, perseguido intensamente pela repressão (um desafeto dele se tornara figurão do Cenimar), trabalhava sob identidade falsa como gerente de uma empresa de transportes. E, percebendo que algo muito importante estava para acontecer, não teve dúvidas: foi para o aeroporto, com o terno que estava usando no serviço. 

Havia voo disponível, chegou na Cidade Maravilhosa em tempo e deu tudo certo, menos um certo desconforto por alguns manifestantes olharem para ele de esguelha, suspeitando que fosse policial à paisana.

Enfim, dando uma peneirada em tudo que encontrei sobre a passeata na busca virtual, acabei chegando a um artigo impecável, o de André de Oliveira, repórter do jornal El País. A ele, pois! 

MAIO DE 1968 NÃO FOI UM MÊS
NO BRASIL, MAS UM ANO INTEIRO
Por André de Oliveira
Maio de 1968 foi diferente para os estudantes brasileiros. A começar pelo fato de não ter sido um mês, mas um ano intenso de muito mais perdas do que ganhos. 

Lá fora, a panela de pressão misturava movimentos de contracultura, palavras de ordem anti-sistema, reivindicações de cunho identitário e protestos contra a Guerra do Vietnã; aqui, o inimigo era mais palpável: a ditadura militar. 

“Por isso, a nossa geração de 68 foi a que mais caro pagou por sua rebeldia, através de prisões, tortura, exílio e até morte”, escreve Zuenir Ventura em seu clássico 1968 — o ano que não terminou. Se durante o ano houve dezenas de mobilizações estudantis, tudo acabou em 13 de dezembro, com o Ato Institucional nº 5, que inaugurou o período de maior repressão da ditadura.

Uma foto dessas mobilizações é conhecidíssima. Dois militares, cassetetes na mão, perseguem de perto um homem que, caindo, joelhos dobrados, óculos voando alguns centímetros à frente, um pé já tocando o chão e braços abertos em cruz, está prestes a se esborrachar. 

Um policial, o da esquerda, corre com os lábios presos, talvez, pronto para desferir uma cacetada. O outro, com uma das mãos espalmada, parece querer agarrar pela camisa o homem barbudo, que dificilmente conseguirá escapar das pancadas que certamente levará. 

Ao longe, no meio da rua, um careca vara pau observa a cena calmamente. Mais para trás, vê-se um aglomerado difuso de gente, que sugere corre-corre.

A imagem de Evandro Teixeira, no centro do Rio de Janeiro, é de 21 de junho, a data que ficou conhecida como a sexta-feira sangrenta, um dos pontos culminantes daquele 1968. Contudo, para se chegar a esse dia, quando os estudantes, com participação espontânea de um bom número de civis, travaram uma batalha de horas contra os militares no centro carioca – deixando um saldo, em uma das versões, de ao menos cinco pessoas mortas, entre estudantes e policia – é preciso falar de acontecimentos anteriores (e também posteriores) que sumarizam todo o ano de mobilizações estudantis.

Um ponto de partida possível é Edson Luís. Secundarista, Edson Luís foi morto em 28 de março, aos 18 anos, durante a invasão militar do restaurante estudantil Calabouço – que era alvo de reivindicações pois teve o preço das refeições aumentado. 

A morte do estudante, que sequer participava de algum movimento organizado e estava no local porque, filho de uma família pobre do Pará, vivia ali de favor para poder cursar o 2º grau na capital carioca, gerou grande indignação. 

No documentário Memória do Movimento Estudantil, o então presidente da União Nacional dos Estudantes, Jean Marc Van Der Weid, lembra que o assassinato de Edson Luís foi o gatilho para uma série de eventos que atraiu, inclusive, a simpatia de setores da classe média que, até então, mantinham-se alheios à repressão da ditadura. 
À pauta do movimento estudantil, que pedia mais verbas para a educação, além de travar uma luta pelos excedentes –quem havia passado no vestibular, mas não encontrava vaga na Universidade– somava-se à denúncia contra a violência militar sob as palavras: “E se fosse um filho seu?”.

Um dia depois da morte do secundarista, o cortejo de seu enterro reuniu 50 mil pessoas, que caminharam da Assembleia Legislativa, no centro do Rio de Janeiro, até o cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, zona sul. 

Houve, entre estudantes e figuras conhecidas, quem passasse a noite inteira velando o corpo do secundarista, como fez o intelectual Otto Maria Carpeaux, que na época não era nenhum menino, tinha 68 anos. 

A missa de sétimo dia de Edson Luís foi outro acontecimento. Centenas de pessoas foram à Igreja da Candelária prestar homenagens e se despedir, mas na saída acabaram reprimidas pelos militares. Depois disso, vieram os ventos franceses de Maio de 1968. (continua neste post)
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