quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

PODE UM CIRCO DE SANGUESSUGAS SER TÃO PAVOROSO QUANTO O MAFUÁ DE BRASÍLIA?

Qualquer cinéfilo de carteirinha pode citar umas tantas moedas que caíram em pé: filmes com qualidade bem superior ao currículo de seus realizadores e intérpretes, gratas surpresas que nunca mais se repetem.

Sem muito esforço, eu lembraria três:
  • Keoma (assista-o aqui), western imensamente melhor do que tudo que o diretor Enzo G. Castellari fizera e faria, contando, ademais, com uma trilha sonora que nem de longe se assemelha à tralha habitual dos irmãos Gido e Maurizio De Angelis; 
  • Exótica, a única e ainda não reconhecida obra-prima de Atom Egoyan; e 
  • O substituto, uma das melhores abordagens da magia do cinema, magnificada por uma performance inesquecível de Peter O'Toole.
O circo dos vampiros (d. Robert Young, 1972) é a última fita significativa da lendária companhia britânica que reerguera o gênero de terror a partir do final dos anos 50, a Hammer. Ela ainda resistiu durante o restante da década de 1970, partindo depois para a produção de filmes de TV. Recentemente, voltou sem brilho ao cinema.

O surpreendente em O circo dos vampiros é uma empresa já decadente ter sido capaz de legar um filme tão impactante. E isto já sem seus diretores mais famosos (como Terence Fisher, Freddie Francis e Roy Ward Baker) e seus atores icônicos como Christopher Lee e Peter Cushing.

Mas, talvez a maré baixa tenha até ajudado, pois, já sem quase nada a perder, a Hammer não opôs restrições  à explicitação das estreitas ligações entre o terror e o erotismo, que vêm desde que Bram Stoker escreveu Drácula e, entre otras cositas más, fez a espécie vampiresca  proliferar como consequência da penetração de caninos que crescem quando vão entrar em ação...


Nenhum comentário:

Related Posts with Thumbnails